Egito só sofreu dois golos na campanha de apuramento.
Egito só sofreu dois golos na campanha de apuramento.FIFA

Egito. Faraós dão ordem de soltura a Salah e Marmoush

Estratégia de Hossam Hassan, sucessor de Rui Vitória no Egito, privilegia solidez para libertar os criativos da Premier League. Irão e Nova Zelândia são adversários para quebrar a maldição no Grupo G.
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O Egito entra no Grupo G do Mundial 2026 à procura de quebrar uma espécie de maldição, de nunca ter vencido um encontro no grande certamente. Como tal, nas três participações anteriores os homens do Nilo nunca conseguiram o apuramento.

Desde a estreia em 1934, decorreram depois 56 anos para o regresso ao Mundial. Só em 2018 os africanos voltaram a conseguir o apuramento, um facto negativo para uma seleção que é a recordista em Taças Africanas das Nações (7). Em 2006, 2008 e 2010 o domínio no continente não se verificou nas campanhas seguintes de apuramento.

Este Egito surge, porém, transfigurado e assente na solidez defensiva. Apenas dois golos concedidos em dez jogos e nenhuma derrota para um confortável apuramento com 26 pontos. Rui Vitória saiu em fevereiro de 2024 depois de cair nos oitavos de final da CAN e Hossam Hassan, que participou como jogador no Mundial de 1990 e em oito CAN, agarrou o leme com sucesso interno. O goleador estabilizou o reduto defensivo como base.

Restará saber se a formação consegue dar o salto competitivo, embora, contra Nova Zelândia e Irão, possa, efetivamente, ser favorito, num grupo onde a Bélgica é candidata maior.

O sistema tático alterna, mas a ideia principal é permitir a Salah, Marmoush e Trezeguet mais liberdade. O que faz variar entre o 4x3x3 e um 3x4x3. Salah, aos 34 anos, chega, provavelmente, à sua última grande competição. Com 12 golos, fez a pior época dos últimos 11 anos e prepara a saída do Liverpool, no qual virou ícone, recordista de assistências, segundo não anglo-saxónico com mais jogos pelos reds e terceiro melhor marcador de sempre.

Marmoush, contratado pelo Manchester City em 2024/25 por 75 milhões de euros, fez oito golos em cada uma das duas temporadas sob o comando de Guardiola e tanto pode jogar como segundo avançado ou como extremo à procura de diagonais. Tem um perfil de criação de jogo ofensivo e pode ser o principal municiador de Salah, mas também da velocidade de Mahmoud Hassan, conhecido como Trezeguet, que fez 18 golos pelo Al-Ahly. Antes, afirmara-se na Turquia, pelo Trabzonspor, e desde aí raramente perde um lugar no onze. Emam Ashour é figura importante no meio-campo.

Na baliza, Mohamed El-Shenawy tem sido indiscutível, na defesa o jogador do Nice Abdelmonem é o maior destaque. Notou-se na convocatória a procura de juventude, o que levou, no país, a alguma frustração pela perda de protagonismo do Zamalek na chamada dos 27, ainda com um elemento a mais para ser cotado. Elneny, anteriormente do Arsenal, é uma das ausências notadas. Hamza Abdulkarim é avançado e antes de fazer 19 anos recebeu o convite de rumar do Egito à equipa do Barcelona B e está entre os eleitos. Pode bem ser uma surpresa.

O Egito arranca o quarto Mundial contra a Bélgica, no dia 15, encontra a Nova Zelândia a 21 e embate o Irão, num encontro que promete picardias, a 26 de junho.

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