O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, não está otimista sobre a possibilidade de ser alcançada a paz na Ucrânia em breve e considera mesmo que é expectável uma escalada por parte da Rússia, que, segundo afirma, pretende prolongar a guerra "pelo menos até ao inverno".“Neste momento, parece improvável que um cessar-fogo ou um acordo de paz seja alcançado num futuro próximo, dada a postura rígida da Rússia e de [Vladimir] Putin”, disse esta terça-feira, 14 de julho, Tusk, citado pela Reuters. Em Paris, o chefe de Governo da Polónia, país vizinho da Ucrânia, considerou que o fim da guerra na Ucrânia não estará próximo. Disse mesmo ser expectável que a Rússia intensifique a ofensiva militar contra o território ucraniano, em curso desde 24 de fevereiro de 2022.“Todos esperam uma escalada das ações da Rússia neste momento, e é bastante provável que a Rússia queira prolongar esta guerra pelo menos até ao inverno", argumentou Donald Tusk, que conversou com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sobre os mais recentes desenvolvimentos sobre este conflito..Zelensky apela à adoção do 21º pacote de sanções da UE contra a Rússia.A posição de Tusk surge após mais uma noite de ataques russos, com recurso a mísseis balísticos, contra a capital ucraniana, Kiev, e a região de Odessa, no sul do país. De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, citado pela Lusa, foram atingidas instalações de produção de componentes para mísseis guiados Neptune."Foram utilizadas armas de precisão terrestres de longo alcance contra instalações da indústria militar ucraniana em Kiev, dedicadas à produção de mísseis de cruzeiro e veículos aéreos não tripulados", refere o comunicado do ministério russo, partilhado na rede social Telegram. Moscovo detalhou que, "em Kiev, o alvo foi a fábrica de montagem de componentes Radiozmeritel, principal fornecedora de componentes eletrónicos e peças para os mísseis guiados Neptune-MD e os mísseis táticos FP-7, FP-9 e Grom-2". Já em Odessa, as forças russas terão atingido sete depósitos de combustível e um navio cargueiro. Segundo o presidente ucraniano, a Rússia lançou, na última noite, "135 drones e 10 mísseis de vários tipos, a maioria balísticos" contra a Ucrânia. "Dezasseis locais foram danificados na capital, incluindo uma escola comum e uma empresa. Infraestruturas críticas nas regiões de Dnipro, Donetsk, Zhytomyr e Odessa também foram visadas", relatou, numa mensagem divulgada nas redes sociais.Zelensky informou que, na região de Kharkiv, sete pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança, e que foram danificados edifícios residenciais, um posto de combustível e uma infraestrutura ferroviária. "Três pessoas ficaram feridas na região de Chernihiv. Os russos danificaram um edifício residencial e as instalações da rede elétrica, deixando milhares de famílias sem eletricidade", adiantou Zelensky, referindo que um prédio residencial também foi danificado em Zaporíjia.Perante mais uma noite de ataques russos, o presidente ucraniano apelou aos aliados para a necessidade de uma "maior pressão sobre a Rússia". "Não podemos ficar parados, e o 21º pacote de sanções da UE deverá ser adotado esta semana. Cada dia de atraso nas decisões sobre as sanções dá à Rússia mais tempo para se preparar para as mesmas", realçou."Todos os componentes – chips, microchips, bens de dupla utilização – tudo o que a Rússia utiliza para prolongar a guerra e atacar pessoas deve ser interrompido. E os nossos acordos com parceiros sobre as capacidades antibalísticas europeias são algo que pode realmente aumentar a segurança do nosso povo. Devemos avançar juntos. Cada empresa e cada país deve ser um verdadeiro defensor da vida", defendeu..Kiev acusa exército russo de executar centenas de soldados ucranianos.As vitórias da Ucrânia e outros destaques da cimeira de Ancara .Zelensky anuncia remodelação ministerial e substitui primeira-ministra da Ucrânia