Acampada de Lisboa diz que PSP permite que se volte a dormir ao relento no Rossio
Centenas de pessoas juntaram-se durante a noite desta quinta-feira, 22 de outubro, na Praça do Rossio, em Lisboa, para dar continuidade aos protestos pelo direito à habitação, tendo a organização comunicado que a polícia vai permitir que voltem a dormir ao relento.
Pouco depois das 19:00, o movimento Primavera de Corus abriu a assembleia popular no Rossio ao som da música Labuta, do coletivo Criatura, ecoando “nada na vida se alcança sem dar sentido e amor à luta”.
Com apenas duas tendas montadas, que simbolizam a luta pelo direito à habitação, os participantes juntaram-se para ouvir algumas informações da organização da acampada, que nos últimos dias tem marcado presença numa das mais emblemáticas praças da capital.
A organização informou que a PSP indicou que a “aconchada” pode continuar esta noite, desde que o protesto termine à meia-noite e meia e não sejam montadas tendas.
Em resposta, ouviu-se a frase de ordem “polícia alinha, anda fazer conchinha”.
A organização propôs também que a assembleia popular de hoje seja centrada na preparação da manifestação marcada para este sábado, às 15:00, e apelou às centrais sindicais para que se juntem ao protesto pela habitação com a marcação de uma greve geral.
Nesta assembleia deverá também ser decidido se o protesto continua durante a noite com a “conchada” uma vez que, segundo a organização, isso está sujeito à disponibilidade de um número mínimo que consideram de segurança para pernoitarem na praça.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto em 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
Em 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia.
Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
