Relatórios. Falha na leitura dos códigos QR causou atraso na correção dos exames nacionais
As falhas na leitura dos códigos QR, essenciais ao processo de digitalização e identificação das provas dos exames nacionais, foram uma das principais dificuldades que causaram o atraso na correção e distribuição das provas na 1.ª fase dos exames, de acordo com os relatórios elaborados pelo Júri Nacional de Exames e a Deloitte, entidades envolvidas no processo de classificação.
Ambos os relatórios admitem e escrutinam as várias falhas que existiram em todo o processo, desde a impressão dos QR Codes nas próprias folhas de exame à falta de folhas de exame e a divergências na correção. O Júri Nacional de Exames, agora integrado no EduQA, frisa especialmente as "dificuldades técnicas relevantes na leitura dos códigos QR das folhas de resposta", um dos pontos iniciais para identificar as provas digitalizadas em formato PDF e distribui-las aos classificadores.
No relatório elaborado pela entidade, lê-se que estas dificuldades "não se tinham verificado aquando da realização do piloto em 2025" e acabaram por se espalhar às restantes fases da correção, desde a indexação das folhas à preparação e subsequente avaliação pelos professores corretores dessas mesmas provas.
Segundo o JNE, "foram introduzidas medidas corretivas nos sistemas de leitura dos códigos QR", algo que permitiu "iniciar o processo de classificação das provas pelos professores classificadores". Porém, estas irregularidades atrasaram todo o processo e forçaram à entrega "gradual" das folhas de exame aos professores classificadores, algo que resultou no atraso verificado.
"Neste contexto, e de forma a assegurar a continuidade da classificação dos exames finais nacionais, foi mobilizado apoio informático adicional, incluindo a contratualização de uma empresa externa especializada em processos semelhantes e com conhecimento do sistema educativo, a Deloitte", lê-se neste documento do JNE.
No relatório da Deloitte, a consultora lista uma série de falhas que ocorreram no sistema, ordenando-as das menos para as mais críticas. As mais críticas, lê-se, foi na identificação das escolhas múltiplas pelo sistema de digitalização e na leitura dos próprios códigos pelo algoritmo da Plataforma de Correção e Supervisão (PCS).
A Deloitte apontou "limitações relevantes" desta ferramenta que não conseguia reconhecer "uma parte significativa dos códigos, sem que fosse possível, à data, determinar a dimensão exata do problema".
Esta situação obrigava a uma correção manual, algo que tentou ser melhorado com a introdução de um "mecanismo alternativo de reconhecimento ótico". Porém, a consultora aponta que a "solução" encontrada acabou por ser pior que a forma original dos códigos QR.
"Este mecanismo apresentava níveis de reconhecimento substancialmente inferiores aos da leitura dos QR Code, aumentando as leituras incorretas e mantendo a necessidade de correção manual", lê-se. Toda esta situação só foi resolvida, explica a Deloitte, quando um novo algoritmo para a leitura e identificação de códigos QR foi introduzido na segunda fase dos exames para a correção e logo na primeira para identificar e corrigir eventuais erros nas leituras dos códigos.
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