Colapso da rede elétrica de Cuba provoca apagão total e deixa 10 milhões sem eletricidade
EPA/ERNESTO MASTRASCUSA

Colapso da rede elétrica de Cuba provoca apagão total e deixa 10 milhões sem eletricidade

País enfrenta uma profunda crise económica e energética e uma grave escassez de combustível, na sequência da falta de petróleo após o fim das remessas da Venezuela.
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A crise energética em Cuba agravou-se esta segunda-feira, 16 de março, com o colapso da rede elétrica, conforme anunciou a empresa responsável pela gestão da eletricidade no país, tendo provocado um apagão total.

Cerca de 10 milhões de pessoas ficaram sem eletricidade, de acordo com a Reuters, num país que enfrenta uma profunda crise económica e escassez de combustível, o que tem originado apagões que chegam a durar 10 horas. As falhas de eletricidade originaram, aliás, este fim de semana um raro protesto no país há mais de 60 anos regido pelo Partido Comunista.

"Ocorreu uma interrupção total de energia no Sistema Elétrico Nacional. Os protocolos de restabelecimento estão a ser implementados", informou a Unión Eléctrica de Cuba.

Trata-se do sexto apagão que o país enfrenta, em cerca de ano e meio, ao mesmo tempo que lida com o bloqueio energético após o fim das remessas oriundas da Venezuela - terminadas depois da captura do presidente Nicolás Maduro pela administração Trump - e pela falta de fundos para adquirir crude noutros mercados, o que tem provocado uma grave escassez de combustível.

Também uma forte pressão económica dos EUA, com Donald Trump a ameaçar impor tarifas aos países que decidam enviar petróleo para a ilha das Caraíbas, tem agravado a situação.

Em janeiro, o presidente norte-americano exortou Cuba a "aceitar um acordo", antes que fosse "tarde demais". "Não haverá mais petróleo ou dinheiro para Cuba - zero!", escreveu Donald Trump na sua rede social Truth Social no início do ano.

Anunciado início de negociações com os EUA

Com o país sem receber há três meses carregamentos de petróleo, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel anunciou na passada sexta-feira (13 de março), o início de negociações com a administração de Trump bem como a libertação de 51 presos. Há a esperança que alguns presos políticos estejam entre este conjunto de detidos, mas não são conhecidas as suas identidades.

"As conversações tiveram como objetivo encontrar soluções, através do diálogo, para as diferenças que existem entre as duas nações", disse Miguel Díaz-Canel.

De recordar que o presidente norte-americano admitiu uma "tomada de controlo pacífica de Cuba", que vive em grandes dificuldades. "Não têm dinheiro, não têm nada neste momento, mas estão a dialogar connosco e talvez venhamos a assistir a uma tomada de controlo pacífica de Cuba", disse Trump no passado mês de fevereiro.

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