A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, está em Madrid e foi recebida esta sexta-feira (17 de abril) pela oposição espanhola, mas recusou um encontro com o primeiro-ministro Pedro Sánchez.Sánchez disse que ficaria "muito feliz" por se encontrar com a vencedora da Prémio Nobel da Paz, mas que ela "não considerou oportuno" esse encontro. Contudo, "as portas do Palácio da Moncloa estão abertas" caso mude de posição.A própria Corina Machado tinha dito, quando anunciou a visita a Madrid, que "não convinha" nesta altura esse encontro. Numa entrevista à Antena 3, María Corina Machado explicou que a oposição venezuelana sentiu falta de uma "denúncia pública da violação dos direitos humanos e da exigência da libertação dos presos políticos" na Venezuela por parte do governo espanhol.Também qualificou como "grande erro" a proposta feita pela Espanha à União Europeia de suspender as sanções contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em resposta aos passos que ela vem dando "no bom caminho". .Venezuela: Portugal apoia levantamento de sanções da UE contra Delcy Rodríguez.Recebida por Feijóo e AbascalA líder da oposição venezuelana foi recebida com gritos de "liberdade" na sede do Partido Popular, onde esteve reunida com Alberto Núñez Feijóo."Exigimos, em primeiro lugar, que María Corina seja autorizada a regressar à Venezuela e, em segundo lugar, eleições livres com um calendário explícito e o mais breve possível", declarou Feijóo, citado pela agência EFE. O líder do PP defendeu ainda que o lugar de Espanha é "com a liberdade", com a "América Latina livre", "com a democracia" e "com a transparência", e "não com a ditadura que se esconde no Aeroporto de Barajas".Uma referência a um encontro em 2020 da então vice-presidente e atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com o na altura ministro socialista José Luís Ábalos. .María Corina Machado também esteve com o líder do Vox, Santiago Abascal, que não hesitou em criticar Sánchez, alegando que ele escolheu "ficar ao lado dos símbolos da opressão, dos cúmplices da tirania na Venezuela". Na sua passagem pela capital espanhola, a opositora venezuelana foi ainda recebida pelo presidente da câmara, José Luis Martínez-Almeida, do PP, que lhe deu as chaves da cidade. .Este sábado (18 de abril) receberá a medalha de ouro da Comunidade de Madrid das mãos da sua presidente, Isabel Díaz Ayuso, antes de um grande encontro com os venezuelanos na Puerta del Sol, a partir das 18h00 locais (17h00 em Lisboa).Edmundo González no hospitalO grande ausente nesse encontro será Edmundo González, por muitos considerado o presidente eleito da Venezuela. Numa mensagem no X, anunciou que está hospitalizado, depois de ter sido operado há um mês, tendo estado com Corina Machado esta sexta-feira (17 de abril). "Este momento é vosso, este encontro é vosso com todos os venezuelanos, e assim deve ser. Confesso que esperei até ao último minuto na esperança de poder estar aí, mas a realidade impede-me", escreveu..González foi o candidato da oposição nas presidenciais de 2024 na Venezuela, depois de a candidatura de María Corina Machado (que tinha ganho as primárias da oposição) ter sido travada pela justiça venezuelana (controlada pelo regime de Nicolás Maduro). Nicolás Maduro, que estava no poder desde 2013, proclamou a sua vitória, sem mostrar provas, ao contrário da oposição que apresentou milhões de atas das mesas de voto para provar a vitória de González. Este acabou por fugir para o exílio em Espanha.María Corina Machado, que entretanto venceu o Nobel da Paz, também acabou por deixar a Venezuela após mais de um ano na clandestinidade, na expectativa de receber em pessoa esse galardão. Acabaria por não chegar a tempo.."O Nobel era a única coisa que, a nível simbólico, María Corina Machado tinha para poder dar a Trump".Já estava no estrangeiro quando os EUA, numa operação militar no início do ano, derrubaram Maduro, que acusavam de narcotráfico, e o levaram para ser julgado em Nova Iorque. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina com o apoio da Administração norte-americana, com María Corina Machado a empreender esforços desde então para levar a eleições o mais rapidamente possível..María Corina Machado acredita em eleições antes do final do ano na Venezuela