Há cerca de um mês, Donald Trump anunciou que iria nomear o governador do Louisiana enviado especial dos Estados Unidos à Gronelândia, explicando que Jeff Landry “compreende a importância da Gronelândia para a nossa segurança nacional e defenderá firmemente os interesses do nosso país para a segurança, proteção e sobrevivência dos nossos aliados e, na verdade, do mundo”. “É uma honra servi-lo nesta posição voluntária para tornar a Gronelândia parte dos EUA”, escreveu Landry, de 55 anos, no X. Noutras duas publicações nesta rede social sobre o tema mencionou que esperava usar a “hospitalidade” e a “diplomacia culinária” para ajudar a adquirir a maior ilha do mundo.Mas desde então, enquanto o presidente dos Estados Unidos tem vindo a aumentar a sua retórica em relação ao território autónomo da Dinamarca, dizendo que irá tomar a ilha “de uma maneira, ou de outra”, insinuando a possibilidade de uma ação militar, o seu enviado especial parece ter adotado uma abordagem mais discreta, senão mesmo invisível, para cumprir a sua missão de ajudar a “tornar a Gronelândia parte dos EUA”, como havia dito, com o alcance do seu papel de enviado voluntário ainda a não ter sido esclarecido.Esta ausência de protagonismo - quando comparado com outros enviados especiais, como Steve Witkoff no Médio Oriente e Ucrânia - foi especialmente notada há duas semanas, quando o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio receberam em Washington os líderes da diplomacia da Dinamarca e da Gronelândia, naquele que foi o primeiro encontro para discutir a atual tensão desencadeada pelas pretensões de Donald Trump... e no qual não participou Jeff Landry.Um dia após esta reunião, o governador do Louisiana deu uma conferência de imprensa na qual explicou que não está interessado em encontros com diplomatas, preferindo interagir diretamente com os habitantes “comuns” da Gronelândia, não explicando o que já tinha feito nesse sentido. Mas anunciou que pretende visitar a ilha, nomeadamente em março, para a conhecida corrida anual de trenós puxados por cães - a mesma a que a mulher de JD Vance pretendia assistir na sua polémica visita à Gronelândia no ano passado, o que acabou por não acontecer devido a protestos. Landry deverá ter a mesma sorte, já que a associação que organiza a Avannaata Qimussersua anunciou entretanto ter revogado o convite para a sua participação no evento e iniciado uma investigação sobre a forma como foi convidado, referindo que o convite equivalia a uma “pressão política inaceitável” e era “totalmente inadequado”. À Fox News, Landry disse ter recebido o convite de “um gronelandês”.Na mesma entrevista, o governador do Louisiana explicou que tem trocado e-mails com gronelandeses que entraram em contacto com ele, contando que lhe dizem “que gostam de caçar, gostam de pescar, gostam de se divertir. Penso: vocês pertencem à Louisiana. Vou chamar-lhe diplomacia culinária”.Esta abordagem de Landry em relação à Gronelândia, pelo menos até agora, parece destoar da sua atuação na vida política, na qual é conhecido por causar atritos. Segundo a AP, nos seus oito anos como procurador-Geral do Louisiana, o republicano não se inibiu de usar as redes sociais para tornar públicas as suas divergências, sendo também conhecido por defender a proibição do aborto e a revogação dos direitos LGBTQ+ no estado. Desde que foi eleito governador, em 2023, tem empurrado o Louisiana ainda mais para a direita - assinou, por exemplo, uma lei que exige que os Dez Mandamentos sejam exibidos em todas as salas de aula das escolas e universidades públicas do estado -, sendo acusado pelos seus críticos de limitar a transparência e aprovar leis com pouca participação pública. Neste seu mandato, Landry já foi também notícia por ter convidado a Guarda Nacional para combater o crime no Louisiana e por ampliar os centros de detenção de imigrantes.A sua relação com Donald Trump começou em 2015, quando Landry o convidou para uma entrevista numa rádio local depois do anúncio da sua candidatura à Presidência dos EUA, e tem vindo a consolidar-se. Há três anos, foi a vez de Trump apoiar a candidatura de Landry a governador, com este, mais recentemente, a afirmar que esteve na lista de possíveis candidatos do presidente para procurador-geral. Um cargo que disse não querer, mas garantindo que pretendia implementar a agenda de Trump no Louisiana..Ataque de Trump à Gronelândia agrava incerteza e nível de alerta económico na Europa face aos EUA.Copenhaga pronta a dialogar com EUA sobre a Gronelândia, mas militares têm ordens para disparar