Um dia depois de um tribunal de recurso de Paris ter aberto a porta à sua candidatura para as presidenciais de 2027, Marine Le Pen não perdeu tempo e já começou a campanha. A líder parlamentar do Reagrupamento Nacional (RN, antiga Frente Nacional) começou por divulgar na sua conta no X o seu cartaz de campanha onde sobre uma fotografia sua, sorridente e de braços abertos, se destaca o lema: “Para a França, o Renascimento”. E prosseguiu o dia com uma visita ao mercado de La Flèche, no departamento de Sarthe, onde se fez acompanhar do líder do partido, Jordan Bardella, até agora apontado como o candidato da extrema-direita caso Le Pen ficasse inabilitada de se candidatar. .A escolha de La Flèche não foi um acaso. A cidade é simbólica para o RN que nas últimas municipais conseguiu conquistar a autarquia e pelo facto de Marie-Caroline Le Pen, irmã de Marine, ser candidata às eleições senatoriais de setembro pela Sarthe. E mal chegaram ao mercado, Marine Le Pen e Jordan Bardella (que ela prometeu nomear seu primeiro-ministro se vencer as presidenciais) foram recebidos por uma pequena multidão. Tanto de apoiantes como de manifestantes contra a sua presença. Perante a multidão, Marine Le Pen voltou a sublinhar que, através do seu recurso para o Tribunal de Cassação, pretende “demonstrar a inocência”. Segundo a Radio France, a candidata prosseguiu, visivelmente irritada: “Não vou passar a campanha presidencial a fazer-vos análises jurídicas”. Nos corredores do mercado, a base de apoio de Le Pen fazia-se entretanto ouvir, entoando “Marine, presidente” e prometendo “ir até à vitória”. Ao lado da candidata, Bardella, de 30 anos, ia garantindo não sentir “nem alívio, nem deceção” perante o regresso de Le Pen à liderança da campanha. Aquele que durante uns meses foi apontado como o plano do RN para suceder a Emmanuel Macron no Eliseu em 2027, e que as sondagens davam bastante bem posicionado para chegar à vitória, manteve-se factual, afirmando apenas “a campanha começou”. “Sou candidata e não vou mudar de ideias”Na terça-feira, o tribunal considerou Le Pen culpada do uso fraudulento de fundos do Parlamento Europeu e decidiu multá-la em 100 mil euros, condenando-a a três anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa - o restante ano será cumprido em regime de prisão domiciliária com pulseira eletrónica.“Sou candidata às eleições presidenciais e não vou mudar de ideias”, garantiu Marine Le Pen na terça-feira no jornal da noite da TF1. A líder parlamentar do RN reafirmou a sua inocência e anunciou que irá interpor um recurso junto do Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial francesa, o que “suspende os efeitos do acórdão” do Tribunal de Recurso de Paris..Marine Le Pen contradiz-se e avança como candidata