O Hotel das Amoreiras abriu as portas em 2022, no jardim com o mesmo nome, em pleno centro de Lisboa
O Hotel das Amoreiras abriu as portas em 2022, no jardim com o mesmo nome, em pleno centro de LisboaImagem gentilmente cedida pelo Hotel das Amoreiras

Hotel das Amoreiras: Um chá inglês num jardim português

Frequentado por muitos lisboetas, o jardim das Amoreiras ganhou um novo encanto quando, perto do Museu Arpad-Szenes abriu, em 2022, o Hotel das Amoreiras
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Quando era criança, viajava com os pais e ficava em hotéis que lhe ficaram na memória. Sobretudo os ingleses. Passou parte da infância no Reino Unido, e sempre que havia uma ida a um hotel, mesmo que apenas para o lanche, Pedro Biancard d’Oliveira apreciava. Olhava com atenção os detalhes, ouvia o que o pai lhe explicava sobre o que era realmente importante – “os guardanapos, que de tão remendados pareciam bordados, mas que continuavam a servir; o cuidado com o serviço; a qualidade…”. Depois de quase duas décadas a trabalhar na banca, em países como a Suíça ou Espanha, Pedro decidiu que era hora de fazer crescer o sonho que tinha desde a infância: em 2016, na companhia da mulher – e dos 3 filhos – decide comprar uma primeira casa no Jardim das Amoreiras, na sua Lisboa Natal, e no ano a seguir uma segunda. A ideia era clara: fazer um hotel pequenino, que se destacasse pela qualidade do serviço, integrado num bairro icónico, e onde os locais tenham lugar, mesmo que não seja para ficarem hospedados.

À conversa com Pedro d’Oliveira, numa das mesas onde é servido um lanche inglês, com o chá e os scones de direito, é possível ver que o sonho parece, pelo menos nessa parte, concretizado. Entram casais, mais ou menos novos, para o chá inglês, entram amigos que terminaram um dia de trabalho para partilhar um copo ao final da tarde e entram os turistas que estão alojados num dos 17 quartos e 2 suítes deste boutique hotel.

O poster que decora o bar veio diretamente da casa do proprietário
O poster que decora o bar veio diretamente da casa do proprietárioImagem gentilmente cedida pelo Hotel das Amoreiras

“Os meus amigos continuam-me a perguntar se eu consigo viver do hotel. E eu respondo-lhe sempre o mesmo: tenho 3 bocas para alimentar e um empréstimo para pagar”, conta, divertido ao DN. Que é como quem diz: não tem outra hipótese. O projeto nasceu com capitais próprios e recurso a empréstimos bancários, num valor global de investimento que o empresário prefere não revelar. Tentou poupar onde podia – “deve haver 2% de coisas no hotel que comprei. Tudo o resto fui eu que pensei e fiz ou mandei fazer”, revela, enquanto passa os olhos pela sala que decorou, e pelo poster gigante de um filme de James Bond que trouxe de casa, “tal como grande parte dos quadros. À entrada, está um quadro que o meu pai pintou e me ofereceu quando fui viver para fora, e que quase não cabia na minha casa…”, diz, com uma gargalhada.

As marcas presentes, quase todas portuguesas, mostram o apreço pelo país que o viu nascer. Talheres Cutipol. Loiça SPAL e têxteis Sanpedro, em guardanapos bordados com uma traça, um animal importante no jardim das Amoreiras, por uma bordadeira sua conhecida. “Nos últimos três anos, portanto desde que abriu, a atividade tem-se mantido sempre positiva e a crescer. Acho que uma das razões pelas quais isso acontece é que não tenho mexido no preço. Sinceramente, prefiro não subir preço e fazer com que as pessoas sintam que estão num sweet spot, ou seja, que o que pagam vale exatamente aquilo que têm.

Se Pedro d’Oliveira não tivesse revelado que os melhores mercados são, sem surpresa, os americanos e o inglês, não seria difícil descobrir – não apenas por alguns apontamentos, como as amenidades (essas não são portuguesas), mas também pelo facto de todas as informações que estão nos quartos e nas zonas comuns se encontrarem apenas em inglês. Para um hotel português, poderá fazer pouco sentido, mas denuncia que não são nacionais os hóspedes que escolhem ali ficar.ernacional para trás.

O chá da tarde é servido todos os dias. Para experimentar, os clientes devem efetuar uma reserva 24 horas antes
O chá da tarde é servido todos os dias. Para experimentar, os clientes devem efetuar uma reserva 24 horas antesKerry Murray

A exceção vai para os menus que existem no bar – há cocktails e petiscos ligeiros para além do lanche e do pequeno-almoço, que podem ser servidos a qualquer transeunte que o deseje (o lanche deve ser reservado com 24h de antecedência).

A opção por não ter um restaurante poderá estar a ser, aliás, uma das grandes vantagens para a operação do Hotel das Amoreiras – geralmente é aqui que os custos (e os problemas) se multiplicam, e o facto de ter apenas uma pequena carta de bar permite reduzir esse risco. Para jantar ou almoçar, a equipa do Hotel das Amoreiras disponibiliza uma série de sugestões em redor da unidade, onde têm proliferado vários restaurantes, muitos deles de cozinha tradicional portuguesa, outros de cozinha internacional e quase todos com boas referências e a uma distância acessível a pé.

Pedro levanta-se, depois da conversa com o DN, para cumprimentar alguns dos visitantes regulares do hotel, e para dar mais uma volta pelo hotel. Todos os dias o gestor pode ser visto a deambular pelos corredores ou pelos jardins, assegurando que tudo está conforme o que foi imaginando quando, há uns anos, decidiu formar-se em Gestão Hoteleira para aprender a ter um hotel e deixar a banca int

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