A economia mundial deverá crescer cerca de 3% em termos reais este ano, menos uma décima do que se previa em abril, revela o Fundo Monetário Internacional (FMI), na atualização ao estudo das Perspetivas Económicas Mundiais (World Economic Outlook) divulgada esta quarta-feira. Será o pior registo desde o primeiro ano da pandemia, desde 2020, mostram as séries da instituição sediada em Washington.Segundo vários economistas e os históricos do próprio Fundo, um crescimento global deste calibre, na fasquia dos 3%, pode ser considerado valor limiar, a caminho de uma nova recessão, tendo em conta as séries do FMI.Sempre que o ritmo da economia toca nos 3% significa que o globo está em dificuldades económicas por causa de algumas economias ou regiões económicas, normalmente as maiores e mais interligadas.A degradação do panorama em 2026 acontece porque, apesar dos riscos negativos terem recuado "ligeiramente" face a abril (mês do outlook precedente), algumas potências mundiais continuaram a perder força (caso dos maiores países europeus, do Japão, do Canadá, do México), diz o FMI nesta atualização das perspetivas económicas, que só abrange grandes economias e blocos regionais.Além disso, os Estados Unidos, que são a maior economia global, ajudaram pouco ou nada a contrariar o arrefecimento geral – o crescimento norte-americano ficou na mesma, perto 2%.Bem pior está o conjunto dos 21 países da Zona Euro. O FMI avançou com uma nova despromoção do crescimento previsto, cortando duas décimas. Assim, em 2026, a região da moeda única deve crescer apenas 0,9%, menos de metade do ritmo do seu grande concorrente que são os EUA.A maior economia do Velho Continente, a Alemanha, já só deve crescer 0,7% em 2026, menos uma décima do que se estimava em abril, diz agora a instituição dirigida por Kristalina Georgieva.França, a segunda maior economia europeia, sofre a maior revisão em baixa do grupo dos grandes países desenvolvidos (menos 0,3 pontos percentuais) e só cresce 0,6%.Itália, o terceiro maior mercado europeu, já estava mal e assim ficou, com o Fundo a prever uma recuperação irrisória de apenas 0,5% este ano.Para Portugal, onde o FMI prevê um crescimento ainda aceitável na ordem dos 1,7% este ano (na avaliação do Artigo IV, publicada no passado mês de junho), são más notícias pois Alemanha, França e Itália valem, anualmente, quase 30% das exportações portuguesas. É uma faturação de quase 80 mil milhões de euros anual.Os três países são também investidores muito importantes na economia portuguesa, sobretudo França e Alemanha, segundo dados do Banco de Portugal.Dia negro, mas FMI continua a defender tese da retoma em VNestas perspetivas intercalares, o FMI começa por saudar de que "os riscos para as perspetivas económicas estão mais equilibrados do que em abril, embora continuem predominantemente inclinados para uma deterioração do cenário".Após desvanecer para 3% este ano, o FMI ainda acredita (ou precisa de dar esse sinal para travar o desânimo e a incerteza) que o mundo recupere no ano que bem, 2027, para um crescimento de 3,4%."Na prática, antecipamos uma recuperação em forma de V: um crescimento mais fraco este ano em comparação com o cenário que projetávamos antes da guerra, seguido de uma recuperação da atividade económica no próximo ano", disse Petya Koeva Brooks, economista-chefe adjunta.Seja como for, esta nova análise foi finalizada antes de uma péssima notícia, antes de os EUA voltarem a abrir fogo contra o Irão; e de o regime de Teerão ter voltado a atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz e de ter já retaliado contra aliados militares e económicos dos EUA no Golfo Pérsico, contra Kuwait e Barhein, concretamente.Poucas horas depois dos ataques, Donald Trump, o Presidente dos Estados Unidos, declarou, na manhã desta quarta-feira, em Ancara, Turquia (na cimeira da NATO), que o pré-acordo de cessar-fogo com o regime de Teerão "acabou". Durou pouco mais de um mês, portanto. O esboço de entendimento foi declarado no final de maio.Portanto, a guerra no Médio pode estar de volta e em força e já se reflete nos preços do petróleo outra vez, que dispararam quase 6%, estando já a negociar perto dos 80 dólares (contrato Brent). Há uma semana estava nos 70 dólares.O FMI não esconde que está ciente do perigo de nova derrocada económica e refere que "a possibilidade de um recrudescimento do conflito no Médio Oriente continua a representar uma ameaça importante, podendo prolongar a volatilidade dos preços das matérias-primas, agravar perturbações nas cadeias de abastecimento, aumentar os preços e conduzir a condições financeiras mais restritivas".A travagem "moderada" da economia mundial para os referidos 3% de crescimento este ano reflete essencialmente "os efeitos da guerra no Médio Oriente", que, nota o FMI, foram "em parte" contrabalançados por impulsos positivos como "o reforço do ciclo tecnológico global impulsionado pela procura, graças aos avanços na inteligência artificial (IA) e à sua crescente adoção".Seja como for, num dia como esta quarta-feira, em que é rompido o cessar-fogo numa guerra que começou no final de fevereiro, que provocou um choque energético e inflacionista e empurrou o mundo para perto de uma nova crise económica, o FMI relembra que "um recrudescimento do conflito no Médio Oriente continua a representar uma ameaça importante, podendo prolongar a volatilidade dos preços das matérias-primas, agravar perturbações nas cadeias de abastecimento, aumentar os preços e conduzir a condições financeiras mais restritivas"."Ao mesmo tempo, a fragmentação do comércio internacional poderá acelerar, prejudicando a produção e contribuindo para pressões inflacionistas adicionais".Outro risco negativo apontado é o das "correções nas expectativas muito favoráveis associadas ao setor tecnológico"."A estes fatores soma-se a erosão das margens de manobra das políticas económicas, que pode amplificar choques adversos".Além da fraqueza europeia, outras revisões em baixa destacam-se nas contas do FMI.É o caso do Japão, também das maiores potências do mundo. Deve crescer uns magros 0,6% em 2026, menos 0,1 pontos percentuais do que se pensava em abril.O Canadá, que também faz parte do grupo dos grandes (G7), sofre uma revisão em baixa de 0,4 pontos no crescimento, para 1,1% previstos em 2026.O México, outra grande potência, sofre um desbaste igual, devendo crescer 1,2%.A Arábia Saudita, que é o maior produtor de petróleo do mundo, perde uns impressionantes 1,4 pontos percentuais de crescimento, devendo lograr um avanço de 1,7% este ano (cerca de metade do que se previa há escassos meses)..Fórum BCE. FMI aponta para riscos da IA: se não for uma bolha, pode ser um problema de dívida.FMI. Seis das oito maiores ameaças à economia devem concretizar-se e causar danos relevantes.FMI pede fim dos apoios aos jovens na habitação e no IRS e quer nova reforma das pensões.FMI vê crescimento português a perder força, contas públicas equilibradas e perigos "elevados" na habitação.FMI apoia governo na PSU, pede nova reforma das pensões e mais limites nas pensões por viuvez.Do modelo do FMI.FMI pede a governos que estudem já fim de apoios aos combustíveis porque este choque pode não ser temporário