O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) admitiu hoje que é "natural" que os prémios subam na sequência do mau tempo, mas apontou que cabe às seguradoras "não repercutir completamente" os preços.Gabriel Bernardino sinalizou, numa audição no parlamento devido aos efeitos do mau tempo, que possivelmente os prémios vão subir, "porque se se perceciona que o risco vai aumentar", nomeadamente por via do aquecimento global e maior frequência de tempestades, "quem fica com o risco, em última análise, que são os resseguradores internacionais, vão incorporar isto nos modelos de risco"."É natural que os prémios vão subir, cabe também às seguradoras poderem ter uma almofada para não repercutirem completamente estes preços a cada um dos cidadãos", apontou, defendendo ainda a necessidade de ter um fundo para catástrofes para ter "diversificação e reflexo nos preços".O responsável defendeu assim que é "fundamental" existir um sistema nacional integrado para proteção contra catástrofes naturais, que não seja focado apenas nos sismos.Gabriel Bernardino apontou, enquanto era ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, que quando falou com o ministro das Finanças, aquando do convite para o cargo à frente do supervisor, disse: "temos de ter um fundo de catástrofes e não um fundo sísmico"."É um projeto muito complexo", assumiu, recordando que já existe alguma informação para a parte dos sismos e que existiu uma iniciativa em 2009/2010 que estava consensualizada, mas que, na altura, não avançou por causa da Troika, que era só para sismos.Para o responsável, o que é necessário é um "sistema nacional integrado para a proteção contra catástrofes naturais", apontando que espera "oportunamente apresentá-lo ao Governo".Lusa.A Infraestruturas de Portugal vai transformar as duas vias no sentido norte-sul do tabuleiro do IC2 do açude-ponte em Coimbra em três, para aliviar o trânsito intenso que se sente desde o corte na A1, afirmou hoje a presidente do município.Segundo Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), as obras da Infraestruturas de Portugal (IP) vão iniciar-se na quinta-feira, transformando as duas vias existentes no sentido norte-sul do tabuleiro em três, por forma a eliminar os constrangimentos na saída da cidade, via Casa do Sal.Quem sai de Coimbra através da rotunda da Casa do Sal entra no tabuleiro da ponte-açude, tendo de ceder passagem ao trânsito que circula em duas vias no sentido norte-sul no itinerário complementar 2 (IC2).Ao passar a ter uma terceira via com o encurtamento da berma e das outras duas vias, a solução procura evitar o engarrafamento regular na saída da Casa do Sal e que se intensificou com o aumento do tráfego no IC2 face ao fecho da A1 entre os nós de Coimbra Sul e Coimbra Norte, depois de um troço ter desabado após rebentamento de um dique no rio Mondego."Tínhamos um problema quando saíamos da rotunda da Casa do Sal em direção à rotunda do Almegue, com uma via de aceleração que se perdia", notou Ana Abrunhosa, que agradeceu ao Ministério das Infraestruturas a celeridade na resposta aos pedidos do município.De acordo com Ana Abrunhosa, a solução irá implicar uma redução da velocidade no tabuleiro, estando prevista a presença da PSP."Durante uns dias, pedimos a maior compreensão às pessoas [face aos trabalhos nas vias], mas também a maior cautela", disse.Para o futuro, a presidente da Câmara referiu que a IP também se comprometeu a fazer estudos de tráfego para uma solução de semaforização da rotunda do Almegue, até ser encontrada "uma solução mais estrutural".Face aos impactos do mau tempo no concelho, Ana Abrunhosa afirmou que será feita uma auditoria às principais infraestruturas e obras de arte do município e um estudo fitossanitário das árvores.Sobre o fecho do Mercado Municipal D. Pedro V, face à derrocada da Cerca de Santo Agostinho, a autarca afirmou que haverá novidades sobre o seu funcionamento na quinta-feira.Lusa.Obras na A1 concluídas em março. Até lá Brisa propõe "circulação em ambos os sentidos, limitada a uma via" .O presidente do Chega anunciou hoje que o seu partido vai aprovar a apreciação parlamentar apresentada pela esquerda ao regime de `lay-off´ e manifestou-se disponível para viabilizar um orçamento retificativo exclusivamente dedicado a ajudar os municípios afetados pelo temporal.“Acho que aquilo que foi assumido é aquilo que deve ser concretizado e por isso viabilizaremos o ‘lay-off’ pago a 100%”, anunciou André Ventura, durante uma conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, juntamente com o “ministro sombra” do Chega para a Administração Interna, o académico Fernando Silva.Em causa está a apreciação parlamentar, apresentada hoje por Livre, PCP e BE, ao decreto do Governo que cria o regime de ‘lay-off’ simplificado após o temporal que assolou o país, propondo que o salário dos trabalhadores abrangidos por este instrumento seja pago a 100% e não a dois terços, como está definido.O líder do Chega realçou que o Governo, numa primeira comunicação ao país, garantiu o pagamento total destes salários e depois recuou. “Acho que agora devemos levar isso até ao fim”, acrescentou.Interrogado sobre a possibilidade de o executivo PSD/CDS-PP apresentar um orçamento retificativo para fazer face aos prejuízos das tempestades em várias localidades do país, André Ventura manifestou-se disponível para o viabilizar mas só se for exclusivamente dedicado a esta ajuda.O presidente do Chega realçou que muitas autarquias já contabilizam prejuízos superiores aos orçamentos municipais, e que devem ser auxiliados pelo Governo, insistindo na ativação de mecanismos europeus.“Uma vez que esses [mecanismos] não dependem só de nos, e já deviam ter sido feitos, nós viabilizaremos as medidas que permitirem criar a almofada financeira a esses municípios para ir ao encontro dessas necessidades. Contando que o Governo se comprometa que esse orçamento retificativo seja apenas isso: uma retificação desta circunstância orçamental para fazer face a estes prejuízos”, sublinhou.André Ventura disse esperar que esta quinta-feira, no debate quinzenal, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, traga ao parlamento o sucessor de Maria Lúcia Amaral na tutela da Administração Interna, pasta onde, para o Chega, “o Governo manifestamente não está a ser competente e onde parece ter poucas soluções”.Lusa.O Município de Leiria estimou que os prejuízos provocados pela depressão Kristin à data de hoje ascendem a 792,8 milhões de euros, sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta.“Dentro daquilo que conseguimos apurar, o que já gastámos, mais a primeira estimativa por baixo, temos um valor de 792,8 milhões de euros. Ainda falta outro tanto”, disse hoje o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes.Numa conferência de imprensa no quartel dos Bombeiros Sapadores, de Leiria o autarca anunciou que só na fase “humanitária, emergência e operacional” foram gastos 13,3 milhões de euros, a que acrescem 25,3 milhões de euros de prejuízos na área das habitações particulares, valores com base nas candidaturas já submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, “embora os prejuízos sejam superiores a esses”, admitiu o presidente da Câmara.O autarca acrescentou que as empresas sofreram danos superiores a 200 milhões de euros, estimando-se uma quebra de atividade económica na ordem dos 70,7 milhões de euros.Gonçalo Lopes notou que o produto interno bruto do concelho ronda os 2.100 milhões de euros por ano. “Isso faz com que sempre que a atividade económica para, é um dia em que não se cria riqueza” o que representa perdas de 5,6 milhões de euros.Segundo o presidente da Câmara, na primeira semana da passagem da depressão Kristin, “100% da atividade económica esteve parada”, projetando que na segunda semana apenas 50% funcionou e na seguinte 25% da economia continuou sem trabalhar. “A tendência é que estes 25% se mantenham ou retomem lentamente”, apontou.De acordo com as contas apresentadas, foram ainda contabilizados 26,2 milhões de euros na área do associativismo, ambiente, património religioso e cultural e instituições particulares de solidariedade social, estando por apurar os valores dos prejuízos em viaturas particulares.“Não podemos esquecer que a maioria dos carros que estava na rua naquele dia foram afetados pela tempestade. E muitas das pessoas vão perder essa riqueza se não houver apoios”, alertou.A floresta tem também danos incalculáveis, disse Gonçalo Lopes, lembrando os empresários do minifúndio e com pequenas explorações neste setor. “Estimamos que cerca de cinco milhões de árvores no concelho tenham desaparecido, se isto for avalizado poderemos chegar a um valor de 500 milhões de euros”, acrescentou.Associado à floresta, as empresas ligadas “à madeira e à carpintaria vão-se ressentir com este desastre”.Por apurar estão também os prejuízos no património municipal. “Será o nosso trabalho nos próximos dias. Mas, são contas impressionantes, muito difíceis de estimar. Não são só os edifícios, as escolas, uma das áreas mais importantes ou os pavilhões desportivos”, adiantou.O orçamento apresentado à autarquia para a reposição da sinalética rodoviária e de semáforos ronda os 900 mil euros, revelou Gonçalo Lopes, observando que todos os dias aparecem estragos nas estradas.O município tem já em marcha um plano de rearborização do concelho. “Contactámos o melhor especialista nesta área e ficou surpreendido com aquilo que viu. Será o maior desafio daquilo que é a arquitetura paisagística em Portugal nos últimos anos. Nunca ninguém pegou numa cidade e vai pensar em como arborizá-la”, disse, Gonçalo Lopes, acrescentando que será um projeto que vai mobilizar alunos e professores da Universidade do Porto.Por contabilizar estão também os estragos no património do Estado, onde se incluem os edifícios dos tribunais, Segurança Social, prisões, quartéis ou bombeiros, exemplificou.Lusa.O município da Marinha Grande, no distrito de Leiria, decidiu cancelar as Festas da Cidade na sequência da destruição causada pelo mau tempo, anunciou hoje a autarquia.“Devido aos significativos impactos provocados pela recente tempestade em todo o concelho, a edição de 2026 das Festas da Cidade será cancelada”, informou a Câmara da Marinha Grande em comunicado.Na nota, em que é citado o presidente da Câmara, Paulo Vicente, recorda-se que “a tempestade deixou danos relevantes em infraestruturas públicas, equipamentos municipais e espaços exteriores, que exigem uma intervenção urgente”.Neste momento, “a prioridade do município centra‑se na recuperação, na elaboração de projetos técnicos e na implementação de procedimentos necessários para garantir a segurança da população e restabelecer plenamente a normalidade no concelho”, justificou o autarca.Paulo Vicente acrescentou que a decisão de cancelar as festividades que habitualmente decorrem em junho, no Parque da Cerca, “é difícil, mas necessária”, porque, “neste momento, toda a atenção tem de estar focada na recuperação do território e no apoio à comunidade”. A intenção da suspensão das Festas da Cidade visa “garantir que os recursos e equipas municipais estão totalmente mobilizados para responder às consequências da tempestade”.As Festas da Cidade da Marinha Grande representam tradicionalmente o evento com maior envolvimento de público, atraindo milhares de visitantes e agentes locais. “No entanto, face ao contexto atual, não estão reunidas as condições que permitam assegurar a organização do evento com a qualidade, segurança e rigor que este exige”, sublinhou o município, que “agradece a compreensão de todos”, prometendo “retomar a realização do evento em 2027”.Lusa.Ana Bastos, vereadora da coligação Juntos Somos Coimbra, defendeu hoje que é urgente desassorear o rio Mondego entre a Portela e o açude-ponte, em Coimbra, alertando para situação preocupante na confluência com o rio Ceira.“É urgente proteger as margens do rio Mondego entre a ponte da Portela e o Rebolim e desassorear o rio Mondego desde a Portela até ao açude-ponte”, afirmou a vereadora Ana Bastos, no período antes da ordem do dia da reunião de hoje do executivo, liderado pelo PS.De acordo com a vereadora da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/IL/CDS-PP/Nós, Cidadãos/PPM/Volt/MPT), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já reconheceu a urgência destas ações, nomeadamente na margem direita do Mondego, junto à confluência do rio Ceira, onde a “erosão evolui assustadoramente”.“Todos os dias perdemos território nesta zona, que desmorona com o escoamento violento das águas. Importa avaliar o agravamento dos danos provocados destas cheias e garantir a sua concretização urgente”, propôs.A coligação, que tem cinco vereadores eleitos, defendeu também, na voz de Ana Bastos, a criação de “redundâncias mínimas” no que toca a energia elétrica e comunicações em situações de emergência.“Por isso, propomos que a Câmara Municipal de Coimbra promova a aquisição de geradores e de equipamentos de comunicação via Starlink para equipar todas as juntas de freguesia do concelho, a própria Câmara e as forças de segurança (bombeiros e Proteção civil)”, defendeu.Para Ana Bastos, esta medida “garantiria que, mesmo perante falhas na rede elétrica ou nas comunicações tradicionais, cada freguesia teria um ponto seguro onde qualquer cidadão pudesse carregar telemóveis, contactar familiares, serviços de emergência e receber informações atualizadas e fiáveis”.“As juntas de freguesia são a estrutura pública mais próxima das populações. São, por natureza, o primeiro ponto de apoio em situações de crise. Dotá-las de meios de comunicação autónomos e de energia de emergência é um investimento na segurança, na resiliência e na tranquilidade dos nossos munícipes”, sublinhou.A vereadora, que no anterior mandato assumiu a pasta do planeamento do município, chamou ainda a atenção para os problemas de ordenamento do território, referindo que há decisões humanas que aumentam os riscos de cheias no território, nomeadamente a impermeabilização excessiva de solos, ocupação de leitos de cheia ou ausência de manutenção das linhas de água.Num período antes da ordem do dia marcado pelas cheias que afetaram o concelho, a presidente da Câmara (PS/Livre/PAN), Ana Abrunhosa, agradeceu a resiliência dos conimbricenses ao longo dos dias, assim como a presença do Estado.“Não nos faltou Estado”, disse, notando também a forte presença do Governo em Coimbra, admitindo que chegou a dizer aos governantes para “irem a outros concelhos” que precisariam mais deles.Ainda no período antes da ordem do dia, a vereadora com a pasta da cultura, Margarida Mendes da Silva, anunciou que o município irá realizar um concerto solidário a 04 de março, no Convento São Francisco, com cartaz a anunciar futuramente..O presidente da Câmara de Leiria defendeu hoje que a Proteção Civil e a rede elétrica nacional têm de ser analisadas com muita profundidade, na sequência da depressão Kristin que há três semanas atingiu o concelho.“Há duas coisas que têm de ser analisadas com muita profundidade nos órgãos próprios e que têm de ter consequência daquilo que aconteceu: Proteção civil e rede elétrica nacional”, afirmou Gonçalo Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está o centro de operações municipal desde 28 de janeiro.Para Gonçalo Lopes, “se o país não acorda para estas duas realidades, é porque anda a dormir”.“A Proteção Civil tem de ser alterada para um novo contexto nacional e europeu. Estamos num ambiente de guerra, temos fenómenos ambientais totalmente diferentes e temos de ter uma capacidade de resposta diferente”, considerou, para salientar que tem de se ver “desde o primeiro minuto até ao fim da calamidade, pelo menos este período”, onde é que se falhou, “quem é que tem voz de comando, quem é que aciona os meios e quem os gere”.“Não nos importamos de gerir os meios municipais, temos capacidade de o fazer, mas há outros municípios que não têm a nossa capacidade e tem de se olhar por eles. E se calhar podíamos ter feito muito mais, admito, e se calhar algumas coisas também nós errámos”, reconheceu.Sobre a rede elétrica nacional, referiu o problema na Autoestrada 1 (A1), na zona de Coimbra, para salientar que houve um problema na autoestrada da energia, que “não está a funcionar há três semanas”, quando a depressão Kristin atingiu o concelho.“As autoestradas da eletricidade têm de ter uma soberania e um controle do Estado português, não há volta a dar”, defendeu, recordando a tempestade Leslie, em outubro de 2018, o apagão, em abril de 2025, e, em 28 de janeiro, a depressão Kristin.Para o autarca, “ou há, de facto, um investimento na infraestrutura, no controle, no acompanhamento”, ou o país está sujeito a que isto volte a acontecer.“Portanto, Proteção civil e rede elétrica, estas duas coisas temos de aprender”, declarou, assumindo que também tem de aprender outras coisas.Neste caso, adiantou que há muita gente no concelho que “vive nos campos, vive da agricultura, há uma população idosa que está isolada” para as quais, “quando isto acontece”, tem de haver uma “capacidade de resposta maior”.“Há sempre uma população mais distante, mais rural, que vive o seu dia a dia feliz com o pouco que tem. E quando há vendavais, eles perdem tudo e nós temos de ter uma resposta a essa população”, declarou.Defendendo que o município deve criar uma resiliência para este tipo de problemas, o presidente da Câmara defendeu a existência de um plano B que passa, por exemplo, por investir em equipamentos como geradores.Segundo Gonçalo Lopes, à data de hoje estavam quatro mil clientes sem eletricidade no concelho.Lusa.O Plano Municipal de Recuperação de Leiria na sequência da depressão Kristin, que há três semanas atingiu o concelho, vai até ao fim do mandato autárquico, anunciou hoje o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes.Em conferência de imprensa, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal, Gonçalo Lopes explicou que a fase 1, designada de humanitária, emergência e operacional, tem a duração de quatro meses, até maio.“São quatro meses para repor as questões operacionais”, declarou.Segue-se a fase de recuperação e resiliência a partir de junho e com duração de um ano, “uma operação muito exigente”, que passa por garantir segurança nos equipamentos.“No fundo, é tentar aproximar” à situação prévia à depressão Kristin, que provocou avultados danos no concelho em 28 de janeiro, esclareceu.Segue-se a fase 3, intitulada modernização estruturante, correspondente ao resto do mandato, que termina no final de 2029, e que “exige mais tempo”, dado tratar-se de construção nova.“Temos alguns casos onde temos de fazer de raiz coisas e que não vamos conseguir fazer num ano”, declarou o autarca, explicando que neste trabalho de modernização estruturante o município precisa de, “urgentemente, definir quais os envelopes financeiros”.Gonçalo Lopes garantiu que a autarquia “tem capacidade financeira, felizmente, para acudir à fase 1”, com custos agora na ordem dos 13,3 milhões de euros.Aquele valor diz respeito a trabalhos de limpeza e recuperação, com a Câmara a esperar que possa ser coberta por seguros e medidas de apoio.Combustível, geradores, remoção de lixo no espaço público, reparação e mobiliário para escolas, material de comunicação, casas prefabricadas ou equipamentos estão incluídos naquele montante.Já para as fases 2 e 3, admitiu que a Câmara pode “contrair empréstimos”, mas a capital de distrito precisa de ajuda para se reerguer.“No dia 28 de janeiro, fomos eleitos obrigatoriamente para uma nova Câmara e para um novo programa eleitoral”, declarou, observando que “muita parte” do programa “já não faz sentido”.Sustentando que o concelho vai ter de recuperar em tempo recorde o que perdeu, para voltar a estar na linha da frente, Gonçalo Lopes afiançou: “Não vamos levantar o pé enquanto não conseguirmos voltar a pôr Leiria no sítio que merece”.Questionado sobre que garantias de apoio lhe foram dadas por governantes que passaram pelo território, o autarca respondeu que “há sempre riscos associados ao financiamento de toda esta ambição”.Por outro lado, considerou que Portugal “não é um país rico, é um país pobre” e, dentro da pobreza, “há muita coisa que se gasta onde não se deve gastar”, pelo que defendeu que esta “seja uma oportunidade para se ser racional na gestão da escassez”.Para o presidente do município, deve aproveitar-se nomeadamente os fundos comunitários que não se conseguem executar, para o processo de reconstrução, classificando esta como “uma boa medida que o Governo quer implementar”.Gonçalo Lopes avisou ainda que “ninguém vai conseguir reerguer esta região e este país se não tiver ajuda da Europa”, preconizando a necessidade de haver uma “linha de comunicação com a Comissão Europeia, não por causa dos défices excessivos, mas para conseguir arranjar o envelope [financeiro] necessário”.“Tem de haver um trabalho de financiamento europeu, tem de haver um trabalho de reafetação de verbas nacionais a este desígnio”, acrescentou.Lusa.O Governo pediu um relatório técnico com caráter de urgência sobre o impacto das cheias no rio Mondego e avaliação dos modelos de gestão de risco, para adaptar o sistema de infraestruturas da bacia do rio.O anúncio foi feito hoje pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, após uma reunião na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para um balanço da gestão das recentes cheias no continente português.Em declarações aos jornalistas, a ministra recordou que o rio Mondego, um dos mais afetados pelas recentes cheias, tem uma infraestrutura física de diques que foi desenhada nos anos 70 e que agora é preciso adaptar a novas realidades.“Neste momento temos de nos adaptar às alterações climáticas, temos fenómenos climáticos muito diferentes dos anos 70, e pedimos à APA que se junte com os maiores especialistas do momento para olhar para o sistema de infraestruturas físicas do Mondego e ver se ele está adaptado às condições de hoje”, explicou Maria da Graça Carvalho.No despacho, acrescentou, pede-se também que se verifique se está adaptado às condições de hoje o modelo de vigilância e de prevenção de cheias no Mondego.E um terceiro ponto prende-se com “o modelo de governança” da bacia do Mondego, porque, justificou a ministra, em tempos de crise deve adotar-se um modelo de cogestão, que junte os presidentes das câmaras, os agricultores e os industriais para tornar “mais institucional” o modelo de gestão que foi adotado para os dias de cheias da semana passada.Lusa.Mau tempo: Candidaturas a linha de crédito à tesouraria somam 905 milhões de euros .O Mercado Municipal da Nazaré foi encerrado devido aos estragos provocados pelo mau tempo e vai funcionar provisoriamente nas instalações do Centro Cultural da vila, informou hoje a câmara.O encerramento imediato do mercado foi decidido “na sequência de uma determinação das autoridades de saúde”, informou a Câmara da Nazaré num comunicado em que explica terem sido “verificados danos na respetiva cobertura, a qual contém amianto”.De acordo com a autarquia do distrito de Leira, a decisão “foi tomada por razões estritamente preventivas, tendo como prioridade absoluta a salvaguarda da saúde e segurança de vendedores, trabalhadores e utentes do espaço”.O município reuniu-se hoje com os vendedores que operam naquele espaço, tendo ficado acordado que o Mercado” funcionará provisoriamente nas instalações do Centro Cultural da Nazaré”, para onde serão deslocalizados de cerca de quatro dezenas de vendedores, “garantindo-se assim a continuidade da atividade económica e o normal abastecimento da população”, pode ler-se no comunicado.No texto, o executivo informa ainda que dará início na próxima semana às obras de requalificação da cobertura, estimando-se que o mercado possa reabrir na primeira semana de abril.Segundo a câmara, nos próximos dias será avaliada a possibilidade de manter em funcionamento os espaços comerciais que dispõem de entrada autónoma pelo exterior do edifício, “desde que fique plenamente assegurada a inexistência de qualquer acesso ao interior do mercado”.Além da intervenção na cobertura, a autarquia vai fazer melhorias no interior do edifício, nomeadamente a recuperação do pavimento, nas instalações elétricas e na requalificação das instalações sanitárias.Com essas obras, a câmara “pretende não apenas resolver o problema estrutural identificado, mas também dignificar e valorizar um equipamento central para a dinâmica económica e social do concelho”.Lusa.Um espólio com mais de seis mil peças arqueológicas, que datam desde o Paleolítico, ficou submerso devido às cheias que assolaram a cidade de Alcácer do Sal, segundo a coordenadora do setor de Arqueologia e Museus do município.Marisol Ferreira disse hoje à agência Lusa que o Museu Municipal Pedro Nunes, um dos mais antigos do país e inaugurado em abril de 2019, "ficou bastante afetado" com as cheias naquela cidade do distrito de Setúbal, chegando a água, no edifício, a ter 70 centímetros de altura.Segundo a coordenadora, uma área que os arqueólogos tinham musealizada e que continha "um grande contentor da época romana" ficou inundada e danificada, bem como as reservas da cripta arqueológica e do museu, que se encontravam na cave do edifício da Câmara Municipal.As reservas, com uma ampla cronologia, são uma "amálgama de peças", de acordo com Marisol Ferreira, pois contêm ânforas, algumas estátuas, peças de malacologia (conchas), etnográficas e geológicas, entre outras.A equipa do setor de Arqueologia e Museus, que é reduzida, está a tentar recuperar o património arqueológico, sendo que este processo, que passa pela limpeza dos objetos, a sua restauração e catalogação, "vai ser um trabalho muito longo e difícil"."É um processo que nós durante uma escavação fazemos. Retiramos, lavamos, etiquetamos [e] inventariamos. Grande parte [das peças arqueológicas] estão inventariadas, algumas não estavam, mas voltamos a fazer o mesmo", referiu Marisol Ferreira, frisando que "é um trabalho moroso que tem que ter uma equipa bastante ampla para se fazer".As peças vão ter que ser tratadas cada uma com a sua especialidade, sendo que a equipa arqueológica poderá vir a ter mais arqueólogos a colaborar."A ver se conseguimos ainda salvar alguns elementos, porque vamos perder alguma informação, que foram sacos que se abriram, iam saindo as peças, porque aquilo foi uma revolução autêntica", sublinhou.Apesar da extensão dos danos ainda ser desconhecida, uma vez que ainda estão a ser retirados todos os achados arqueológicos para depois serem contabilizados, a especialista acredita que vão "conseguir salvar a maior parte dos elementos que estavam guardados".Na terça-feira, a autarquia anunciou na rede social Facebook que a recuperação das reservas museológicas tinha começado."As reservas do Museu Municipal Pedro Nunes e da Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal ficaram submersas nas cheias que assolaram a nossa cidade. São milhares de objetos com importância histórica fundamental para o conhecimento do nosso passado, que estão agora a ser resgatados do lodo e da destruição", lê-se na nota. . O presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto, visitou os espaços afetados e declarou que ia "transmitir toda a informação à ministra da Cultura, [Margarida Balseiro Lopes], de modo a agilizar a recuperação e garantir a salvaguarda do espólio arqueológico do município".O conselho alentejano foi afetado por inundações, depois de o rio Sado ter galgado as margens e inundado a Avenida dos Aviadores, a zona ribeirinha, ruas e travessas, afetando comércio, residências e restaurantes.Lusa.O presidente da Câmara de São João da Pesqueira, Manuel Cordeiro, pediu hoje a integração do seu concelho na Declaração de Situação de Contingência, atendendo aos prejuízos de um milhão de euros provocados pelas intempéries.“A dimensão territorial dos impactos e o volume estimado de prejuízos ultrapassam largamente a capacidade de resposta normal do município”, alertou Manuel Cordeiro.Segundo aquele autarca do norte do distrito de Viseu, “os encargos associados à reposição da normalidade representam um impacto significativo no orçamento municipal, comprometendo a execução regular das atividades planeadas e a sustentabilidade financeira, num ano em que decorrem investimentos estruturantes no âmbito do Quadro Comunitário 2030”.Atendendo “à gravidade das ocorrências, à extensão dos danos e ao impacto financeiro estimado”, o município de São João da Pesqueira pediu ao Governo que seja integrado na Declaração de Situação de Contingência, ao abrigo do regime legal aplicável.Este concelho “foi e continua a ser severamente afetado pelas recentes intempéries que assolaram a região e o país, registando danos em infraestruturas públicas, vias rodoviárias, propriedades privadas e explorações agrícolas”, em todas as freguesias.Devido às “fortes e persistentes chuvas verificadas desde o final do mês de janeiro”, registaram-se quedas de vários muros de suporte, danos na rede viária municipal (devido a abatimentos e aluimentos) e prejuízos em infraestruturas consideradas essenciais às populações e à economia local.Manuel Cordeiro apontou a intervenção na Estrada Municipal 504-3 (entre São João da Pesqueira e Várzea de Trevões), que está orçamentada em cerca de meio milhão de euros, como uma das prioridades.“Face à urgência imperiosa de repor esta ligação, atualmente alternativa ao trânsito condicionado pelas obras da Infraestruturas de Portugal em curso na Estrada Nacional 222, a obra terá de iniciar com a maior brevidade possível”, avisou.O município garantiu que tem mantido “uma intervenção permanente no terreno, assegurando a reposição de condições mínimas de segurança, a sinalização das zonas de risco e o apoio às populações afetadas”.Lusa.Dívidas de empresas e famílias nas regiões da calamidade ascendem a 32 mil milhões de euros.O ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou hoje que ainda há problemas em duas escolas de Leiria e uma da Marinha Grande resultantes do mau tempo, mas sublinhou que a maior parte dos alunos está a ter aulas.Em declarações aos jornalistas em Braga, à margem da cerimónia de comemoração do 52.º aniversário da Universidade do Minho, Fernando Alexandre adiantou que os alunos das escolas afetadas ou estão a ter aulas online ou foram deslocados para outras instalações ou para contentores.“A maior parte dos alunos já está a ter aulas”, sublinhou.Segundo o governante, dois dos casos mais complicados são os agrupamentos de Escolas Henrique Sommer e de Marrazes, em Leiria, com um total de cerca de 1100 alunos.A outra escola mais afetada é em Vieira de Leiria, concelho da Marinha Grande.Em todos os casos, adiantou, são necessárias obras, que só avançarão quando as condições atmosféricas o permitirem, mas entretanto estão a ser implementadas soluções provisórias, para que os alunos continuem a ter aulas.“Sem escolas a funcionar, é impossível que a comunidade volte à normalidade. As câmaras perceberam isso, o Governo também definiu a prioridade de serem os primeiros equipamentos a serem recuperados e, por isso, esse trabalho está a ser feito e penso que, para o desastre que foi, as coisas estão a correr bem”, apontou.Lusa.A Câmara de Azambuja esclareceu hoje que desconhecia a existência da barragem da Retorta, que obrigou à evacuação preventiva de duas aldeias, devido ao risco de colapso, e que denunciou a sua ilegalidade à Agência Portuguesa do Ambiente (APA).Em causa está um pequeno açude, localizado na herdade da Torre Bela, propriedade privada, que, devido ao facto de comportar uma “quantidade significativa de água, levou a que no dia 06 deste mês fossem retiradas, por precaução, cerca de 30 pessoas das aldeias de Póvoa de Manique e de Carvalhos”, no concelho de Azambuja.Em declarações à agência Lusa, a vereadora da Proteção Civil da Câmara Municipal de Azambuja (distrito de Lisboa), Ana Coelho (PS), ressalvou que tanto a autarquia como a APA só tiveram conhecimento da existência desta barragem no próprio dia em que a infraestrutura esteve em risco de colapsar.“A Câmara só teve conhecimento desta barragem no dia em que o encarregado ligou ao coordenador a dizer que tinham um problema lá numa das barragens e quando nós chegámos ao local é que verificámos a situação que tínhamos em mão e aquela construção criminosa que estava lá feita”, apontou.A autarca falava à Lusa na sequência de um requerimento apresentado hoje pelo PSD, a questionar a liderança do executivo municipal, presidido pelo socialista Silvino Lúcio, sobre o conhecimento ou não da existência daquela infraestrutura.Os sociais-democratas questionaram também sobre os custos que a autarquia teve para mitigar os efeitos provocados por aquela barragem.“Os custos vão ser todos imputados ao proprietário. Neste momento ainda não tem os custos todos quantificados, até porque o processo da descarga daquela água ainda não terminou”, apontou a autarca.Ana Coelho referiu que está a ser feita a monitorização daquela infraestrutura, duas vezes por dia, embora já tenham sido “atingidos os níveis de segurança” e as pessoas retornado às suas casas.Questionada sobre eventuais consequências para o proprietário, Ana Coelho indicou que o município informou as entidades competentes, cabendo agora às autoridades determinar os trâmites legais.A Lusa questionou a APA sobre este processo, mas ainda aguarda uma resposta.Lusa.Um grupo que detém uma empresa de cerâmica em Pombal e unidades que fornecem argila e areia para a construção civil contabiliza um prejuízo superior a dois milhões de euros com o impacto da depressão Kristin, revelou um administrador.A passagem da depressão obrigou o grupo a parar o fabrico de produtos cerâmicos na Icercal, sediada em Albergaria dos Doze (Pombal), onde grande parte dos equipamentos ficaram danificados, disse à agência Lusa o sócio-gerente da empresa, Jorge Caetano.Além do impacto nessa empresa, a Sorgila, sociedade dedicada à extração e comercialização de argilas e areias para cerâmica e construção civil, ficou com cinco mil metros quadrados de pavilhões na sua sede, em Leiria, “completamente destruídos”, alguns camiões danificados e ainda impactos numa unidade de extração em Monte Redondo.O impacto nas duas empresas familiares, com mais de 50 anos de existência, “será superior a dois milhões de euros, entre coberturas e equipamentos danificados”, notou Jorge Caetano, que é também administrador da Sorgila.“O impacto maior, neste momento, é na Icercal, que está a interferir com a produção”, explicou, revelando que, eventualmente, será possível retomar a produção daquela empresa na primeira quinzena de março.Apesar disso, Jorge Caetano mostrou-se confiante em relação ao futuro, referindo que a seguradora contactou a empresa logo no dia da passagem da depressão.“Estamos a erguer-nos, já com orçamentações e adjudicações”, vincou, referindo que outras unidades de extração do grupo (fora da região de Leiria mais severamente afetada) não sofreram danos de maior.Apesar dos danos, o grupo, com cerca de 200 trabalhadores, decidiu não recorrer ao layoff.“Não achámos que faria sentido layoff por um mês. No caso da Icercal, os funcionários trabalham à vez e têm tempo também para reparar os danos que têm nas suas casas e assim vamo-nos entendendo”, disse.Segundo Jorge Caetano, na unidade de Monte Redondo da Sorgila foi possível retomar a produção com recurso ao aluguer de geradores e, face à destruição de armazéns, deslocalizaram matéria-prima para uma outra unidade em Pombal.“Ao início, não sabíamos se havíamos de chorar, mas decidimos arregaçar as mangas e pôr mãos à obra”, disse.Mesmo a braços com prejuízos, a empresa disponibilizou areia ao município para prevenir inundações e falou com clientes seus que produzem telhas para serem oferecidas à Câmara de Leiria, contou.“Apesar de nós termos tido prejuízos avultadíssimos, há gente com menos prejuízo e que está com a vida mais complicada do que nós”, constatou, salientando que têm recebido “muita solidariedade de clientes e amigos, de norte a sul”.Lusa.As competições da Associação de Futebol de Leiria (AFL) vão recomeçar em 6 de março, após terem sido suspensas devido aos efeitos do mau tempo, anunciou hoje a direção da instituição.Adiados desde o dia 29 de janeiro, os jogos das várias provas distritais vão começar a ser disputados a partir do próximo mês, implicando, contudo, o sacrifício das Taças Distrito de Leiria, para aliviar os constrangimentos do calendário desportivo.“No seguimento do levantamento efetuado do estado das instalações desportivas, levantamento da perspectiva de retoma da atividade desportiva, contactos efetuados com municípios com mais infraestruturas desportivas afetadas e auscultação dos clubes através de reuniões, a direção da Associação de Futebol de Leiria decidiu proceder à retoma das provas distritais”, lê-se no comunicado hoje divulgado.O regresso à competição será faseado, começando pelo futsal, no dia 6 de março, concretamente os campeonatos de seniores femininos e juniores e juvenis masculinos.As competições seniores de futebol masculino retomam nos dias 7 e 8 de março.Praticamente todas as competições vão recomeçar ou arrancar até ao fim do mês de março, com uma exceção: as Taças Distrito de Leiria de futebol e futsal foram canceladas nos diferentes escalões.A decisão foi tomada “tendo em consideração a necessidade da realização das jornadas das provas que definem subidas e descidas de divisão nas datas disponíveis”, pelo que as datas reservadas às taças serão utilizadas para esse fim.A AFL acrescenta que as jornadas em falta serão reagendadas pela ordem inicialmente definida, por ocasião do sorteio.A instituição admite que o calendário apresentado poderá sofrer alteração, “em virtude de algum fator relevante que comprometa a indicação agora efetuada”. Segundo o presidente da AFL, Carlos Mota Carvalho, mais de 90 dos 125 clubes da associação sofreram danos graves e muitos continuam sem eletricidade duas semanas após a tempestade Kristin.Cerca de 75% das instalações desportivas dos clubes com equipas de futebol e futsal inscritas na AFL ficaram danificadas na sequência do mau tempo.Lusa.Mau tempo: valor dos pedidos de apoio para habitações danificadas atinge 75 milhões de euros.As recentes tempestades provocaram uma “erosão costeira acentuada” no Algarve, com perdas significativas de sedimentos, recuo da linha de costa e quedas de arribas, alertou hoje o investigador Óscar Ferreira, defendendo intervenções urgentes.Em declarações à agência Lusa, o especialista em dinâmicas costeiras afirmou que a sucessão de episódios de mau tempo “originou perdas significativas” de areia em diversas praias algarvias e expôs as arribas à ação direta do mar, fenómeno que resultou em movimentos de massa e quedas de arribas em vários pontos do litoral.“Os impactos mais relevantes verificaram-se no troço entre Quarteira e Vale do Lobo, na zona de Forte Novo, no concelho de Loulé, onde se verificaram recuos da linha de costa considerados bastante relevantes, com movimentos de massa muito significativos”, afirmou o investigador do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve.O especialista em áreas de dinâmica costeira, riscos costeiros e gestão costeira, considera “tratar‑se de uma situação episódica, associada à sucessão de tempestades”, mas com “impactos duradouros em setores onde o recuo é contínuo e irreversível” sem intervenção humana.“As praias terão, na sua maioria, capacidade de recuperação natural e de retorno dos sedimentos ao longo dos próximos meses, mas, obviamente, em alguns troços, como o de Quarteira e do Forte Novo, o recuo é continuado e por isso a costa que recuou não voltará a avançar, a não ser de forma artificial”, argumentou.Como principal medida de mitigação nas zonas arenosas, o especialista aponta a reposição de areias nas praias “para adotarem não só capacidade balnear, mas também para minimizar o risco para as pessoas e para os bens”.Já na costa rochosa do Algarve, entre Olhos de Água (Albufeira) e Lagos, considera ser necessário reforçar “a monitorização e intervir onde exista risco iminente associado às arribas”.“Aí, terá de haver um cuidado acrescido nas zonas próximas das arribas e, provavelmente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que monitoriza [as arribas], fará intervenções em locais onde considere que possa haver risco iminente”, notou.De acordo com o especialista, a recolocação de sedimentos “tem um tempo de vida, sempre variável de local para local”, e ao fim desse tempo terá de ser feita sempre nova intervenção”.Óscar Ferreira defendeu que as soluções passam por uma combinação de estratégias, entre a alimentação artificial de praias, a recuperação de sistemas dunares e uma revisão do ordenamento do território nas zonas de maior vulnerabilidade.“As intervenções isoladas têm eficácia limitada sem uma abordagem integrada e contínua”, alertou.O investigador salientou ainda a importância da investigação científica e da monitorização permanente da costa para apoiar decisões políticas e técnicas, porque, “sem dados consistentes e atualizados, corre-se o risco de investir em medidas pouco eficazes ou de curto alcance”.Segundo Óscar Ferreira, o desafio da erosão costeira exige cooperação entre entidades públicas, comunidade científica e populações locais, num contexto em que as alterações climáticas “tendem a agravar a frequência e intensidade dos fenómenos extremos associados ao mar”.Na opinião do especialista, o problema “não pode ser revertido” e resulta, na maioria, de causas entrópicas, daí a necessidade de “reordenar o território e de relocalizar bens”.“Já deveríamos ter mais planos de relocalização e de reordenamento de território, porque a médio e longo prazo acabam por ser menos onerosos do que a manutenção de estruturas de proteção ou de realimentação artificial. Deveríamos estar a retirar em vez de ocupar”, defendeu.Óscar Ferreira sublinhou, ainda, que ao colocar-se areia, ou outro tipo de proteção, em áreas de risco, os gestores, sobretudo, “pensam que os locais estão salvaguardados e acabam por autorizar ocupações em áreas que efetivamente são de risco”, concluiu.Lusa.Um total de 476 pessoas foram retiradas das suas habitações no concelho de Almada desde que o território está a registar deslizamentos de terras devido ao mau tempo, das quais 225 estão alojadas pela autarquia, segundo dados oficiais.Pelo menos 30 deste total de pessoas desalojadas foram retiradas das suas habitações na terça-feira, na Costa da Caparica, depois de mais um deslizamento de terras nas arribas fósseis.Uma creche de uma Instituição Particular de Solidariedade Social instalada nesta zona recebeu indicação da Proteção Civil para não abrir o espaço exterior.Segundo fonte do município, vai ser criado um gabinete de apoio às pessoas afetadas, a ser instalado na Junta de Freguesia da Trafaria.Entretanto, adianta a mesma fonte, técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) visitaram zonas afetadas, nomeadamente a Azinhaga do Formozinhos/Porto Brandão e a arriba fóssil desde Santo António da Caparica a S. João da Caparica.Numa mensagem publicada na sua página da rede social Facebook, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, revelou que as equipas estão no terreno para avaliar os riscos futuros de desabamentos depois de as terras secarem.“O perigo mantém-se”, alertou a autarca, frisando que o município está “em todas as frentes para evitar uma tragédia maior”..Assinalando que “as respostas de emergência são temporárias”, Inês de Medeiros avisou que “não podem faltar medidas governamentais excecionais que garantam soluções definitivas de habitação, apoio à reconstrução e salvaguarda dos investimentos e postos de trabalho”.Na segunda-feira, durante a reunião de câmara, a autarca admitiu que muitas das pessoas que tiveram de sair das habitações no concelho devido ao deslizamento de terras, na sequência do mau tempo, não conseguirão regressar às casas.Desde o início das tempestades que assolaram o território português, o concelho de Almada tem registado vários deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão.Lusa.Municípios querem apoios para mais concelhos e isenção de portagens.Mau tempo: valor dos pedidos de apoio para habitações danificadas atinge 75 milhões de euros.O secretário-geral do PS afirmou hoje que quer conhecer a posição do primeiro-ministro sobre o impacto da resposta aos efeitos das recentes tempestades nas contas públicas, matéria que no seu entender está a dividir o Governo PSD/CDS-PP.José Luís Carneiro falava na sede nacional do PS, em Lisboa, numa conferência de imprensa em que apresentou um conjunto de propostas de apoio às populações, empresas e autarquias afetadas pelas tempestades.Questionado se o PS admite viabilizar um eventual Orçamento retificativo, José Luís Carneiro não respondeu diretamente à pergunta e considerou que "o Governo está dividido sobre a forma de responder a esta questão", apontando contradições entre os ministros da Economia e das Finanças."Está por conhecer a posição do primeiro-ministro. Pretendo, portanto, no debate que terei com o senhor primeiro-ministro na quinta-feira, procurar compreender qual é a posição que tem o senhor primeiro-ministro [Luís Montenegro] a propósito deste tema", acrescentou.O secretário-geral do PS referiu que "o ministro da Economia [Manuel Castro Almeida] veio dizer que em circunstância alguma o Estado poderia falhar às pessoas naquilo que são as suas necessidades fundamentais e, portanto, a questão orçamental não era a questão prioritária", enquanto o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, veio depois "dizer que, em circunstância alguma, se colocaria em causa o rigor das contas públicas e o rigor orçamental".Antes, nesta conferência de imprensa, José Luís Carneiro lembrou que o PS viabilizou, pela abstenção, o Orçamento do Estado para 2026."Não tivesse sido a responsabilidade do PS ao abster-se no Orçamento do Estado para 2026 e nós teríamos tido uma calamidade que se abateu sobre o país, estaríamos no meio de eleições presidenciais, o país estaria a responder a esta crise em duodécimos, e não saberemos como é que teriam terminado as eleições presidenciais num quadro de crise desta natureza e numa incapacidade do Estado para responder", disse.Segundo José Luís Carneiro, o PS tem colocando "o interesse do país acima dos interesses partidários", mas "o mesmo parece não acontecer da parte do Governo, que se tem manifestado insensível às propostas" do PS."Até hoje, naquilo que foram matérias centrais, aquilo que nós podemos observar é que houve uma tendência do primeiro-ministro para se entender com o Chega e não para se entender com o PS", criticou o antigo ministro da Administração Interna.Lusa.A Câmara de Anadia, no distrito de Aveiro, pediu ao Governo a integração do concelho na situação de calamidade após o mau tempo ter originado estragos em diferentes setores locais, revelou hoje a autarquia.A ausência de enquadramento formal no estado de calamidade coloca Anadia “numa posição de particular vulnerabilidade”, limitando o acesso a mecanismos de apoio financeiro e logístico indispensáveis à reposição da normalidade, defendeu o presidente da Câmara, Jorge Sampaio.De acordo com um comunicado enviado à agência Lusa, na solicitação remetida ao Governo, o autarca refere “danos expressivos” em infraestruturas municipais, equipamentos públicos e vias de comunicação.Jorge Sampaio menciona também “prejuízos relevantes em propriedades privadas e atividades económicas”, alertando ainda “para o impacto na capacidade operacional dos serviços municipais de Proteção Civil”.Segundo a autarquia, está a ser solicitada a implementação de medidas específicas de apoio, “nomeadamente uma avaliação técnica célere dos danos; apoios financeiros extraordinários para reparações de infraestruturas e equipamentos; reforço dos meios de Proteção Civil; e a criação de instrumentos excecionais que permitam responder, de forma eficaz, às consequências da intempérie”.O ofício foi enviado ao primeiro-ministro, ao Presidente da República, aos ministros da Economia e da Coesão Territorial, das Infraestruturas e Habitação e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro.A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.Lusa.Livre, BE e PCP contra regime de lay-off simplificado para empresas e trabalhadores afetados pelas tempestades. O município de Mesão Frio prevê, numa primeira estimativa, que os prejuízos causados pelo mau tempo ultrapassem os três milhões de euros no concelho, entre estradas, equipamentos públicos ou muros e taludes de vinhas derrubados.O presidente da Câmara de Mesão Frio, Paulo Silva, disse hoje à agência Lusa que um primeiro levantamento aos estragos causados pela chuva intensa, acompanhada de vento, aponta para que os prejuízos ultrapassem os três milhões de euros, podendo chegar aos 3,5 milhões de euros.O autarca explicou que os técnicos do município percorreram o concelho para um primeiro levantamento, que já foi remetido para o Ministério da Economia e Coesão Territorial.Paulo Silva disse que as intempéries provocaram deslizamentos de terra e de taludes, quedas de muros, que se traduziram em estradas cortadas ou condicionada, em abatimentos de vias, em vinhas atingidas, também casas e ainda equipamentos públicos, como desportivos.Neste concelho há cerca de 900 viticultores, dos quais 90% com menos de um hectare, e a área de vinha ronda os mil hectares. Aqui residem cerca de 3.400 habitantes.Os tradicionais muros de xisto (pedra posta), que suportam os socalcos da região demarcada, são um dos elementos identitários do Alto Douro Vinhateiro, classificado pela UNESCO em 2001.Para recuperar os danos que "ultrapassam largamente" a capacidade de resposta municipal, o autarca apelou à solidariedade nacional, defendendo apoios concretos para ajudar quer os municípios, quer os agricultores afetados.“Tem que haver um forte apoio do Estado. Esta é uma câmara que tem um orçamento muito curto, do Estado recebemos pouco mais de seis milhões de euros e nós vivemos essencialmente com verbas do Estado”, afirmou.A Câmara de Mesão Frio aprovou um orçamento de cerca de 13 milhões de euros para 2026, com quatro milhões provenientes de fundos comunitários para obras.Paulo Silva alertou ainda para o elevado custo que representa a reposição dos muros de xisto e referiu que, com poucos rendimentos, há muitos viticultores sem capacidade para os recuperar.Lusa.Governo avança com apoio de 3,5 milhões para pescadores afetados pelo mau tempo.O PS acusou hoje o Governo de falhar no apoio às populações afetadas pelas recentes tempestades e defendeu que a situação de calamidade se deve manter pelo menos até ao fim de junho, em mais concelhos.Num projeto de resolução hoje apresentado pelo secretário-geral do PS, propõe-se que a situação de calamidade – que terminou no domingo e abrangia 68 concelhos – seja estabelecida "até 30 de junho de 2026, com reavaliação posterior, para possível prorrogação até 30 de setembro de 2026, e alargando o seu perímetro a outros concelhos que já pediram essa declaração por razões objetivas relativas aos danos que sofreram".Em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro afirmou que o Governo PSD/CDS-PP "está a falhar na resposta às populações" com medidas que "não estão a chegar à vida das pessoas nem à vida dos municípios" e defendeu que é preciso, antes de mais, estender a situação de calamidade e adotar "mecanismos ágeis".O PS propõe, entre outras medidas, que a Assembleia da República recomende ao Governo a criação de um "programa de apoio à recuperação das empresas e manutenção do emprego" que preveja "um apoio não reembolsável" de "até três salários mínimos por cada trabalhador", de "um programa complementar de 'lay-off' simplificado" que evite "perdas de rendimento" para os trabalhadores e de um "programa de apoio complementar às famílias para recuperação da habitação".Lusa.Encontrados dois corpos no carro do casal de idosos de Montemor-o-Velho desaparecido há mais de uma semana