por O presidente do Conselho Europeu, António Costa, iniciou de forma discreta contactos diplomáticos com a Rússia para "abrir canais de comunicação", embora não tenha sido discutida nenhuma questão substancial, disse esta quarta-feira, 17 de junho, um alto diplomata da UE à Euronews.Segundo a mesma fonte, ocorreram "contactos breves" nas últimas semanas, sublinhando que o português tem estado "a coordenar de perto com os líderes europeus o possível envolvimento com a Rússia e as questões a discutir quando chegar o momento oportuno".A Bloomberg já tinha avançado esta quarta-feira com a mesma informação, escrevendo que o principal conselheiro do presidente do Conselho Europeu realizou duas chamadas telefónicas com um alto funcionário russo próximo de Vladimir Putin, com o objetivo de preparar o terreno para conversações mais substanciais no futuro. “Precisamos, no momento certo, de dialogar com a Rússia para abordar as nossas questões comuns de segurança”, disse Costa aos jornalistas no mês passado, recordou esta quarta-feira a Bloomberg.O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já referiu várias vezes a necessidade de a Europa ter um interlocutor nas negociações de paz entre Kiev e Moscovo, que têm sido mediadas pelos Estados Unidos. “Estamos em contacto com os EUA e compreendemos os seus pontos de vista e posições, mas seria bom desenvolver uma voz europeia comum para as negociações com a Rússia”, disse o ucraniano em maio. Alguns países europeus têm vindo a considerar a ideia de nomear um enviado especial para negociar com Moscovo, tendo chegado a ser falados nomes como o da antiga chanceler alemã Angela Merkel, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e até mesmo o de António Costa. O próprio presidente russo, Vladimir Putin sugeriu em maio o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder para falar em nome da Europa, uma sugestão imediatamente recusada por Kiev, Bruxelas e até Berlim, devido às suas conhecidas ligações ao Kremlin. “Como sabem, um mediador precisa de ser aceite por ambas as partes, e isso parece estar visivelmente em falta aqui”, afirmou então o ministro alemão para a Europa, Gunther Krichbaum, sublinhando que Schröder “não demonstrou necessariamente no passado que pudesse atuar como um mediador neutro, como um intermediário honesto”. .União Europeia veta Schröder, mas pondera falar com Rússia