Os pedidos de ajuda das famílias afetadas pela depressão Kristin não páram de chegar à Deco, sobretudo por parte dos agregados com baixos rendimentos e reformados. São dezenas de chamadas que a associação tem recebido diariamente com relatos de pessoas que não têm condições para suportar os custos inerentes à reconstrução das suas casas, apesar dos apoios disponibilizados pelo Governo. “Há quem nos ligue numa situação muito aflitiva, famílias que perderam as casas e não sabem o que fazer e outras que sofreram grandes danos e cujos custos da reabilitação são muito superiores ao montante dos incentivos financeiros”, revela ao DN Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira (GAF) da Deco.O pacote de medidas de emergência aprovado pelo Executivo, no valor global de 2,5 mil milhões de euros, define um um teto máximo de10 mil euros para os encargos com obras e intervenções necessárias à reparação, reabilitação ou reconstrução de habitação própria e permanente danificada pela tempestade. “Para muitas famílias, estas ajudas não serão suficientes para proceder às reparações na totalidade”, atesta a representante da associação para a defesa do consumidor. Um mês depois de o mau tempo ter assolado o país, provocando um rasto de destruição sem precedentes, o levantamento dos prejuízos, que se estima que possam atingir os seis mil milhões de euros, continua em curso. As contas aos danos são também a dor de cabeça das famílias afetadas pela depressão, principalmente na zona Centro, que viram as suas habitações devastadas pela tempestade. .Período das moratórias é “insuficiente” e famílias querem alargamento ao crédito pessoal .O peso dos créditos no orçamento doméstico figura entre as principais preocupações dos proprietários, que consideram escasso o período das moratórias aos empréstimos bancários concedido pelo Governo. A suspensão do pagamento das prestações mensais, outra das medidas que consta do pacote de ajudas à tempestade, aplica-se durante o prazo de 90 dias a partir do dia 28 de janeiro. “Três meses é um prazo manifestamente curto, um mês já passou e só faltam dois. Muitas pessoas ainda estão a reconstruir e a recuperar, ainda nem sequer têm novamente os mesmos rendimentos que tinham antes da tempestade”, retrata Natália Nunes. A responsável explica que estes agregados foram “afetados a vários níveis”, não só por via dos danos na habitação, mas também através da diminuição dos rendimentos mensais “porque as empresas estão numa situação de lay-off”. “Quando as moratórias terminarem, teremos outra nova vaga de pedidos de ajuda destas famílias em dificuldades”, antecipa. Uma das dúvidas que mais chega à Deco, é se as moratórias são extensíveis aos créditos pessoais conforme aconteceu na covid. Recorde-se que durante a pandemia, o Governo aprovou moratórias durante seis meses, calendário que foi prolongado até aos 12 meses através de um protocolo privado da banca. Além disso, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) estendeu o mecanismo aos créditos pessoais e ao consumo, medida que as famílias gostariam de ver replicada.Segundo Natália Nunes, muitos dos consumidores que procuram apoio acumulam o crédito à habitação com outros financiamentos, como créditos pes- soais ou cartões de crédito. “São famílias com um nível de rendimentos substancialmente baixo e o impactos destes créditos está a colocá-las em dificuldades. Alguns créditos foram feitos na sequência da própria compra da casa, por exemplo para mobilar a habitação ou suportar outras despesas relacionadas com o negócio”, elucida. Mesmo com a suspensão temporária do crédito da casa, os agregados afetados pela depressão Kristin continuam a não conseguir cumprir as obrigações referentes às prestações. A situação agrava-se, refere a coordenadora do GAF, uma vez que muitos já viviam com recursos muito limitados e viram o seu sustento cair. “Há pessoas que estão sem rendimento ou com rendimentos muito baixos”, aponta. O quadro mais delicado verifica-se, contudo, junto dos reformados sem créditos e sem seguros que não têm direito a qualquer ajuda para fazer face aos elevados custos das reparações. “Estão numa situação de maior vulnerabilidade pela questão da idade, mas também em termos económicos. São pessoas que foram confrontadas com danos nas suas casas e a maior parte não tem seguros que possa acionar. Portanto, têm de suportar todos encargos da reconstrução e a maioria não tem possibilidade de o fazer. Estas são, sem dúvida, as situações mais problemáticas”, conclui..Prejuízos no turismo do Centro superam os 15 milhões de euros e setor pede apoios a fundo perdido