O presidente cubano Miguel Díaz-Canel anunciou esta sexta-feira, 13 de março, que iniciou negociações com o governo dos EUA, na sequência da grave crise económica e energética que se vive no país e a crescente pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o regime comunista. E num gesto de "boa vontade" anunciou a libertação de 51 presos.Este ato, declarado como sendo em homenagem "do Vaticano" -- que estará a atuar como mediador das conversações, segundo os media internacionais -- deverá efetivar-se nos próximos dias, mas ainda não tem data definida.A identidade dos reclusos não foi revelada, tendo no entanto o governo cubano revelado que todos os presos já cumpriram "parte significativa" das penas e que a medida coincide com a proximidade das celebrações da Semana Santa.Organizações de direitos humanos, como a Justicia11J e a Amnistia Internacional, reagiram com cautela, questionando se entre os libertados constam presos políticos, nomeadamente detidos nos protestos de julho de 2021. Estima-se que existam atualmente mais de 700 presos políticos na ilha.Do lado cubano, o regime -- pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros -- fez questão de dizer que se trata de uma "decisão soberana".Conversações com os EUA admitidas em vídeoQuanto às conversações com a administração de Donald Trump, o presidente Díaz-Canel gravou um vídeo que difundiu na televisão estatal de Cuba: "As conversações tiveram como objetivo encontrar soluções, através do diálogo, para as diferenças que existem entre as duas nações", disse.Este país das Caraíbas tem registado longos apagões que chegam a durar dez horas e tem sofrido ainda com uma escassez de combustíveis devido ao bloqueio de petróleo que o país passou a sofrer após ter ficado sem as remessas oriundas da Venezuela, o seu principal fornecedor, resultado da deposição do presidente Nicolás Maduro por ação militar dos EUA ordenada por Trump.Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos disse várias vezes que Cuba se encontra à beira do colapso, garantindo que o seu governo está ansiosa para alcançar um acordo com os norte-americanos, assumindo mesmo que poderia tomar a ilha de forma "amigável", embora tenha admitido que poderia não ser amigável.Miguel Díaz-Canel assegurou, no entanto, que essas negociações têm de ser conduzidas "com base na igualdade e no respeito pelos sistemas políticos de ambos os estados, bem como pela soberania e autodeterminação dos dois governos".O presidente cubano acrescentou que há três meses não entra combustível em Cuba o que tem provocado a escassez nas reservas. Díaz-Canel afirma que é esta situação que faz com que a rede elétrica de Cuba seja cada vez mais "instável". Isto apesar de os apagões de vários dias na ilha sejam uma realidade sentida pela população há pelo menos cinco anos, devido, também, a infraestruturas obsoletas e incapacidade técnica humana de manutenção dada a fuga de técnicos qualificados do país.Em julho de 2021, a falta de eletricidade, além de bens básicos, foi um dos principais rastilhos para os maiores protestos de rua em décadas, que levaram à maior vaga de detenções em Cuba das últimas décadas -- organizações humanitárias independentes registaram mais de 1500 detidos, dos quais centenas permanecem, ainda, na prisão com penas severas..Trump garante que Governo de Cuba “vai cair muito em breve”.“Cuba tem outra estrutura, tem outra tradição. Não ficará um Estado falhado como o Haiti”