A proposta do presidente russo, Vladimir Putin, de declarar um cessar-fogo na Ucrânia a 9 de maio será implementada independentemente da reação de Kiev, anunciou esta quinta-feira, 30 de abril, o Kremlin. "É uma decisão do chefe de Estado russo e será implementada", disse o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, citado pelos meios de comunicação locais. Peskov sublinhou que Moscovo ainda não tem conhecimento da reação de Kiev à proposta de Putin, discutida quarta-feira numa conversa telefónica entre os líderes da Rússia e dos Estados Unidos. A 9 de maio, a Rússia celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945, habitualmente com um grande desfile militar em Moscovo. Desde 2023, a Ucrânia celebra a 8 de maio a vitória na Segunda Guerra Mundial, como os países ocidentais. Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já acordaram duas tréguas breves semelhantes em 2025. Zelensky insiste num cessar-fogo de pelo menos 30 dias, o que Moscovo rejeita. .Zelensky quer saber junto da Casa Branca "detalhes" de possível trégua. Esta quinta-feira, o presidente ucraniano instruiu o seu gabinete a contactar a Casa Branca para "esclarecer os detalhes" de uma possível trégua. "Vamos esclarecer exatamente o que isso implica, [se são] algumas horas [de trégua] para um desfile em Moscovo ou algo mais", disse Zelensky, que deixou claro que não foi informado pelo lado norte-americano sobre a proposta. A presidência russa indicou que o Presidente norte-americano, com quem Vladimir Putin discutiu a trégua na quarta-feira, apoiou a iniciativa. Na conversa com Trump, Putin afirmou estar pronto "para decretar um cessar-fogo durante o período das celebrações do Dia da Vitória", declarou à comunicação social o conselheiro diplomático, Iuri Ushakov. "Trump apoiou ativamente esta iniciativa, referindo que esse feriado assinala a nossa vitória partilhada", acrescentou Ushakov. O presidente dos Estados Unidos disse ter tido uma conversa "muito boa" com o homólogo russo, indicando que nela defendeu um cessar-fogo na Ucrânia. De acordo com o chefe de Estado norte-americano, a conversa centrou-se sobretudo na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, ao passo que o Kremlin declarou que os dois líderes "deram especial atenção à situação no Irão e no Golfo Pérsico". A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente. No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental)..Putin propõe cessar-fogo temporário na Ucrânia em conversa telefónica com Trump