Aluno só recebeu uma parte do exame de Português.
Aluno só recebeu uma parte do exame de Português.Foto: Tiago Petinga / Lusa

Aluno de Viseu diz que diretor da escola reconheceu em tribunal erros na digitalização do exame

Começou o julgamento do caso de Martim Duarte, o aluno cujo exame tinha folhas em falta. Estudante apenas teve acesso à correção de cerca de um terço da prova.
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O diretor da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, reconheceu que ocorreram falhas no processo de digitalização do exame de Martim Duarte, segundo disse o próprio aluno ao DN após a primeira sessão de julgamento. "O diretor da escola reconheceu que efetivamente ocorreram erros no processo de digitalização do meu exame", afirma o estudante. O julgamento no Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu, arrancou esta quarta-feira, 21 de outubro.

O caso tornou-se um dos temas mais mediáticos do país, em agosto. A digitalização da prova estava incompleta e, ao receber os resultados, foi-lhe atribuída uma nota de 4,3 valores (em 20). A família constatou que a nota correspondia a apenas um terço da prova, tendo desaparecido cerca de dois terços das suas respostas da plataforma digitalizada.

Segundo o pai e advogado do estudante, Paulo Duarte, a nota real estimada estaria próxima dos 14,1 valores caso toda a prova fosse contabilizada. A família recorreu ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu (TAF), tendo decorrido esta manhã a primeira sessão com a inquirição e audição das testemunhas.

Martim Duarte explica que a sua mãe e encarregada de educação, Sofia Castro, foi a primeira testemunha a ser ouvida. Seguiu-se a audição, na qualidade de testemunha, do diretor da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu. “O diretor da escola reconheceu que efetivamente ocorreram erros no processo de digitalização do meu exame, um aspeto particularmente relevante para o esclarecimento dos acontecimentos que deram origem a este processo judicial”, adianta.

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Para o jovem, “este reconhecimento assume especial importância, uma vez que foi feito pelo próprio diretor da instituição de ensino, em sede de tribunal, no âmbito de um processo relacionado com o desaparecimento de um exame nacional”. O estudante adianta ainda que o seu advogado, Paulo Duarte, deu entrada com uma ação judicial destinada a dar seguimento à providência cautelar relacionada com este caso, “constituindo mais um desenvolvimento relevante no âmbito dos procedimentos judiciais em curso”.

Martim Duarte considera importante dar nota da evolução do seu caso devido ao “interesse público, nomeadamente no que diz respeito à transparência dos procedimentos de avaliação, à responsabilidade das entidades envolvidas e à salvaguarda dos direitos dos alunos”. O jovem pretende esclarecer os erros cometidos e perceber "a fiabilidade dos procedimentos de digitalização e tratamento dos exames nacionais".

Recorde-se que a transição para a correção digital dos exames nacionais, implementada de forma generalizada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, ficou marcada por uma forte contestação e falhas técnicas na plataforma de correção e na digitalização das provas. O processo, desenhado para modernizar a avaliação, acabou por gerar o caos nas notas publicadas, pautas com a menção de nota "suspenso", e exames com folhas de resposta em falta.

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