Volodymyr Zelensky agradeceu este domingo, 24 de maio, “a todos que agora expressam palavras de solidariedade” na sequência dos ataques russos da madrugada de domingo contra a Ucrânia, mas alertou os aliados que “também são necessários passos concretos para fortalecer a defesa aérea - as entregas de mísseis não podem parar por um único dia”.A Força Aérea Ucraniana relatou que a Rússia utilizou 690 sistemas de ataque aéreo, incluindo drones e mísseis de vários tipos, neste bombardeamento que teve como principal alvo a capital, Kiev, com a Rússia a confirmar ter utilizado o míssil hipersónico Oreshnik - com capacidade de transportar ogivas nucleares ou convencionais - para atacar a Ucrânia na madrugada de domingo. É a terceira vez desde o início do conflito que Moscovo - os dois ataques anteriores atingiram grandes cidades, Zelensky disse ontem que este atingiu Bila Tserkva, uma cidade de 200.000 habitantes a cerca de 64 quilómetros dos arredores de Kiev.Moscovo justificou estes bombardeamentos noturnos, que disse terem tido apenas como alvos instalações militares, como uma retaliação ao “ataque mortal” de Kiev na quinta-feira contra uma residência de estudantes na região ocupada de Lugansk, que causou pelo menos 21 mortos e mais de 40 feridos. A Ucrânia nega ter visado alvos civis.Segundo o mais recente balanço das autoridades ucranianas, o bombardeamento russo causou pelo menos quatro mortos e mais de cem feridos. De acordo com o presidente ucraniano, “só em Kiev, cerca de 30 edifícios residenciais foram danificados ou destruídos”. O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, reportou danos “em todos os distritos da cidade”, com ataques de mísseis e drones a atingirem toda a capital, incluindo áreas centrais que tendem a sofrer menos ataques. O Museu Nacional de Arte e a Sala Filarmónica de Kiev, ambos no centro da capital, ficaram gravemente danificados, e muitos outros edifícios históricos na mesma zona também foram afetados, como o recém-inaugurado Museu de Chernobyl de 1986, que foi destruído. Ainda na capital, os bombardeamentos “destruíram parcialmente” o estúdio da estação pública alemã ARD, não havendo feridos a registar. O líder da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, afirmou que, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros sofreu danos num ataque, embora os estragos não tenham sido graves. O Gabinete de Ministros, sede do governo ucraniano, também foi danificado.Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, bem como Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha ou Portugal, condenaram o “ataque massivo” russo, criticando ainda o recurso a um míssil com capacidade nuclear.“O ataque massivo da Rússia à Ucrânia na noite passada mostra a brutalidade do Kremlin e o seu desrespeito tanto pela vida humana como pelas negociações de paz”, escreveu Ursula von der Leyen no X. “Estamos firmemente ao lado da Ucrânia, com apoio adicional a caminho para reforçar os seus sistemas de defesa aérea”.No mesmo sentido, António Costa disse que o recurso ao Oreshnik e estes “ataques massivos” são uma “demonstração implacável de brutalidade dirigida a civis e infraestruturas civis”. “É mais um lembrete claro de que a Rússia não tem interesse em envolver-se em negociações de paz significativas”, acrescentou..16 ucranianos mortos em ataque russo com 659 drones. Zelensky opõe-se a levantamento de sanções