Nuno Morais Sarmento falou de um estado terminal no 41.º Congresso do PSD, realizado a 25 de novembro de 2023, menos de quatro meses antes da vitória da AD nas legislativas de 10 de março de 2024, terminando um período de oito anos de governação socialista. Todos os militantes sociais-democratas que o aplaudiram no Complexo Municipal dos Desportos da Cidade de Almada puderam observar o estado debilitado do antigo ministro e vice-presidente do partido, que morreu neste sábado, 7 de março, aos 65 anos, mas a referência de Morais Sarmento nada tinha a ver com o seu estado de saúde.Morais Sarmento falou do "estado terminal de credibilidade e decência a que infelizmente chegámos, arrastando o país com ele", referindo-se à governação de António Costa. Em causa estavam as ondas de choque da Operação Influencer, que levara à demissão do primeiro-ministro, e atual presidente do Conselho Europeu, com o antigo vice-presidente do PSD a assumir a responsabilidade de criar a vaga de entusiasmo que culminaria na surpresa da vinda do antigo primeiro-ministro e Presidente da República, Cavaco Silva, ao encerramento do 41.º Congresso do PSD.Mas durante a tarde foi a Morais Sarmento, um dos históricos do PSD mobilizados para o que todos acreditavam ser um momento de viragem, que coube protagonizar um momento simbólico. Acabado de chegar ao púlpito, para uma intervenção que durou 15 minutos, chamou até si Montenegro. O homem que até há poucas semanas tinha a expectativa de tentar manter-se líder da oposição até 2026, face à maioria absoluta do PS, levantou-se da mesa do congresso e recebeu um presente.Morais Sarmento ofereceu-lhe um pin que pertencera a Francisco Sá Carneiro, e que o fundador do então PPD utilizara na primeira vitória eleitoral do partido, explicando que lhe fora endossado por Leonor, uma apoiante de primeira hora cuja idade não lhe permitia deslocar-se ali. "Também com ele vamos ter uma vitória eleitoral no próximo dia 10 de março", profetizou.Depois de entregar o talismã, Morais Sarmento deixou "três breves notas" sobre os meses que o PSD teria pela frente. "Muito vai acontecer e nos poderá distrair", advertiu, considerando "particularmente importante que possamos manter a cabeça a fria e ter sempre presente que o nosso foco sao as eleições e o nosso adversário é o PS". Mencionou a disputa interna entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, comentando sobre o primeiro, que viria a ser eleito secretário-geral do PS, que "uma coisa é a Geringonça por necessidade, e outra bem diferente é a geringonça por opção". Sobre António Costa, disse que estaria "a fazer um teatro em três atos", falando de "um processo-crime contra ele que não existe" e de uma "possibilidade de ser constituido arguido que não está em cima da mesa", exigindo-se que a investigação terminasse antes das eleições, para o agora presidente do Conselho Europeu ser ilibado de qualquer suspeita.Para o final, guardou a ideia de que era necessário "pôr o interesse de Portugal à frente do interesse do próprio partido", tornando necessário "não arriscar" uma nova vitória socialista, para o que seria necessário ter mais partidos ao lado. "Não vejo que exista qualquer impedimento para que seja possível promover, com o CDS e com a Iniciativa Liberal,uma base comum que permita acrescentar àquilo que, consistente e laboriosamente, o nosso líder tem feito", disse, defendendo que "o todo é mais do que a soma das partes".Mesmo sem os liberais, a AD acabaria por ser uma realidade, com o CDS, o PPM e independentes a juntarem-se ao PSD na difícil vitória nas legislativas de 2024. "Tal como Durão Barroso era o homem que nunca seria primeiro-ministro e foi; tal como Carlos Moedas era o homem que nunca seria presidente da Câmara de Lisboa e é; Luís Montenegro, de que dizem ser impossível ganhar as próximas eleições, será o vencedor", concluiu, entusiasmando os militantes que viam aproximar-se o final de uma longa travessia do deserto da oposição..Morreu Nuno Morais Sarmento