A Fenprof vai denunciar junto da Comissão Europeia a situação de milhares de professores do ensino profissional de escolas particulares, fazendo acusações de “práticas abusivas” e de imposição de horários de trabalho “excessivos e desregulados”.“A realidade vivida nas escolas continua marcada pela manutenção de práticas abusivas e pela ausência de soluções estruturais”, acusa a Fenprof que revelou esta terça-feira, 26 de maio, que vai reunir-se, na próxima semana, com a representação em Portugal da Comissão Europeia.O encontro tem como objetivo denunciar uma situação “inaceitável, que perpetua a precariedade, fragiliza a Escola Pública e desrespeita milhares de profissionais”, escreve a Federação Nacional dos Professores, que lembra que tem vindo a denunciar o agravamento da situação laboral dos professores das escolas profissionais no ensino privado.Entre os problemas apontados pela maior estrutura sindical docente, estão os “horários de trabalho excessivos e desregulados” mas também “abusos nos calendários escolares, com prolongamento indevido de atividades letivas e avaliações para além do que é exigido e seria aceitável no restante ensino secundário”.A Fenprof acusa ainda as escolas de obrigar os professores a repor aulas não dadas por motivos de doença ou por greve e de manter um modelo “assente na precariedade de milhares de técnicos especializados” que exercem funções docentes permanentes “sem estabilidade, carreira ou direitos equiparados aos restantes professores”.A federação considera que as condições de trabalho destes professores se degradaram “acentuadamente na última década, com a aplicação de uma sobrecarga horária letiva aos professores, chegando esta a um total anual de 880 horas”.A Fenprof exige melhores salários e que estes profissionais sejam integrados na carreira do Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) do Ensino Particular e Cooperativo e que lhes seja contabilizado o tempo de serviço em falta, relativo ao período de caducidade do CCT que ocorreu entre 2015 e 2022.“O financiamento público canalizado pelo Estado para as escolas privadas deve reverter, obrigatoriamente, na melhoria das condições de quem nelas trabalha”, defende a Fenprof em comunicado divulgado hoje.Os Sindicatos da federação denunciam ainda o “recurso sistemático e abusivo a técnicos especializados”, pedindo o combate à precariedade, investimento público “estável e sustentado” e a modernização de equipamentos e infraestruturas.A negociação de um Contrato Coletivo de Trabalho para o EPC que respeite as especificidades do ensino profissional é outra das lutas da Fenprof, que pede que seja atualizado o financiamento das turmas do ensino profissional privado, equiparando-o aos custos das turmas das escolas públicas..Diretores escolares pedem reforço do Ensino Profissional.Partido Socialista propõe como meta ter 50% dos alunos a optar pela via do ensino profissional