Morreu Nuno Morais Sarmento
Leonardo Negrão

Morreu Nuno Morais Sarmento

Tinha deixado a presidência do Conselho de Administração da FLAD em janeiro por razões de saúde. Tinha 65 anos.
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Nuno Morais Sarmento, que exerceu funções de ministro da Presidência nos governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, morreu este sábado, 7 de março. Tinha 65 anos.

Morais Sarmento foi, até janeiro passado, presidente do Conselho de Administração da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). No inºicio desse mês apresentou a demissão por considerar não poder garantir as "condições pessoais e de saúde necessárias à sua completa realização". Assumira o cargo em agosto de 2024.

Lutou contra um cancro na próstata e depois contra um cancro no pâncreas, que demorou a diagnosticar e que o obrigou a prolongadas hospitalizações e várias cirurgias.

Em 2024, num podcast do Expresso, admitiu que chegou a despedir-se dos dois filhos: “Estive com um pé lá e um cá, lutei e dei um passo atrás. Tenho a certeza de que a vida não acaba aqui”. Passou por 12 cirurgias e passou praticamente dois anos internado no hospital.

A última grande intervenção pública do Nuno Morais Sarmento foi no congresso do PSD de 25 de Novembro de 2023, que estava marcado como meramente estatutário, mas se tornou a rampa de lançamento para o poder devido à Operação Influencer. Muito debilitado, subiu ao palanque do pavilhão, em Almada, para oferecer a Montenegro um pin que pertencera a Sá Carneiro, como talismã.

Morais Sarmento colocou a mira em Pedro Nuno Santos, dizendo que "uma coisa é a geringonça por necessidade e outra é a geringonça por opção".

Foi um dos momentos altos desse congresso, até porque era evidente que Morais Sarmento estava bastante debilitado. Mas acabou por ficar para segundo plano devido à aparição de Cavaco Silva para o encerramento.

Advogado, Mrais Sarmento foi assessor jurídico do Gabinete do Alto Comissariado do Programa Nacional de Prevenção da Toxicodepência - Projecto Vida e administrador do Centro de Rabilitação de Alcoitão.

Militante da Juventude social-democrata, exerceu cargos de topo dentro do partido, tendo sido eleito vice-presidente do PSD em 2002, quando Durão Barroso era o líder, e novamente dois anos depois, já com Pedro Santana Lopes na liderança.

Entre 2008 e 2010, quando Manuela Ferreira Leite liderava o partido, foi presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD.

Em 2010 apoiou a candidatura de Paulo Rangel para a liderança do partido, a qual foi derrotada pela de Pedro Passos Coelho.

Foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique a 5 de outubro de 2023.

Foi também assessor da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, membro fundador da Comissão Nacional de Proteção de Dados, membro do Conselho Superior do Ministério Público e da Autoridade de Controlo Comum de Schengen.

Mais recentemente apoiou a candidatura de Luís Marques Mendes à Presidência da República. "É uma referência de seriedade, independência de pensamento e sentido de Estado", considerou o candidato quando lhe agradeceu esse apoio.

Nuno de Albuquerque de Morais Sarmento, nascido em Lisboa, em 31 de janeiro de 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, em 1984, com uma pós-graduação em Direito Comunitário, pelo Centro de Estudos Europeus da Universidade Católica Portuguesa, em 1996.

ERam, segundo um comunicado do PSD, bisneto, pelo lado paterno, do Par do Reino António Eduardo Vilaça, que foi Ministro dos Negócios Estrangeiros dos reis D. Carlos I e D. Manuel II.

Maior que os cargos que desempenhou

O presidente da República reagiu à morte de Morais Sarmento dizendo que este "foi sempre maior do que os cargos que desempenhou".

Numa nota publicada no site da presidência, Marcelo Rebelo de Sousa considera que "desapareceu cedo demais para o muito que sempre sonhou fazer".

"Militante de todas as horas pela democracia e a liberdade, muito inteligente, brilhante, político, governante, sempre em busca de novas pistas, sendas e mais vastos horizontes", diz. "Marcou um tempo no seu partido, ensaiou reformas na informação, liderou uma fundação dedicada às relações luso-americanas", acrescenta, recordando-o "com saudosa amizade" e apresentando à família e próximos os seus sentimentos.

Constutor de pontes

O primeiro-ministro, Luís Montenegro recorda a "inteligência e sensibilidade política" de Morais Sarmento, bem como a sua "capacidade de análise e a qualidade jurídica", a "coragem como governante, evidenciada por exemplo na reestruturação da RTP", a "amabilidade e companheirismo em Almada" e a sua colaboração recente como Presidente da FLAD.

"É com profunda tristeza que endereço sentidas condolências à família e partilho a saudade que já sentimos dele", lê-se numa publicação nas redes sociais.

Hugo Soares, secretário-geral do PSD, considera que a morte de Morais Sarmento este "é um dia de dor para o PSD e uma perda significativa para o país".

"Dedicou uma parte signifcativa da sua vida à causa pública, a servir os outros e deixou uma marca indelével de determinação e competência, mas sobretudo de construção de pontes, de diálogo, quer interno quer interpartidário", disse.

Em comunicado, o PSD defendeu depois que "Portugal perdeu, sem dúvida, uma das vozes mais firmes na defesa da liberdade, da tolerância e do espírito cívico", falando de Morais Sarmento como "um homem de convicções" que tinha rês paixões: o PSD, o Direito e a vida marinha.

"Hoje despedimo-nos, com o coração apertado, de um amigo, um pensador e dirigente gigante do PSD, tendo norteado a sua vida à construção de um país mais justo, humano e solidário. A democracia fica mais pobre, mas devemos para sempre recordar o seu exemplo e legado", diz a nota do partido.

Em atualização

Morreu Nuno Morais Sarmento
“Num tempo que é mais de fechar pontes, à FLAD calha a missão que já tinha: construir pontes. Redobradamente”

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