Soldados dinamarqueses desembarcam em Nuuk.
Soldados dinamarqueses desembarcam em Nuuk.FOTO: EPA/Mads Claus Rasmussen

Dinamarca enviou explosivos para a Gronelândia para rebentar pistas de aeroportos em caso de ataque dos EUA

Em janeiro, autoridades de Copenhaga montaram uma estratégia de emergência para lidar com um possível conflito no seu território semi-autónomo tão cobiçado por Donald Trump.
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Para as autoridades da Dinamarca, a ameaça de um possível ataque dos EUA à Gronelândia foi mesmo levada a sério. Em janeiro, Copenhaga chegou a enviar tropas, explosivos e sangue para a ilha, foi agora avançado pela emissora pública DR, citada pelos media britânicos, como a Sky News ou o The Telegraph.

Os explosivos, explica a DR com base em informações recolhidas juntos de altos responsáveis do governo dinamarquês, mas também junto de fontes dos serviços secretos dinamarqueses, franceses e alemães, tinham como objetivos destruir as pistas dos aeroportos da capital, Nuuk, e de Kangerlussuaq, uma antiga base militar americana.

os sacos de sangue, transportados em aviões militares dinamarqueses, visavam garantir o tratamento dos feridos em caso de conflito.

Há muito que Donald Trump defende que a Gronelândia devia estar sob controlo dos EUA, tendo repetido, sobretudo desde o seu regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025, a intenção de anexar a ilha.

Os EUA têm presença militar na Gronelândia desde a II Guerra Mundial, quando a Dinamarca, ocupada pela Alemanha nazi em 1940, deixou a ilha, então sua colónia, sem proteção.

As autoridades americanas, depois de um acordo rápido com o embaixador dinamarquês em Washington e ultrapassando o governo colaboracionista em Copenhaga, estabeleceram ali campos de aviação, estações meteorológicas e defesas, permitindo-lhes vigiar os submarinos alemães no Atlântico Norte.

Em 1951, a Dinamarca e os EUA formalizaram o acordo, assinando um tratado de defesa que dava a Washington autorização para ter instalações militares na ilha. Nas décadas seguintes, com o desenrolar da Guerra Fria, a base de Pituffik, então chamada Thule, ganhou nova importância pela sua localização geográfica no Ártico e é hoje a única ainda em funcionamento.

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Pituffik. A base dos EUA na Gronelândia tem um radar que deteta mísseis balísticos mas também bowling e cinema

Maior ilha do mundo, a Gronelândia está sob controlo da Dinamarca desde 1721, tendo estatuto de território autónomo desde 1979. Mas o que torna a ilha tão atrativa?

Tudo começa com a geografia. Embora mais associada à Europa, por ser um território autónomo da Dinamarca, a Gronelândia fica na América do Norte, entre o Ártico e o Canadá, sendo o caminho mais rápido entre os dois continentes, o que é estrategicamente importante para os EUA.

Segundo foco do interesse norte-americano: as riquezas naturais. A Gronelândia faz parte do Ártico, estimando-se que 13% das reservas de petróleo e 30% do gás não descobertos estejam sob esta região gelada. Acredita-se ainda que existam muitos recursos minerais no subsolo do território dinamarquês, incluindo carvão, zinco, cobre e urânio.

E depois, o potencial do próprio território: estamos a falar de cerca de 2,1 milhões de quilómetros quadrados onde vivem apenas cerca de 57 mil pessoas. “Essencialmente, é um grande negócio imobiliário. Muitas coisas podem ser feitas”, disse Trump em 2019.

Segundo o mesmo relato da DR, terá sido a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas dos EUA, a 3 de janeiro, o momento que levou as autoridades dinamarquesas a pôr em marcha a sua estratégia de emergência para a Gronelândia. Nos dias seguintes, Trump repetiu que os EUA "precisam da Gronelândia para a sua segurança nacional".

Seguiu-se uma demonstração de solidariedade da União Europeia com a Dinamarca, com vários países a enviarem tropas para a Gronelândia, bem como caças dinamarqueses e um navio de guerra francês.

A mobilização foi apresentada como parte de exercícios militares conjuntos liderados pela Dinamarca, denominados Operação Resistência Ártica, mas a verdadeira razão seria preparar-se para uma possível invasão dos EUA e dissuadir tal ação, afirma a DR.

As tensões baixaram após Trump ter dito que a opção militar estaria descartada, que iria desistir das taxas aduaneiras de 10% aos países que enviaram tropas para a Gronelândia e, mais tarde, ao reivindicar um acordo com a NATO, após ter reunido com o seu secretário-geral Mark Rutte. "É um bom acordo para o mundo inteiro", disse no final.

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