Froholdt a celebrar um golo pelo FC Porto.
Froholdt a celebrar um golo pelo FC Porto.FOTO: MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Os homens do título do FC Porto

As chegadas de Bednarek e Kiwior foram determinantes na defesa, Froholdt foi a contratação da época e o renascimento de Pepê e a aquisição de extremos descarados disfarçaram a lesão grave de Samu.
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Um incomum cenário de 18 jogadores poderem ser campeões nacionais pelo FC Porto pela primeira vez mostra não só o jejum que dura desde 2022, mas também a profunda revolução operada, nos últimos dois anos, no Dragão. O investimento em 2025/26 foi de 102 milhões de euros, com um balanço entre receita e despesa de 24 milhões de prejuízo, mas que está salvaguardado, claro, com o acesso à Liga dos Campeões, que vale pelo menos 50 milhões. Sob a batuta de Farioli, existiram notórias peças-chave, que o DN agora elenca.

Parceira polaca crucial na defesa

Na baliza, Diogo Costa conservou a titularidade e foi, até à data, totalista no campeonato. Jan Bednarek foi contratado ao Southampton por 7,5 milhões de euros e aos 29 anos assumiu a experiência no eixo defensivo, totalizando já 30 titularidades no campeonato em 32 possíveis. Por perto, o polaco Kiwior, emprestado pelo Arsenal, chegou aos 24 encontros, uma importância bem superior a Thiago Silva (sete jogos) e Nehuén Pérez (cinco), elementos de rotação na equipa. Na direita, Alberto Costa chegou ao jogo do título com 22 encontros somados a titular, Martim Fernandes fez 12 e na esquerda Zaidu recuperou de lesão para, com dez jogos no onze competir com Francisco Moura (14).

Bednarek lesionou-se no clássico com o Sporting.
Bednarek lesionou-se no clássico com o Sporting.FOTO: Gerardo Santos

Froholdt é a contratação da época

No meio-campo, a aquisição de Froholdt pode, possivelmente, ser a contratação da temporada. O médio de 19 anos custou 20 milhões de euros, valerá, com facilidade, três vezes mais numa venda e fez até aqui seis golos, ficando imune a todas as contrariedades. A máquina vinda do Copenhaga não falhou um encontro de campeonato. Gabri Veiga foi forte aposta e nem o facto de militar no Al Ahli, na Arábia Saudita, demoveu o investimento de 15 milhões de euros. Os três golos em 28 jogos são curta imagem de um espanhol que tem sido municiador de muitos lances de ataque. Com 19 titularidades, Farioli teve de gerir a condição de Veiga, até por ter de reforçar o músculo no meio-campo. Papel-chave de Pablo Rosario, que é o 11.º mais utilizado e que foi a jogo 21 vezes (dez titularidades), correspondendo aos 4 milhões de euros pagos ao Nice. Alan Varela tem 27 jogos somados, é o quarto com mais minutos e imprescindível nas tarefas mais defensivas do meio-campo. Ganhou sagacidade tática e temperou os nervos. Seko Fofana dotou o plantel de maior rotação, alcançando três golos desde que foi cedido pelo Rennes, e respondeu às limitações físicas de Gabri Veiga. 

No FC Porto desde 2021/22, Pepê chegou a ser o brasileiro mais valioso da I Liga.
No FC Porto desde 2021/22, Pepê chegou a ser o brasileiro mais valioso da I Liga.Foto: Miguel Pereira

Renascimento de Pepê, olho para os extremos

Pepê terminou o ano civil de 2024 em quase litígio com Vítor Bruno que o acusara de falta de empenho em treinos para o arredar das opções. O brasileiro esteve na porta de saída, embora tenha habituado os adeptos a superar sempre os 45 jogos por temporada, disponível para alinhar em várias posições. Farioli agarrou na vitamina confiança e revitalizou o jogador. Sem o aventurar na lateral, mas dando-lhe muito mais espaço e mobilidade, seja a partir do corredor ou ao lado da referência ofensiva. Tem participação em sete golos, foi peça adaptável consoante os momentos do jogo e é o quinto com mais minutos.

Quem temesse com a falta de capacidade disruptiva nos corredores com a saída de Galeno foi dormindo mais descansado. À vez, Borja Sainz e William Gomes deram conta do recado. O espanhol chegou de um Norwich onde marcou 19 golos e, mesmo sem ser tão próximo à baliza no esquema de jogo dos dragões, marcou sete golos na época, fez cinco assistências e superou a marca de jogos que alguma vez fizera na carreira (44).

O canhoto William Gomes era promessa do São Paulo, chegou em janeiro de 2025, mas não despontou. O peso dos 9 milhões de euros foi desbloqueado com Farioli. Rompedor, muitas vezes a partir do banco (18 nessa condição na Liga Portuguesa), soma oito golos no campeonato, 13 na temporada e foi um canivete para desvendar fraquezas.

Oskar Pietuszewski, ainda mais novo, com 17 anos, foi golpe de mercado para antecipar interessados, mas teve já acerto, conquistando penáltis e marcando, ele mesmo, três golos em 13 jogos no campeonato.

O apagão de Mora

Inequivocamente, Rodrigo Mora tem sido o ativo que menos tem assumido o destaque que se perspetivava. Tem o Mundial em risco por isso mesmo, apesar de brilhante campanha pelos sub-21.

Mora leva cinco golos pelo FC Porto em 41 jogos, mas passa, por pouco, da marca dos 1000 minutos na I Liga, tendo só marcado um golo. Foi elemento de rotação, muitas vezes colocado na Liga Europa como forma de gerir o onze mais comum. A saída do clube foi cenário equacionado em 2025 quando percebeu que perderia o comboio do onze. Será um dossier importante até para as finanças do clube.

Samu lesionou-se no clássico com o Sporting
Samu lesionou-se no clássico com o SportingMANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

Ataque viveu lesões

74 golos em três épocas no PSV, esse era o mais recente cartão de apresentação de Luuk de Jong. Marcou ao Sporting, ajudou à vitória no arranque da época e esperava-se que saindo do banco pudesse resolver jogos apertados. Uma rotura no ligamento cruzado terminou-lhe com a época e deixou Deniz Gul como alternativa a Samu. Longe estaria o turco de saber que seria chamado ao onze por lesão do espanhol, de igual gravidade à de De Jong.

Samu marcara 27 golos na época de estreia, chegou aos 20 em 2025/26 e caminharia para bater a meta, mas está fora de combate desde fevereiro. Ainda figura no top 10 dos mais utilizados, é ainda o maior goleador do clube no campeonato (13 golos) e foi com a lesão no cruzado anterior do joelho de Samu que muitos temeriam a possível quebra azul e branca. Deniz Gul herdou a titularidade, vai com quatro golos na I Liga, mas não mascara a falta que Samu faz à frente da baliza. O bis contra o Estrela da Amadora na jornada 31 foi o maior cartão de visita.

Emprestado pelo Nice, Moffi fez nove jogos na Liga, marcou por uma vez e foi ativo de mercado preventivo em janeiro, nigeriano útil especialmente depois da lesão de Samu. O retoque dado em janeiro em praticamente todos os vetores manteve a equipa à tona. Até quando os níveis exibicionais caíram, os resultados no campeonato, com a grande exceção na derrota com o Casa Pia, não se deterioraram.

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