UE irá conceder empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia “de uma forma ou de outra”

Assinalam-se quatro anos da invasão russa da Ucrânia, com o presidente do Conselho Europeu e a líder da Comissão Europeia em Kiev. Marcelo espera que 2026 traga um "fim justo" a esta guerra.
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, a primeira-dama ucraniana Olena Zelenska, e o presidente da Ucrânia,Volodymyr Zelensky, o presidente da Finlândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro.ministro da Estónia participam numa cerimónia em Kiev
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, a primeira-dama ucraniana Olena Zelenska, e o presidente da Ucrânia,Volodymyr Zelensky, o presidente da Finlândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro.ministro da Estónia participam numa cerimónia em KievMARCIN OBARA/EPA

Israel assinala quatro anos de guerra com ajuda energética à Ucrânia

Israel anunciou hoje uma nova ajuda energética a Kiev, no dia em que se assinala o quarto ano desde a invasão russa em larga escala da Ucrânia.

"Enquanto o mundo comemora quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia, Israel solidariza-se com o povo ucraniano", frisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, confirmando a entrega de 117 centrais elétricas portáteis à região de Kiev.

O acordo foi finalizado durante uma chamada telefónica entre o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, e o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sibiga, que se focou nas "necessidades energéticas urgentes".

"Enquanto as comunidades continuam a enfrentar ataques a infraestruturas críticas, Israel continua empenhado em prestar assistência humanitária prática e vital no terreno", acrescentaram as autoridades israelitas.

Lusa

Guterres considera inaceitável "jogo de roleta" nas instalações nucleares

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou hoje que os combates em curso na Ucrânia representam riscos diretos para a segurança das operações das instalações nucleares ucranianas, pedindo o fim imediato deste "inaceitável jogo de roleta nuclear".

As declarações foram feitas perante o Conselho de Segurança da ONU pela subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, que discursou em nome de Guterres, que não conseguiu chegar a Nova Iorque devido à tempestade de neve que afeta parte dos Estados Unidos.

Guterres fez um balanço dos quatro anos de guerra na Ucrânia, lamentando as vidas destruídas, as comunidades devastadas e uma instabilidade regional e global aprofundada.

"O custo humano é catastrófico. Apesar dos esforços diplomáticos sem precedentes, o ano passado foi o mais mortífero para os civis ucranianos desde 2022. Mais de 15.000 civis foram mortos na Ucrânia desde o início da invasão e mais de 41.000 ficaram feridos", frisou.

"Milhões foram obrigados a fugir das suas casas. Milhões mais precisam de assistência para salvar as suas vidas. As violações dos direitos humanos são galopantes", criticou ainda.

Mas o líder da ONU lembrou que os combates em curso representam também riscos diretos para a segurança das operações das instalações nucleares da Ucrânia.

"Este inaceitável jogo de roleta nuclear deve cessar imediatamente", instou, felicitando a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e as suas equipas pelos esforços "cruciais" no terreno, apesar dos graves perigos envolvidos.

Na mesma linha, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, já tinha alertado hoje para a situação “muito precária” da segurança nuclear na Ucrânia, quatro anos após o início da invasão russa do país vizinho.

Segundo Grossi, para tal precariedade muito contribuiu o controlo de instalações nucleares como a central de Zaporijia, ocupada pelo Exército russo.

Lusa

Ministro da Defesa apresenta novo plano para quinto ano de guerra

O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, apresentou hoje o plano da Ucrânia para o quinto ano de guerra, centrado em melhorar a defesa aérea, travar avanços inimigos e privar a Rússia de recursos.

Segundo um comunicado do seu ministério, Fedorov – que tomou posse em janeiro deste ano - explicou que o novo plano para as Forças Armadas ucranianas, no quinto ano da guerra iniciada com a invasão russa, a 24 de fevereiro de 2022, responde à missão que lhes foi confiada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky: “Reforçar a defesa de maneira a obrigar o inimigo à paz”.

Tais esforços, que Kiev deve combinar com “a diplomacia”, segundo as diretivas de Zelensky, passam pelo encerramento do espaço aéreo à Rússia, porque “o país funciona” se o espaço aéreo ucraniano estiver seguro.

De acordo com o plano de Fedorov, o objetivo do Governo ucraniano é identificar 100% das ameaças aéreas e intercetar “no mínimo” 95% dos mísseis e drones russos.

Para esse fim, prevê-se “a criação de um sistema multicamadas” de defesas aéreas com sistemas intercetores, que ajudarão como contramedidas para deter, por exemplo, os drones Shahed, sistemas de tecnologia iraniana diariamente utilizados pelas forças russas.

O Ministério da Defesa ucraniano precisou que já ocorreram “mudanças de organização significativas” para desenvolver uma resposta sistemática a esses dispositivos utilizados nos bombardeamentos russos.

Para impedir os avanços russos na Ucrânia, seja por terra, mar ou no espaço cibernético, Fedorov pretende “melhorar o sistema de aquisições e completar a reforma da corporação militar, incluindo transformar o sistema de formação e a gestão de dados”.

Segundo a Defesa ucraniana, a ação das Forças Armadas permite manter a linha da frente contra a agressão russa, cujas forças estão a avançar na região leste de Donetsk a um custo estimado de 156 soldados russos mortos por quilómetro quadrado.

“O nosso objetivo é atingir mais de 200 ocupantes mortos por quilómetro quadrado”, indicou o ministério ucraniano.

“Esse é o nível de baixas a partir do qual o avanço se torna impossível”, acrescentou o ministério no comunicado, que também refere que Moscovo prossegue a sua ofensiva porque ainda dispõe de petróleo para financiar o esforço de guerra.

“A Ucrânia está a preparar uma estratégia para tornar o défice orçamental da Rússia o maior da história”, segundo o ministério de Fedorov, que apontará à “frota fantasma russa”, com a qual Moscovo negoceia hidrocarbonetos e contorna as sanções internacionais.

Para tal, o plano ucraniano inclui o reforço das sanções, a coordenação com parceiros internacionais, o desenvolvimento de uma estratégia de combate à frota clandestina e a realização de operações conjuntas com os parceiros no mar.

Lusa

Assembleia-Geral da ONU pede paz justa, apesar da abstenção dos EUA

A Assembleia-geral da ONU aprovou hoje uma resolução não vinculativa que pede uma paz justa e um cessar-fogo imediato e incondicional entre Rússia e Ucrânia, destacando-se a abstenção dos Estados Unidos.

Além de defender um cessar-fogo imediato, completo e incondicional, a resolução, apoiada por 107 países, reitera o apelo para uma paz abrangente, justa e duradoura, em conformidade com o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas.

Reitera ainda o apelo à troca completa de prisioneiros de guerra, à libertação de todas as pessoas detidas ilegalmente e ao regresso de todos os civis transferidos ou deportados à força "como um importante medida de fomento da confiança".

A resolução em causa, apresentada pela Ucrânia e patrocinada por dezenas de países, incluindo Portugal, obteve 107 votos a favor, 12 contra e 51 abstenções.

Lusa

Von der Leyen diz que UE irá conceder empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia “de uma forma ou de outra”

A presidente da Comissão Europeia garantiu hoje, em Kiev, que a União Europeia (UE) irá conceder, “de uma forma ou de outra”, o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, apesar do veto da Hungria.

“O empréstimo foi acordado pelos chefes de Estado e de Governo no Conselho Europeu. Deram a sua palavra. Essa palavra não pode ser quebrada. Por isso, cumpriremos o empréstimo de uma forma ou de outra. Permitam-me ser muito clara: temos diferentes opções e iremos utilizá-las”, afirmou Ursula von de Leyen, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev, onde se deslocou para assinalar o quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia.

Von der Leyen referiu-se igualmente ao 20.º pacote de sanções contra a Rússia, que ficou inviabilizado devido ao veto da Hungria e da Eslováquia, adiantando que “em breve” serão apresentadas novas medidas restritivas para “continuar a reduzir” as receitas de Moscovo e “enfraquecer a sua máquina de guerra”.

Questionada sobre a possibilidade de avançar com o pacote de sanções num formato reduzido, excluindo os países que o bloquearam, a líder do executivo comunitário respondeu que “as sanções devem ser adotadas por unanimidade” e que “isso não vai mudar, naturalmente”, embora tenha admitido a importância de que o pacote seja aprovado “o mais rapidamente possível”.

“Trabalhámos com êxito em 19 pacotes de sanções. Nenhum foi fácil. Tivemos de negociar cada pacote, mas, com a experiência de termos conseguido aprovar 19, estou convencida de que também iremos aprovar o vigésimo. É apenas uma questão de tempo, certamente”, acrescentou.

Na conferência de imprensa, ao lado de Zelensky, Von der Leyen instou o líder ucraniano a acelerar os trabalhos de reparação na Ucrânia do oleoduto Druzhba, danificado a 27 de janeiro num ataque russo e que abastece a Hungria e a Eslováquia, danos que serviram de argumento para o bloqueio de Budapeste e de Bratislava das medidas do bloco europeu.

“Pedimos que as reparações do oleoduto sejam aceleradas após os ataques russos”, disse Von der Leyen, após condenar os bombardeamentos e destacar que ameaçam a segurança energética da Europa.

A Hungria exige que a Ucrânia retome o trânsito de petróleo por esse oleoduto como condição para dar “luz verde” ao 20.º pacote de sanções europeias à Rússia e à emissão de dívida para financiar o crédito a Kiev aprovado pela UE em dezembro.

Também hoje, no dia em que se assinalam os quatro anos da invasão russa, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, assinou hoje formalmente o empréstimo à Ucrânia.

O financiamento, que tinha sido já aprovado pelos eurodeputados, inclui 60 mil milhões de euros para reforçar a defesa da Ucrânia e 30 mil milhões de euros para assistência macrofinanceira e apoio orçamental para garantir, nomeadamente, o funcionamento dos serviços públicos essenciais.

O pacote financeiro tem ainda de ser validado pelo Conselho da UE, tendo os ministros dos Negócios Estrangeiros falhado na segunda-feira um acordo sobre o tema, devido ao veto da Hungria e da Eslováquia.

Lusa

Coligação dos Dispostos reafirma "compromisso inabalável" para alcançar a paz na Ucrânia

Após uma reunião da Coligação dos Dispostos que aasinalou os quatros anos da invasão russa, os líderes do Reino Unido, França e Alemanha reafirmaram o "compromisso inabalável" para alcançar uma paz duradoura na Ucrânia.

Numa declaração conjunta, reforçaram que "as fronteiras internacionais não devem ser alteradas pela força".

"Os líderes saudaram os esforços contínuos [dos EUA] nas negociações de paz, que devem envolver todas as partes relevantes, quando os seus interesses estão em jogo", lê-se na nota divulgada, na qual instam a Rússia a "concordar com um cessar-fogo total e incondicional".

Os líderes do Reino Unido, França e Alemanha consideraram que a Coligação dos Dispostos deve desempenhar um papel nas "garantias de segurança em vários níveis", que incluem uma "força multinacional para a Ucrânia", com o apoio dos EUA.

Putin acusa a Ucrânia de sabotar processo de paz

Na reunião anual do conselho do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, na sigla original), o presidente russo afirmou que a Ucrânia está a sabotar o processo de paz.

Vladimir Putin acusou os serviços secretos ucranianos de serem os responsáveis por aquilo que denominou de "ataques terroristas", incluindo ameaças a vários oleodutos, tendo apelado à um reforço na "luta contra o terrorismo".

Para o líder russo, citado pela imprensa internacional, Kiev apostou no "terrorismo" porque não conseguiu "derrotar a Rússia no campo de batalha".

Putin considerou ainda ser fundamental reforçar a defesa das infraestruturas energéticas do país.

Rússia acusa Reino Unido e França de quererem fornecer à Ucrânia "arma nuclear" 

No dia em que assinalam os quatro anos da invasão russa da Ucrânia, o serviço de informações estrangeiras da Rússia (SVR) acusou o Reino Unido e a França de estarem a "trabalhar ativamente" para fornecer uma "arma nuclear ou pelo menos uma bomba suja" a Kiev para favorecer a posição do país liderado por Volodymyr Zelensky nas negociações de paz.

Sem apresentar provas, o SVR, citado pela imprensa internacional, considerou que “as elites britânicas e francesas não estão preparadas para aceitar a derrota". "Estes planos extremamente perigosos de Londres e Paris demonstram que perderam completamente o contacto com a realidade", indicou o serviço de informações russo.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela Sky News, afirmou que os alegados planos dos dois países são "extremamente perigosos" e representam "uma violação flagrante de todas as normas e princípios das leis internacionais".

Aguiar-Branco diz que "a guerra da Ucrânia não é um assunto distante". "Tem tudo a ver connosco"

O presidente da Assembleia da República,  José Pedro Aguiar-Branco, afirmou que, após quatro anos da invasão russa da Ucrânia, Portugal continua, "sem hesitações", "ao lado do povo ucraniano, em defesa da paz e do direito internacional".

Lembrou 24 de fevereiro de 2022 como um "dia triste, que nos recorda que a paz, a democracia e a liberdade nunca podem swr dadas como adquiridas".

"A guerra na Ucrânia não é um assunto distante. Tem tudo a ver connosco, com a Europa e com os nossos valores partilhados", afirmou. "Quatro anos depois da invasão, não esquecemos", assegurou numa mensagem divulgada nas redes sociais do Parlamento.

Portugal ainda importa 5% de GNL russo mas quer acabar com contrato assim que puder

Portugal ainda importa 5% de gás natural liquefeito (GNL) russo através do porto de Sines, apesar do compromisso assumido pela União Europeia (UE) de eliminar tal dependência, prometendo atuar assim que tiver “possibilidade legal”, disse hoje o Governo.

“Há uma única empresa que tem um contrato de longo prazo, é uma empresa espanhola, mas que importa através de Sines, que é a Naturgy, que tem um contrato de longo prazo de importação de gás russo. Significa muito pouco em termos de percentagem para o país, significa cerca de 5%”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho.

Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas, depois de se ter reunido com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma transição limpa, justa e competitiva, Teresa Ribera, a governante portuguesa admitiu que, até a UE “ter um forte enquadramento legislativo europeu”, Portugal “não pode atuar em relação a essa empresa […] por questões contratuais”.

A União Europeia aprovou o fim das importações de gás russo (gasoduto e GNL) com prazos finais em 2027.

O acordo, fechado no final do ano passado, estabelece o fim do GNL para 1 de janeiro de 2027 e o gás por gasoduto para 30 de setembro de 2027, visando que a UE deixe de depender da energia russa dada a ofensiva na Ucrânia.

Porém, “há algumas exceções e nós temos que ver se este contrato não está nessas exceções”, explicou Maria da Graça Carvalho.

Ainda assim, no dia em que se assinala o quarto ano da guerra da Ucrânia, a ministra garantiu: “Isto tem de ser muito bem analisado porque é um contrato válido […], mas estamos a seguir o assunto e, assim que possível, e que nos seja dada a possibilidade sólida legal de atuar, iremos atuar”.

Portugal é um dos Estados-membros da UE que terão de encontrar alternativas às importações de gás russo, dado que o país ainda importa GNL da Rússia, embora em proporções relativamente pequenas.

Em 2024, Portugal importou cerca de 49.141 GWh (gigawatt-hora) de gás natural, dos quais aproximadamente 96% eram GNL. Do total do GNL, cerca de 4,4% teve origem na Rússia.

Além disso, a quota russa nas importações de GNL em Portugal caiu de cerca de 15% em 2021 para 5% em 2024.

Lusa

Kremlin diz que apoio do Ocidente à Ucrânia fez com que conflito se tornasse num confronto mais alargado 

O porta-voz do Kremlin considerou que o apoio do Ocidente à Ucrânia transformou a "operação militar especial", como o presidente russo designa, num conflito mais alargado.

"Após a intervenção direta neste conflito por parte dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, a operação militar especial transformou-se, de facto, num confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que tinham e continuam a ter o objetivo de destruir o nosso país", disse Dmitry Peskov, no dia em que se assina os quatro anos da invasão russa.

Em conferência de imprensa, o porta-voz da presidência russa afirmou que Moscovo continua com os "esforços para alcançar a paz". "A nossa posição é muito clara e consistente. Agora tudo depende das ações do regime de Kiev", acrescentou Peskov, sem se comprometer sobre quando e onde irá realizar-se a próxima ronda de negociações com representantes ucranianos. "Esperamos sinceramente que este trabalho continue", disse.

Peskov afirmou também que os objetivos da Rússia na Ucrânia não foram totalmente alcançados, e é por essa razão que a "operação militar especial" vai continuar.

Reino Unido anuncia quase 300 novas sanções contra Rússia e mais ajuda financeira a Kiev

O Governo britânico anunciou hoje quase 300 novas sanções contra a Rússia e mais ajuda financeira, num esforço para intensificar a pressão sobre o regime de Vladimir Putin, que iniciou a guerra há quatro anos.

As medidas visam o setor energético russo, bem como redes internacionais de comércio ilícito de crude e empresas fornecedoras de equipamentos militares ao exército russo, nomeadamente a empresa PJSC Transneft, responsável pelo transporte de mais de 80% das exportações de petróleo. 

O Reino Unido sancionou também 48 navios petroleiros e 175 empresas ligadas à rede "2Rivers", uma das maiores operadoras da chamada "frota sombra" de Moscovo.

Segundo Londres, estas novas restrições enquadram-se num esforço coordenado com aliados internacionais e já privaram o Kremlin de mais de 450 mil milhões de dólares (382 mil milhões de euros) desde o início da guerra, o equivalente a dois anos de financiamento do esforço militar russo. 

As receitas petrolíferas russas estão agora no nível mais baixo desde 2020. Com estas medidas, o número total de pessoas, empresas e embarcações sancionadas pelo Reino Unido ao abrigo do regime de sanções contra a Rússia ultrapassa agora as três mil.

"O Reino Unido tomou hoje medidas decisivas para dificultar os fluxos financeiros e as cadeias de abastecimento que alimentam a agressão russa", afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, que prometeu que o Reino Unido vai "continuar ao lado do povo ucraniano até alcançar uma paz justa e duradoura".

O pacote anunciado inclui ainda sanções contra nove bancos russos, três empresas do setor da energia nuclear e seis operadores de gás natural liquefeito, entre os quais os terminais de Portovaya e Vysotsk.

O anúncio do pacote foi feito para coincidir com a visita de Cooper a Kiev no quarto aniversário da invasão militar russa, onde revelou igualmente um novo apoio de 30 milhões de libras (cerca de 34 milhões de euros) de apoio militar, humanitário e à reconstrução

Desde 2022, o apoio britânico total à Ucrânia ascende a 21,8 mil milhões de libras (25 mil milhões de euros).

A nova ajuda militar e humanitária corresponde a 20 milhões de libras (23 milhões de euros) para reparações de infraestruturas energéticas, 5,7 milhões de libras (6,5 milhões de euros) para assistência humanitária a civis nas zonas de combate, o restante vai financiar programas de mentoria médica e treino de pilotos de helicóptero ucranianos no Reino Unido.

Em Londres, o ministro da Defesa, John Healey, destacou que "a determinação do Reino Unido é mais forte do que nunca" e que 2026 deve ser "o ano em que esta guerra brutal vai chegar ao fim".

O primeiro-ministro Keir Starmer, que lidera hoje uma reunião da chamada "Coligação da Boa Vontade", formada por aliados de Kiev, com o presidente francês Emmanuel Macron, sublinhou que "a segurança do Reino Unido começa na Ucrânia" e garantiu que o país "apoiará Kiev durante o tempo que for necessário".

Lusa

Zelensky desafia União Europeia a definir uma "data clara" para a adesão da Ucrânia

Durante o discurso no Parlamento Europeu, por videoconferência, Volodymyr Zelensky desafiou a União Europeia (UE) a definir uma data clara para a adesão da Ucrânia ao bloco comunitário.

"É importante para nós recebermos uma data clara para a adesão à UE", disse o presidente ucraniano. "Se não existir essa garantia, (o presidente russo, Vladimir Putin), encontrará uma forma de bloquear a Ucrânia durante décadas, dividindo-a e dividindo a Europa", argumentou Zelensky.

O chefe de Estado ucraniano agradeceu à UE pela "posição firme" contra a "agressão russa" durante "todos esses anos" e reforçou a importância da aplicação de sanções contra Moscovo e das garantias de segurança.

A Ucrânia "nunca escolheu esta guerra", disse Zelensky, referindo que o seu país tentou "tudo" para a impedir.

Avanços russos do 4.º ano ultrapassaram os dos 24 meses anteriores

A Rússia conquistou mais território na Ucrânia durante o quarto ano do conflito do que nos 24 meses anteriores, avançou hoje a AFP com base em dados do Instituto para os Estudos da Guerra (ISW).

Desde o terceiro aniversário do início da ofensiva russa, a 24 de fevereiro de 2025, as tropas russas avançaram 4524 quilómetros quadrados (km²), mais do que no segundo e terceiro anos da guerra juntos.

A isto junta-se 731 quilómetros quadrados reivindicados pela Rússia, mas não confirmados pelo ISW, que trabalha em conjunto com o Critical Threats Project (parte do American Enterprise Institute), outro centro de análises norte-americano especializado no estudo de conflitos.

O segundo ano do conflito, até fevereiro de 2024, terminou com uma situação relativamente estável, enquanto o ano seguinte registou a conquista de 4143 quilómetros quadrados (mais 347 reclamados, mas não confirmados).

Dos 4524 km² conquistados durante o quarto ano do conflito, 2701 km² correspondem a territórios totalmente sob controlo de Moscovo.

Os restantes 1823 km² são territórios onde o exército russo avançou, mas sem conseguir controlo total.

Estas conquistas territoriais representam 0,8% do território da Ucrânia.

Moscovo ocupa, no total, um pouco mais de 19%, a maior parte dos quais foi adquirida durante as primeiras semanas do conflito.

Aproximadamente 7%, incluindo a Crimeia e áreas de Donbass, já estavam sob controlo russo ou de separatistas pró-Rússia antes da invasão de fevereiro de 2022.

O quarto ano do conflito foi marcado por rondas de negociações entre as partes beligerantes e os Estados Unidos, com o presidente norte-americano, Donald Trump, a pressionar para uma resolução diplomática.

Principal conquista da Rússia nos últimos 12 meses foi Pokrovsk

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, indicou que as posições russa e ucraniana “ainda diferem”, após a última ronda de negociações em Genebra, realizada na quarta-feira passada.

Na linha da frente, a principal conquista da Rússia nos últimos 12 meses foi Pokrovsk, um importante centro logístico no leste do país.

Depois de cercar a cidade durante mais de um ano, o exército russo reivindicou a sua captura a 1 de dezembro.

Foi nesta parte da linha da frente, na região de Donetsk, que o exército russo realizou a maior parte dos seus avanços, totalizando 2787 km², dos quais 2020 km² foram totalmente conquistados.

Em alguns troços, os soldados russos chegaram até às fronteiras da região de Donetsk, e as suas operações estenderam-se às regiões vizinhas de Zaporijia e Dnipropetrovsk.

O exército russo entrou em Dnipropetrovsk em junho de 2025 pela primeira vez desde o início do conflito e as suas operações abrangem agora pelo menos 230 km².

A guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa de 24 de fevereiro de 2022 e que se tornou o conflito mais sangrento em solo europeu desde a II Guerra Mundial, entra hoje no seu quinto ano.

Quase 15.000 civis foram mortos em território ucraniano, mas número real é “provavelmente muito maior”

Após anos de combates e bombardeamentos mortíferos, o número de vítimas continua incerto.

De acordo com a última contagem da ONU, em 2025, quase 15.000 civis foram mortos e 40.600 ficaram feridos em território ucraniano, mas o número real de vítimas é “provavelmente muito maior”, principalmente devido à dificuldade de acesso às áreas ocupadas.

Os ataques lançados em resposta pela Ucrânia contra as regiões fronteiriças russas resultaram em centenas de mortes, segundo as estimativas.

Na frente militar, Zelensky reconheceu, no início deste mês, a morte de 55.000 soldados ucranianos desde 2022, um número considerado subestimado devido às dezenas de milhares de desaparecidos.

O exército russo mantém o silêncio sobre as suas perdas, mas, de acordo com o serviço russo da BBC e o órgão de comunicação social russo Mediazona, que citam dados de fontes abertas, sofreu mais de 177 mil mortes.

Lusa

"Ucrânia precisa de munições até que o derramamento de sangue" termine, afirma o secretário-geral da NATO

"É imperativo que a Ucrânia continue a receber a ajuda militar, financeira e humanitária de que necessita", para que "se possa defender do terror russo vindo dos céus e manter as suas linhas da frente", afirmou o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, durante uma cerimónia na sede da Aliança Atlântica, onde foram assinalados os quatro anos da invasão russa.

Para Mark Rutte, "a Ucrânia precisa de munições hoje e todos os dias até que o derramamento de sangue" termine.

O presidente russo, Vladimir Putin, "precisa de mostrar se está a falar a sério sobre a paz", considerou o líder da NATO, referindo que "o povo ucraniano merece uma paz justa e duradoura".

"Não pode haver verdadeira paz na Europa sem verdadeira paz na Ucrânia", destacou.

Costa diz que a Rússia tem de "concordar com um cessar-fogo imediato e envolver-se em negociações de paz significativas"

Em Kiev para assinalar os quatro anos da invasão russa da Ucrânia, o presidente do Concelho Europeu, António Costa defende que a Rússia tem de "concordar com um cessar-fogo imediato e envolver-se em negociações de paz significativas".

Para António Costa, hoje é um dia para recordar "as vidas perdidas - os soldados, os civis, as crianças", as "comunidades destruídas, as casas arrasadas e as crianças arrancadas às suas famílias".

"Queremos pôr fim à guerra de agressão da Rússia. Não queremos mais vidas perdidas", declara Costa numa mensagem publicada nas redes sociais.

Macron: Invasão da Ucrânia é um "triplo fracasso para a Rússia" ao nível "militar, económico e estratégico"

Para o presidente francês, a invasão da Ucrânia é um "triplo fracasso para a Rússia" ao nível "militar, económico e estratégico". Numa longa mensagem divulgada nas redes sociais, Emmanuel Macron referiu-se a "quatro anos de uma guerra de agressão", num "flagrante desafio ao direito internacional, à soberania de um povo e à vida humana".

São quatro anos "de cidades atingidas, escolas e hospitais destruídos, infraestruturas energéticas metodicamente visadas para mergulhar as famílias no frio e no terror", com "15.000 civis ucranianos mortos" e "milhares de crianças ucranianas arrancadas à sua terra e às suas famílias".

"E, no entanto, durante quatro anos, a Ucrânia manteve-se firme e resistiu", assinala Macron, indicando que "mais de 1,2 milhões de soldados russos foram feridos ou mortos - o maior número de baixas russas em combate desde a Segunda Guerra Mundial".

E promete: "Para aqueles que pensam que podem contar com o nosso cansaço: estão enganados. Estamos, e vamos manter-nos, ao lado da Ucrânia".

No que se refere à assistência financeira, militar, humanitária e energética, Macron diz que "a Europa já mobilizou 170 mil milhões de euros".

Recorda que, em dezembro, no Conselho Europeu, foi acordado "um empréstimo de 90 mil milhões de euros para fornecer à Ucrânia um financiamento previsível nos próximos dois anos". "Não há justificação para questionar este acordo. Devemos agora cumpri-lo", defende Macron.

Marcelo espera que 2026 traga "um fim justo" à guerra. "Portugal permanecerá, sempre, ao lado da Ucrânia e dos ucranianos"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o povo ucraniano "resiste com coragem admirável, há quatro anos, a uma agressão ilegal e de enorme brutalidade pela Federação Russa".

"Apesar do efeito devastador dos ataques crescentemente violentos da Rússia, os ucranianos entram no quinto ano da guerra com uma determinação cada vez mais forte, provando que a resiliência da Ucrânia nunca deveria ter sido subestimada", refere a nota publicada no site da Presidência da República.

Marcelo Rebelo de Sousa afirma que "no quadro da União Europeia, o apoio político, militar, humanitário e financeiro de Portugal à Ucrânia mantém-se inabalável".

"Com os nossos parceiros europeus e internacionais, continuaremos a prestar a assistência pelo tempo que for necessário, para que a Ucrânia seja forte e resiliente contra agressões. Continuaremos, do mesmo modo, a respaldar a adesão da Ucrânia à União Europeia e o caminho até à adesão", destaca.

Para o chefe de Estado português, "os ucranianos e ucranianas merecem uma paz justa e duradoura, que respeite a independência, a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, mas também que garanta a sua segurança a longo prazo, incluindo a capacidade de defesa".

"Continuaremos a apoiar os esforços internacionais fazendo pressão sobre a Rússia para que cesse a agressão e se comprometa com um processo negocial que conduza a acordo de paz, baseado no direito internacional e na Carta das Nações Unidas", lê-se na nota.

"Esperamos que 2026 traga um fim justo a esta guerra. Portugal permanecerá, sempre, ao lado da Ucrânia e dos ucranianos", diz Marcelo Rebelo de Sousa.

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Guerra na Ucrânia. Quatro anos e mais quanto tempo?

Portugal ao lado de Kiev espera acordo de paz este ano, diz Rangel. “São quatro anos de sofrimento para todo o povo da Ucrânia"

Portugal está ao lado da Ucrânia e espera que este ano seja possível alcançar um acordo para cessar a guerra, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, ao assinalar os quatro anos da invasão do país pela Rússia.

“São quatro anos de sofrimento para todo o povo da Ucrânia, os seus militares, mas também para imensos alvos civis”, disse Paulo Rangel, numa mensagem publicada nas redes sociais, na qual destaca que o grau de destruição causado pela guerra é enorme.

“A violação do direito internacional, da soberania, da integridade territorial e da Carta das Nações Unidas, de valores em que todos acreditamos é verdadeiramente dramática”, sublinhou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, considerando que a invasão russa da Ucrânia, em larga escala, criou “uma nova etapa na vida internacional”.

Paulo Rangel lembrou que Portugal tem uma grande comunidade ucraniana e que tem estado ao lado do país, com apoio humanitário, financeiro e militar.

“Acreditamos no futuro europeu da Ucrânia”, reafirmou o titular dos Negócios Estrangeiros, acrescentando: “Celebramos estes quatro anos com tristeza, com preocupação, mas também acreditando que, em 2026, seja possível um acordo de paz, sustentável, duradouro, justo”.

A Rússia anexou a Península da Crimeia, em 2014, e lançou uma ofensiva de grande escala contra todo o território ucraniano em fevereiro de 2022.

Lusa

O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, a primeira-dama ucraniana Olena Zelenska, e o presidente da Ucrânia,Volodymyr Zelensky, o presidente da Finlândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro.ministro da Estónia participam numa cerimónia em Kiev
Orbán fura plano de empréstimo à Ucrânia e veta sanções contra a Rússia

Zelensky: "Putin não alcançou os seus objetivos. Não quebrou o povo ucraniano. Não ganhou esta guerra"

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que o líder da Rússia Vladimir Putin não alcançou os objetivos de guerra na Ucrânia, quatro anos após a invasão russa do país.

"Putin não alcançou os seus objetivos. Não quebrou o povo ucraniano. Não ganhou esta guerra", disse Zelensky, numa mensagem vídeo, gravada no 'bunker' do gabinete presidencial ucraniano.

"Preservámos a Ucrânia e tudo faremos para alcançar a paz e para que a justiça seja feita. Queremos paz, uma paz forte, digna e duradoura", acrescentou o chefe de Estado.

O líder recordou uma conversa telefónica que teve, em 24 de fevereiro de 2022, com o então presidente dos EUA, Joe Biden, na qual lhe disse que não fugiria da Ucrânia e que precisava de armas.

"Falei com o Presidente Biden aqui, e também o ouvi dizer: 'Volodymyr, há perigo, precisas de sair da Ucrânia urgentemente. Estamos prontos para te ajudar com isso'. E eu respondi que precisava de armas, não de um táxi", disse Zelensky.

Lusa

Von der leyen e Costa chegam a Kiev para assinalar "quatro anos de coragem inabalável"

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, chegaram hoje a Kiev para assinalar a coragem ucraniana e o apoio da UE ao país quatro anos após a invasão russa.

“Quatro anos de uma guerra de agressão injusta, quatro anos de coragem ucraniana inabalável, quatro anos de apoio europeu incondicional. Uma determinação comum: garantir uma paz justa e duradoura na Ucrânia. É por isso que estamos hoje aqui em Kiev”, escreveu António Costa, numa publicação na rede social X na sua chegada à capital ucraniana.

Ursula von der Leyen apontou no X que está em Kiev “pela décima vez desde o início da guerra” da Ucrânia causada pela invasão russa em 24 de fevereiro de 2022 “para reafirmar que a Europa está firmemente ao lado da Ucrânia, financeiramente, militarmente e durante este inverno rigoroso” e “para sublinhar o compromisso duradouro com a luta justa da Ucrânia”.

A líder do executivo comunitário adiantou querer ainda "enviar uma mensagem clara ao povo ucraniano e ao agressor", de que a União Europeia não desistirá "até que a paz seja restaurada", mas uma "paz nos termos da Ucrânia".

Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia deslocam-se hoje a Kiev para assinalar o quarto aniversário da guerra na Ucrânia, enquanto o Parlamento Europeu organiza uma sessão plenária extraordinária em Bruxelas.

Através do X, a presidente da assembleia europeia, Roberta Metsola, recordou: “Quatro anos de coragem inquebrantável, quatro anos de ucranianos mantendo-se firmes sob imensa pressão, quatro anos de uma nação que se recusa a ceder, quatro anos de Europa firme no seu apoio”.

"A história lembrará a valentia e a solidariedade daqueles que se mantiveram ao lado deles", adiantou Roberta Metsola, que irá presidir a uma sessão plenária extraordinária para assinalar o quarto aniversário da guerra.

Lusa

Invasão russa dura há quatro anos 

Bom dia,

Acompanhe aqui os principais desenvolvimentos sobre a guerra na Ucrânia no dia em que se assinala os quatro anos da invasão russa.

A 24 de fevereiro de 2022, Moscovo lançou uma operação militar em grande escala contra o território ucraniano. "Desnazificar" e "desmilitarizar” o país vizinho foram alguns dos argumentos do presidente russo, Vladimir Putin, para justificar o que considerou ser uma "operação militar especial".

O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, a primeira-dama ucraniana Olena Zelenska, e o presidente da Ucrânia,Volodymyr Zelensky, o presidente da Finlândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro.ministro da Estónia participam numa cerimónia em Kiev
A operação russa de quatro dias leva quatro anos, e sem fim à vista
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