Construção e habitação pública são solução para crise na habitação, diz Governador do Banco de Portugal
O governador do Banco de Portugal (BdP) insistiu esta quinta-feira, 22 de outubro, que as soluções para a crise na habitação têm de vir do lado da oferta, com mais construção e habitação pública, apelando a consenso a nível nacional.
Num seminário organizado pelo BdP com o Banco de Espanha realizado esta quinta-feira em Lisboa, Álvaro Santos Pereira salientou que o banco central tem estado a falar no tema da habitação, mas que a sua função é apresentar os dados e não entrar no debate político.
O banco central tem vindo a "reiterar há bastante tempo que as soluções têm de vir do lado da oferta, construir mais", e, por outro lado, a nível internacional, a habitação pública está "bastante abaixo do que acontece na OCDE", sendo outra área que tem de ser trabalhada.
Para o governador, é necessário aumentar a oferta e habitação pública, admitindo ainda assim que "também existe problema de atração de mão-de-obra para o setor".
O governador do Banco de Espanha, José Luis Escrivá, também presente no painel, salientou que o setor da construção saiu muito danificado da crise anterior e tem tido dificuldade em acompanhar a necessidade de construir casas.
Santos Pereira sinalizou ainda que se deve agilizar licenciamentos e diminuir a burocracia para aumentar a oferta o mais rapidamente possível, assumindo que também se viu noutros países, como no Canadá, na Austrália e na Suécia, que "quando existe desequilíbrio, demora tempo" a resolver.
"O que é importante é coletivamente darmos conta do que está a acontecer, deste desequilíbrio, e tentar chegar ao acordo e consenso possível a nível nacional para darmos soluções ao problema", apontou, defendendo também a necessidade de trabalhar em conjunto para ultrapassar este desafio.
Os governos, o setor privado, as autoridades locais e as universidades devem trabalhar em conjunto para melhorar a situação o mais rápido possível, argumentou.
