A Rússia lançou esta segunda-feira, 16 de março, um raro ataque diurno contra Kiev, apanhando a hora de ponta na capital ucraniana, com as autoridades a avançarem que foram usados drones que pareciam ter sido modernizados. O autarca de Kiev, Vitali Klitschko, descreveu que caíram “fragmentos de drones no centro da cidade”, mas sem vítimas a registar. O alerta de ataque aéreo em Kiev começou por volta das 8.30 (6.30 em Lisboa), e ainda estava em vigor uma hora depois. Segundo as autoridades militares ucranianas, a defesa aérea abateu 194 dos 211 drones russos, referindo que este ataque foi raro devido ao seu horário - normalmente as incursões russas contra Kiev são noturnas - e envolveu diferentes tipos de drones.“Cerca de 30 drones de vários tipos estavam a atacar a região de Kiev”, afirmou Yuri Ihnat, porta-voz da força aérea, à televisão ucraniana. “A notícia menos boa é que estes drones têm canais de comunicação - redes mesh e outros canais - que o inimigo pode usar para os controlar. A melhor notícia é que foram quase todos abatidos.”Segundo canais de monitorização do Telegram, citados pelo Kyiv Independent, até 30 drones do tipo Shahed atacaram infraestruturas energéticas, havendo relatos de que mísseis russos também teriam visado Kiev, uma informação depois desmentida por Yuri Ihnat.A Rússia, por seu turno, informou esta segunda-feira que abateu durante o fim de semana 250 drones ucranianos que tinham como destino Moscovo, afirmando que esta foi a maior tentativa de um ataque de Kiev à capital russa em pelo menos um ano. “Nos últimos dois dias, as forças de defesa aérea destruíram cerca de 250 drones inimigos diretamente na aproximação a Moscovo e na segunda linha de voo em direção a Moscovo”, declarou esta segunda-feira o presidente da autarquia da capital russa, Sergei Sobyanin, no Telegram, citado pela Reuters. Jornalistas desta agência de notícias dizem ter ouvido fortes estrondos em Moscovo e na sua área metropolitana no fim de semana.Trump continua empenhado no processo de pazEsta segunda-feira também, o Kremlin desmentiu uma notícia do Financial Times que sugeria que as negociações com vista à de paz na Ucrânia estavam a perder força porque o presidente dos Estados Unidos está atualmente mais focado no conflito com o Irão, com o porta-voz da presidência russa a afirmar que Moscovo tem uma leitura diferente sobre o empenho de Donald Trump quanto ao processo de paz.“As frequentes referências do presidente Trump à Ucrânia nas suas recentes declarações sugerem o contrário”, declarou Dmitry Peskov, acrescentando que “a julgar pelas suas declarações, o presidente Trump não perdeu de todo o interesse. Além disso, está a pressionar fortemente Zelensky para que chegue a um acordo”.O líder da diplomacia russa abordou esta segunda-feira igualmente o processo de paz , garantindo que Moscovo está empenhado em todos os acordos para uma solução política e diplomática, enquanto Kiev os está a obstruir, pelo que a Rússia está a atingir os seus objetivos no terreno. “O presidente Putin tem confirmado repetidamente que estamos inequivocamente empenhados numa solução negociada. Mas, como o regime de Kiev não está disposto a isso, atingiremos os objectivos da operação militar especial no terreno, e isso já está a acontecer”, garantiu Sergei Lavrov, citado pela agência de notícias russa Tass. .Negociações “produtivas” mas sem novidades sobre a paz na Ucrânia.Trabalho dos negociadores de Kiev será “ajustado” após ataque russo