É o fim de uma era em Anfield. O Liverpool e Mohamed Salah anunciaram recentemente o fim de uma ligação que durava desde 2017 e que marcou uma mudança de rumo do histórico clube inglês. Se nos nove anos anteriores à chegada do egípcio os reds não foram além de dois segundos lugares (2008-09 e 2013-14) na Premier League, uma Taça da Liga (2011-12) e, internacionalmente, uma presença nos quartos de final da Liga dos Campeões (2008-09), além de uma caminhada até à final da Liga Europa (2015-16), nos nove anos em que o extremo se exibiu perante The Kop foi sempre a somar: dois campeonatos (2019-20 e 2024-25), uma Taça de Inglaterra, uma Taça da Liga e uma Community Shield (todas em 2022), uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e um Mundial de Clubes (as três em 2019).Mais: a Premier League conquistada em 2020 colocou um ponto final a um jejum que durava há 30 anos e, além da final da Champions ganha, houve duas perdidas, em 2017-18 e 2021-22, ambas para o Real Madrid.Obviamente que, ao longo destes nove anos, Salah tem partilhado o balneário com outros grandes jogadores que ajudaram o Liverpool a voltar a ter um estatuto de colosso europeu, como Alisson Becker, Virgil van Dijk, Alexander-Arnold, Sadio Mané ou Roberto Firmino, mas o vasto leque de recordes que construiu desde que voltou a Inglaterra - havia estado vinculado ao Chelsea entre 2014 e 2016 - provam que o extremo canhoto contratado à Fiorentina por 42 milhões de euros foi um game changer em Anfield.A mais marcante das marcas será o facto de ser o jogador com mais participações diretas em golos (golos e assistências) por um só clube na história da Premier League, com 281, deixando para trás vultos como Wayne Rooney (276 pelo Manchester United), Ryan Giggs (271 pelo Man. United), Harry Kane (259 pelo Tottenham) e Thierry Henry (249 pelo Arsenal). Desde que se mudou para Merseyside, participou em, pelo menos, mais 100 golos do que qualquer outro jogador no campeonato.. Mas há mais. Muito mais. Mesmo não sendo um ponta de lança, detém os recordes de estrangeiro com mais golos na Premier League (191), africano com mais golos na Champions (50), mais prémios de Melhor Jogador da época em Inglaterra (quatro, a par de Thierry Henry), mais golos numa época pelo Liverpool na era Premier League (32 em 2017-18), Melhor Marcador de Sempre dos reds na Champions (48), mais participações em golos num estádio no campeonato inglês (152 em Anfield), mais prémios de Melhor Jogador do Mês da Premier League (sete, a par de Kun Agüero e Harry Kane), mais participações em golos numa época de 38 jornadas da Liga Inglesa (47 em 2024-25) e mais participações em golos fora de casa numa temporada na Premier League (27).. É também o único futebolista a ganhar os prémios de Melhor Jogador, Melhor Marcador e jogador com mais assistências da Premier League numa única temporada (2024-25), o único a marcar 20 ou mais golos pelo Liverpool em todas as provas durante oito épocas seguidas e o primeiro a superar as 40 participações em golos em duas campanhas no campeonato inglês (2017-18 e 2024-25), e também o primeiro a marcar ou assistir em 10 ou mais jogos seguidos na Liga Inglesa em três ocasiões distintas. Nenhum outro jogador conseguiu ganhar tanto o prémio de Melhor Marcador como o de máximo assistente da Premier League em múltiplas temporadas.A sua vítima preferida em Inglaterra é um dos maiores rivais do Liverpool, o Manchester United, clube ao qual marcou 13 golos, seis deles em Old Trafford, registo que faz de Salah o melhor marcador visitante de sempre do chamado Teatro dos Sonhos no campeonato.. Ficou a faltar a Bola de Ouro a Salah que, aos 33 anos - completa 34 a 15 de junho -, tem pretendentes na Arábia Saudita e nos Estados Unidos. Em sentido contrário, o português Francisco Conceição é um dos favoritos a suceder-lhe em Anfield.