A líder da diplomacia da União Europeia afirmou esta segunda-feira, 11 de maio, que “não seria muito esperto” deixar que a Rússia escolhesse com quem quer dialogar, depois de Vladimir Putin ter sugerido no fim de semana o nome do antigo chanceler alemão Gerhard Schröder como potencial representante do bloco dos 27 para negociações com a Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia. “E, em segundo lugar, Gerhard Schröder tem sido o principal lobista das empresas estatais russas. Por isso, a razão por que Putin o quer lá é óbvia: para ter assento nos dois lados da mesa”, referiu ainda Kaja Kallas, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, em Bruxelas.O social-democrata Gerhard Schröder, de 82 anos, manteve-se próximo de Putin muito tempo depois de ter deixado o cargo em 2005, ocupando cargos de relevo em projetos energéticos russos, nomeadamente na implementação dos gasodutos Nord Stream para a Gazprom, a principal empresa de energia da Rússia. Chegou a ser nomeado para o seu conselho de administração no início de fevereiro de 2022 (mês do início da invasão da Ucrânia), mas declinou o cargo no final desse ano devido às fortes críticas que gerou na Alemanha. Esta não seria a primeira vez que o alemão serviria de mediador entre Kiev e Moscovo, depois de o ter feito de forma informal em março de 2022, tendo chegado a encontrar-se em Moscovo com Putin e em Istambul com Rustem Umerov, o atual secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia e já então envolvido nas negociações de paz.A recusa sobre o nome Schröder como mediador parece ser consensual, começando pela sua Alemanha natal. “Como sabem, um mediador precisa de ser aceite por ambas as partes, e isso parece estar visivelmente em falta aqui”, afirmou ontem o ministro alemão para a Europa, Gunther Krichbaum, sublinhando que Schröder “não demonstrou necessariamente no passado que pudesse atuar como um mediador neutro, como um intermediário honesto”.“As amizades próximas podem ser legítimas em qualquer parte do mundo, mas não contribuem para que alguém seja percebido como um parceiro de mediação honesto”, prosseguiu Krichbaum, referindo-se à relação entre Vladimir Putin e Gerhard Schröder.Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, garantiu que Kiev “não apoia tal candidatura”, notando que existem “muitos outros líderes dignos” que podem assumir o papel de mediador em nome da Europa.Kajas Kallas foi ainda questionada se considera que o bloco deve falar com a Rússia, como tem sido defendido por líderes como o francês Emmanuel Macron ou Volodymyr Zelensky - “estamos em contacto com os EUA e compreendemos os seus pontos de vista e posições, mas seria bom desenvolver uma voz europeia comum para as negociações com a Rússia”, disse o ucraniano há uma semana -, adiantando que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão discutir o tema no final do mês, em Chipre. “Para que a Europa assuma um papel mais ativo, precisamos de concordar entre nós sobre o que queremos discutir com a Rússia e quais são as nossas linhas vermelhas”, respondeu.Além de ter sugerido o nome de Schröder como mediador, Vladimir Putin afirmou ainda no sábado - dia em que Moscovo levou a cabo um desfile militar do Dia da Vitória sobre a Alemanha nazi mais pequeno por causa do impacto da guerra na Ucrânia - que o conflito “está a chegar ao fim”, criticando os países ocidentais pelo seu apoio a Kiev e manifestando disponibilidade para encontrar-se com Zelensky “num terceiro país, mas apenas se se alcançar um acordo definitivo sobre um tratado de paz.Para Kallas, as declarações de Putin sobre o fim da guerra são notáveis porque “diferentes do que ele disse antes”, notando “que a perceção geral é de que Putin está numa posição mais frágil do que nunca”. Ao mesmo tempo, referiu que “a Ucrânia está numa posição muito melhor do que há um ano”, frisando, porém que “não há tempo para complacência”..Ucrânia: Paulo Rangel diz haver “momentum” para a União Europeia começar a falar com a Rússia.Putin afirma que conflito na Ucrânia entra na fase final e abre porta a reunião com Zelensky