Jordan Bardella alvo de polémica em França
Jordan Bardella alvo de polémica em FrançaEPA/CHRISTOPHE PETIT TESSON

Bardella sob ataque por alegações de antissemitismo e acusa imprensa de "guerra total"

Polémica origina de uma reportagem do órgão Mediapart, que divulgou conversas datadas de quando o presidente do Reagrupamento Nacional tinha 18 anos
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Jordan Bardella, presidente do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional, está a ser alvo de críticas por alegadas mensagens de cariz antissemita, divulgadas na segunda-feira pelo órgão de comunicação social francês Mediapart. Em resposta, Bardella, com o apoio de Marine Le Pen, virou-se contra a imprensa, que diz ter declarado "guerra total" contra si.

A polémica estourou na passada segunda-feira, 28, quando o órgão independente publicou uma reportagem a acusar Bardella de antissemitismo, baseando-se em "dezenas de conversas escritas" do político que tinham data de começo em 2013, ano em que cumpriu 18 anos.

Numa das mensagens, Bardella escreveu que "todos os bancos são propriedade de judeus" e que "o judeu deve dominar os outros povos, esmagá-los e roubá-los".

"Um sionista é necessariamente judeu, e até ao âmago", continuou, apontando Bernard-Henri Lévy e o economista Jacques Attali como "dois belos exemplos". "E é isso que eles querem: uma nova ordem mundial dominada por Israel, com Jerusalém, claro, como capital", acrescentou.

O político também terá demonstrado, na adolescência, um fascínio pelo ideólogo antissemita Alain Soral, de acordo com um antigo militante do Reagrupamento Nacional, que descreveu uma certa "idolatria" de Bardella a Soral, hoje exilado na Rússia.

Estas ligações vieram acordar velhos fantasmas no partido, fundado como Frente Nacional por Jean-Marie Le Pen, pai da atual candidata a Presidente e principal figura, Marine Le Pen. No seu início, o partido acolhia membros que tinham pertencido às SS alemãs durante a segunda guerra mundial. O próprio Jean-Marie tinha descrito o Holocausto como "um detalhe" nesse conflito em 1987.

Bardella vai processar por difamação e Le Pen declara "confiança absoluta"

Na terça-feira, chegou a resposta do presidente do Reagrupamento Nacional. Citado pelo Le Monde, Jordan Bardella disse que a reportagem publicada pelo Mediapart marca "as premissas de uma guerra total" contra si e contra o seu partido, afirmando que se trata de algo "preparado há vários meses".

Para Bardella, esta reportagem é parte de uma "tentativa de assassinato político" contra si e, na segunda-feira, tinha prometido processar a Mediapart por difamação.

E o presidente do partido teve o apoio da candidata presidencial, Marine Le Pen, neste contra-ataque ao órgão de comunicação social. A política tinha chamado à reportagem de "manobra suja" na segunda-feira e, esta terça-feira, expressou a sua "confiança absoluta" em Jordan Bardella.

Dirigindo-se ao presidente do RN e a Eric Ciotti, líder do partido aliado União da Direita pela República (UDR), Marine Le Pen prometeu que eles não se iriam "desviar da missão" mas avisou que iriam "levar muita pancada".

"O sistema vai fazer tudo e que os nossos adversários farão absolutamente tudo, incluindo as coisas mais repugnantes que se possam imaginar, para tentarem impedir esta dinâmica", acrescentou.

"Agora, creio que cabe ao Mediapart vestir o seu fato de Kevlar, porque haverá, evidentemente, uma resposta à forma como se comportam" ameaçou ainda Le Pen.

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