Manifestação em Cuba contra apagões e falta de alimentos resulta em ataque a escritório do Partido Comunista
Um escritório do Partido Comunista cubano foi atacado na madrugada deste sábado, 14 de março, por um grupo de pessoas que se manifestava em Morón, no norte de Cuba, contra o agravamento dos apagões e a falta de alimentos.
O protesto começou de forma pacífica na noite de sexta-feira, mas a violência acabou por escalar na madrugada deste sábado, avançou o Invasor, jornal do Estado de Cuba.
Há vídeos nas redes sociais que mostram um grande incêndio e pessoas a atirar pedras das janelas de um prédio, enquanto se ouve gritar "liberdade". Não foi possível verificar a autenticidade das imagens.
“O que inicialmente começou de forma pacífica transformou-se em atos de vandalismo contra a sede do Comité Municipal do Partido, após uma troca de palavras com as autoridades locais”, noticiou o Invasor.
Esta semana, pequenos grupos de moradores de Havana têm batido em panelas em protesto contra os prolongados apagões. Segunda-feira, realizou-se um protesto pacífico de estudantes nas escadarias da Universidade de Havana, depois do Governo suspender as aulas presenciais. A falta de combustível reduziu drasticamente o transporte público, dificultando a mobilidade da população.
Desde que, em janeiro, os EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro, importante apoiante de Cuba, Donald Trump tem intensificado a pressão sobre este país das Caraíbas.
Trump suspendeu o envio de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda esta fonte de energia ao país, o que aumentou a pressão sobre uma economia já debilitada. Cuba enfrenta escassez de alimentos, combustível, eletricidade e medicamentos.
Donald Trump disse recentemente que Cuba está à beira do colapso e ansiosa para fechar um acordo com os Estados Unidos. Sexta-feira, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o seu governo estava em conversações com Washington para tentar amenizar a crise. Foi a primeira vez que Havana reconheceu publicamente os encontros.
Os protestos públicos, especialmente os violentos, são raros em Cuba.
A cidade de Moron foi também palco de importantes protestos durante os distúrbios antigovernamentais de 11 de julho de 2021, os maiores desde a revolução de Fidel Castro em 1959.

