Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.Foto: Paulo Spranger

Dívidas de empresas e famílias nas regiões da calamidade ascendem a 32 mil milhões de euros

Segundo o Banco de Portugal, há 239 mil famílias e 39 mil empresas com dívidas à banca nas regiões afetadas. É preciso "manter uma adequada gestão e avaliação do risco de crédito", alerta o regulador.
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Nas regiões ou autarquias que estavam em situação de calamidade, mas que continuam a viver dias difíceis e a defrontar-se com graves contrangimentos sociais e económicos (com centenas de empresas fechadas ou a trabalhar a meio gás e quase mil trabalhadores em lay-off) residem cerca de 239 mil particulares com dívidas ao banco por motivos de compra de casa, sendo o valor global desta dívida hipotecária na ordem dos 12,1 mil milhões de euros, revelou o Banco de Portugal (BdP), esta quarta-feira, 18 de fevereiro.

A somar a estes empréstimos, o BdP deixa implícito que os particulares que vivem nestas áreas severamente afetadas pelo mau tempo das últimas semanas devem aos bancos mais 9,4 mil milhões de euros em empréstimos para consumo e outros fins (como aquisição de carros ou viagens, por exemplo).

No total, os particulares que residem nos 68 concelhos que estiveram oficialmente em situação de calamidade até ao passado 15 (estado que o governo decidiu não prolongar), devem à banca 21,5 mil milhões de euros, de acordo com o comunicado.

Juntando a exposição à dívida das empresas, o total global do valor dos empréstimos contratados por residentes nas regiões devastadas é de 32 mil milhões de euros. Só para se ter uma noção da grandeza, é o equivalente a cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) anual do país.

"Tendo como ponto de referência dezembro de 2025, os empréstimos do setor bancário a empresas e particulares com residência fiscal em concelhos em situação de calamidade ascendiam a 32 mil milhões de euros", explica o banco central.

"Este montante repartia-se entre 10,5 mil milhões de euros de empréstimos a empresas e 21,5 mil milhões de euros a particulares, dos quais 12,1 mil milhões de euros correspondiam a créditos à habitação própria e permanente. Estas exposições estão associadas a cerca de 239 mil mutuários no caso do crédito à habitação própria e permanente e a cerca de 39 mil empresas."

Cerca de 39 mil empresas

Portanto, o nível de "exposição" da banca, que pode vir a traduzir-se numa degradação do risco de crédito, é superior porque há bastantes clientes empresariais também nestas regiões, sobretudo concentrados no centro do país.

Como referido, segundo o banco central governado por Álvaro Santos Pereira, aos clientes bancários particulares, muitos deles em sérias dificuldades, alguns ainda sem luz e telecomunicações, juntam-se 39 mil empresas que têm empréstimos bancários por pagar, num valor global de 10,5 mil milhões de euros.

Acompanhar risco de famílias e empresas

O Banco de Portugal envia este primeiro ponto da situação, sinalizando já que é preciso ter cautela, aconselhando os bancos a medirem bem o risco de incumprimento.

Sobretudo, daqui para a frente, na eventualidade de uma forte degradação da atividade económica, que pode muito bem acontecer, tendo em conta a quantidade imensa de empresas paradas ou mesmo destruídas e dos empregos que podem estar em risco ou mesmo desaparecer.

Para já, a autoridade monetária sublinha que, neste momento, o risco de crédito destes devedores não se altera, mesmo o dos clientes que aderiram à moratória de três meses, em vigor até 28 de abril.

Em comunicado, o Banco de Portugal considera que "a adesão dos devedores a esta moratória não conduz, por si só, à reclassificação automática de risco das suas obrigações de crédito, para efeitos contabilísticos ou prudenciais", mas que "tal não dispensa as instituições [os bancos] do dever de manter uma adequada gestão e avaliação do risco de crédito e a proceder em conformidade com a regulamentação aplicável".

Fornecimento de efetivo e troca de notas destruídas

Na nota de imprensa, o BdP diz que vai tentar assegurar que não faltam notas nas zona afetadas e que está disponível para trocar as notas que possam ter sido "danificadas" por causa das cheias e das tempestades.

O Banco de Portugal refere que "mantém-se em contacto com as empresas de transporte de valores, as instituições de crédito e a SIBS [que detém a rede Multibanco], para identificação de eventuais constrangimentos no acesso a numerário, designadamente por indisponibilidade de caixas automáticas (ATM) nas zonas mais afetadas pelas tempestades".

Finalmente, o Banco de Portugal indica que "disponibiliza um serviço de valorização de notas que permite, a título gratuito e mediante o cumprimento de determinadas regras, a substituição de notas danificadas", podendo saber-e mais sobre este serviço no site do BdP bportugal.pt.

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