A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, acredita que será possível a realização de eleições democráticas até ao final do ano, numa altura em que um grupo de opositores - entre eles o deputado e duas vezes candidato presidencial, Henrique Capriles - aceitou dialogar com o regime. “Acreditamos que um processo de transição real com votação manual… todo o processo poderia ser concluído em nove ou dez meses. Mas, bem, isso depende de quando começar”, disse María Corina Machado numa entrevista ao site Politico. A líder opositora, que viveu na clandestinidade mais de um ano e deixou a Venezuela para receber o Nobel da Paz, está agora nos EUA. Em janeiro reuniu com o presidente Donald Trump (a quem entregou a medalha do Nobel), mas disse ao Politico que não abordou o calendário eleitoral com ele. “Temos uma cultura democrática forte. Temos uma sociedade organizada. Temos uma liderança legítima com um grande apoio popular e as nossas forças armadas também apoiam a transição para a democracia.”A entrevista de Corina Machado surgiu numa altura em que membros do regime, que desde a queda de Nicolás Maduro é liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, reuniram com um grupo de opositores. “Esta quarta-feira [4 de fevereiro] aceitámos conversar com o governo interino. Fomos para ouvir, mas também para propor e exigir a construção de soluções que nos permitam avançar enquanto nação, com regras claras, uma agenda pública e um compromisso de trabalhar verdadeiramente para os venezuelanos, sem falhas”, indicou no X o deputado Stalin González, líder do Grupo Parlamentário Libertad. Entretanto, aperta-se o cerco a antigos aliados de Maduro. O empresário colombiano Alex Saab, que chegou a ser ministro da Indústria, teria sido detido pelas autoridades venezuelanas com o apoio do FBI, segundo o The New York Times, estando em cima da mesa uma possível extradição para os EUA. Mas o advogado desmentiu, alegando que ele continua em casa. Saab foi preso em 2020, em Cabo Verde, ao abrigo de um mandado de captura internacional emitido pelos EUA por suspeita de lavagem de dinheiro. Extraditado após uma longa batalha legal, acabaria libertado numa troca de prisioneiros em 2023.