“O número de caracteres que temos disponíveis também é limitadíssimo”, avalia.
“O número de caracteres que temos disponíveis também é limitadíssimo”, avalia.Foto: Leonardo Negrão

Depressões. “Temos de cumprir uma série de requisitos no envio de SMS”, explica comandante

O comandante Regional de Emergência e Proteção Civil, Elísio Oliveira, explica os pormenores que devem ser levados em conta no envio de alertas nos telemóveis.
Publicado a
Atualizado a

No recente comboio de tempestades que atingiu o País surgiram dúvidas e críticas relacionadas com os avisos à população enviados por SMS. Chegaram tarde? Deveriam ter sido mais? A mensagem deveria ser mais longa? Foram estas algumas das questões levantadas sobre o tema que dominaram a opinião pública entre o final de janeiro e meados de fevereiro.

O que talvez nem todos saibam é que as mensagens precisam de obedecer a uma série de requisitos, explica o comandante Regional de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, Elísio Oliveira. “Primeiro, tivemos de pedir autorização à Comissão Nacional de Proteção de Dados para poder transmitir essas mensagens”, começa por dizer este responsável, que tem mais de 40 anos de experiência na área da proteção civil.

Depois, cada mensagem tem uma limitação no número de caracteres que podem ser transmitidos, que é de 160. “O número de caracteres que temos disponíveis também é limitadíssimo”, avalia. É exatamente esse o tamanho da SMS enviada sobre a depressão Kristin: “Depressao Kristin: Vento intenso ate 140 km/h nas proximas horas na sua regiao. Fique atento. Siga recomendacoes autoridades. Info:800246246/www.prociv.gov.pt”

Se forem usados caracteres especiais, a limitação é ainda maior. Por isso, cada mensagem precisa de ser muito concisa. “Isto é como tudo. Se perguntarmos a dez pessoas, cada uma tem uma visão diferente daquilo que devemos colocar ali na mensagem. Podemos questionar, por exemplo, numa das mensagens da depressão Kristin, porque é que está lá a indicação para consultarmos o site do IPMA. Ora, é porque é onde está a informação meteorológica oficial”, destaca.

Há também uma diferença no tempo de envio por parte das operadoras. “O momento em que as pessoas recebem a informação também é díspar. Se formos ver, dependendo dos operadores, pode haver pessoas que recebem a mensagem nos minutos seguintes”, exemplifica.

E mais: há outro limite, que é o número de envios que podem ser feitos pelas autoridades. “Não podemos mandar muitas mensagens. Temos de seguir estes pressupostos todos para fazer chegar a mensagem e tentamos que ela seja o mais assertiva possível”, vinca.

Perante estas regras no envio, o comandante destaca que aquilo que pode ser melhorado, a partir do que foi aprendido recentemente, é a assertividade do conteúdo. Elísio Oliveira avalia também o uso de redes municipais. “A Amadora, por exemplo - e há vários serviços municipais - tem sistemas próprios. A Amadora dispara mensagens para aquela população específica. Nós também podemos direcionar isto”, sublinha.

A localização é outra dificuldade, porque é difícil saber exatamente onde ocorrerão os maiores estragos numa tempestade. “Não sabemos exatamente onde é que a tempestade vai entrar. Não há forma de saber com precisão. Podemos alertar pessoas que não têm nada a ver com aquilo e onde não vai acontecer nada. E assim perdemos credibilidade na informação. Portanto, também aqui tentamos ser muito assertivos”, complementa.

“Temos de mudarestes comportamentos”

Sobre qual deve ser o comportamento das pessoas ao receber os alertas da Proteção Civil, o comandante dá um exemplo clássico. “A agitação marítima. Tivemos ondas de 11 metros, uma grande devastação em toda a orla costeira, certo? Os avisos eram permanentes, dizendo para não irem para a orla marítima. As pessoas foram. Tínhamos jornalistas lá a mostrar como estavam as ondas e, depois, tínhamos pessoas a ir passear para junto do mar, a tirar selfies, com crianças. Temos de mudar estes comportamentos”, alerta.

E como é que isto pode ser feito? O comandante acredita que a resposta está nas escolas. “É uma questão cultural. Temos de entrar nas escolas e fazer todas estas ações de sensibilização para mudar este comportamento. Porque a nossa grande dificuldade está no comportamento das pessoas, fazer com que elas mudem. Como latinos, temos o coração muito ligado à ação e, por vezes, não pensamos - agimos muito de coração e por impulso”, refere.

Depois, afirma que o que as pessoas devem fazer nestas situações é o básico: “Simplesmente seguir as recomendações que lá estão. Dizemos sempre quais são as medidas que o cidadão deve cumprir.”

amanda.lima@dn.pt

“O número de caracteres que temos disponíveis também é limitadíssimo”, avalia.
Arruda dos Vinhos estima 20 milhões de euros para reconstruir estradas
“O número de caracteres que temos disponíveis também é limitadíssimo”, avalia.
Kristin: Apoios não chegam para cobrir custos de reconstrução e número de famílias a pedir ajuda dispara

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt