Luís Montenegro encerrou o seu discurso no final do 41.° Congresso do PSD com a garantia de que está "cada vez mais entusiasmado" e recebeu "um suplemento de ambição e de energia para dar a Portugal um grande governo social-democrata". À sua frente, sentado na primeira fila, tinha um motivo para isso, pois a reunião social-democrata, que começara com o nevoeiro matinal a cobrir o Complexo Municipal dos Desportos da Cidade de Almada, teve direito à surpresa da chegada de Cavaco Silva, poucos minutos antes das oito da noite, com o antigo líder, primeiro-ministro durante uma década e Presidente da República ao longo de outra, a ser recebido em apoteose pelos congressistas.."Nós vamos estar à altura do seu legado nos próximos anos em Portugal", disse o presidente do PSD, dirigindo-se ao antecessor a quem reconheceu enquanto responsável pelo "maior e mais profundo desenvolvimento que Portugal no pós-25 de Abril" e apontou como "grande inspiração para aquilo que vamos fazer em Portugal nos próximos anos"..A crença de que Montenegro vai liderar o próximo Governo de Portugal após as legislativas de 10 de março de 2024, interrompendo um ciclo de oito anos de executivos socialistas, foi uma constante ao longo de um dia de trabalhos em que a aprovação da revisão de estatutos foi arrumada de forma acelerada (ver caixa), com o líder social-democrata a ser tratado por "futuro primeiro-ministro" por grande parte dos militantes, mais ou menos conhecidos, mais ou menos influentes, que subiram ao palco. E o próprio não ficou atrás, partilhando a convicção de que está "pronto e preparado" para tal. "Serei o primeiro-ministro de que Portugal precisa nos próximos anos", garantiu Luís Montenegro, que apontou um horizonte de duas legislaturas para conseguir um dos objetivos a que se propõe, com a garantia de que nessa altura nenhum pensionista receberá menos do que o salário mínimo nacional, assumindo ainda a meta de que a referência do complemento de solidariedade para idosos chegará a 820 euros em 2028. Uma promessa que pode ser vista como uma tentativa de reconciliação do PSD com os pensionistas que se afastaram devido aos cortes realizados pelo Governo do ausente Pedro Passos Coelho em tempos de troika..Numa altura em que as sondagens não mostram o PSD a descolar, com o PS a manter a dianteira em algumas apesar do impacto da Operação Influencer, e em que alguns notáveis sociais-democratas denotam dificuldade em suspender a descrença quanto à vitória nas legislativas, Montenegro decidiu reconhecer o problema. "Sei que as pessoas esperam mais de mim do que aquilo que fui capaz de mostrar até agora. Tenho noção disso, mas estou aqui para fazer isso", disse, acrescentando que "de mim só podem esperar que seja o que sempre fui". Nas suas palavras, "combativo mas sensato", "firme mas moderado", "o mais justo possível" e "sempre honesto, solidário e humano"..Nesse sentido, reconheceu que a subida do salário mínimo ao longo dos últimos anos "foi uma boa decisão do governo socialista". Mas acrescentou que "o problema é que os outros salários estagnaram" e criticou "os cristãos-novos das contas certas", acusando os socialistas de "serem mais fanáticos", obtendo excedentes orçamentais através do aumento da carga fiscal e redução do investimento necessário para manter os serviços públicos..Pelo contrário, disse que pretende reduzir o IRS para jovens até aos 35 anos para um terço do que pagam hoje e, "sem truques, porque a época dos truques vai acabar", baixar a taxa do IRS até ao oitavo escalão de rendimentos. Outras medidas avançadas do programa eleitoral que virá a ser apresentado incluem a reposição integral do tempo de serviço dos professores "de forma gradual e exequível" e uma preocupação com a crise demográfica que dê "mais segurança aos casais portugueses" sem descurar a necessidade de "atrair, acolher e integrar imigrantes". "Nem podemos ter a porta escancarada nem a porta fechada à chave", referiu..Apresentar o PSD como única alternativa moderada entre "radicalismos de esquerda e de direita" foi outro dos objetivos do líder social-democrata ao longo dos trabalhos, contando com a ajuda dos vice-presidentes Paulo Rangel, Leitão Amaro e Margarida Balseiro Lopes, do líder parlamentar Miranda Sarmento e de vários notáveis. A ex-líder Manuela Ferreira Leite limitou-se a comparecer no final, tal como Leonor Beleza, mas os ex-ministros Miguel Poiares Maduro, José Pedro Aguiar-Branco, José Luís Arnaut e Nuno Morais Sarmento contribuíram para animar os congressistas. Este último, que enfrentou graves problemas de saúde, e ofereceu a Montenegro como talismã um pin utilizado por Sá Carneiro, colocou a mira em Pedro Nuno Santos ao referir que "uma coisa é a geringonça por necessidade e outra é a geringonça por opção"..Também Carlos Moedas defendeu que "hoje o PS é o grande promotor dos extremismos, da extrema-esquerda à extrema-direita", por "querer perpetuar-se no poder a todo o custo". Sobre o Chega, que foi tão ignorado quanto possível no congresso - Ribau Esteves, presidente da Câmara de Aveiro, chamou-lhe "sinónimo de basta"-, o edil lisboeta disse que se deve encontrar soluções para eleitores que "votam por desespero e não por convicção"..Logo na intervenção inicial, Luís Montenegro comparara Pedro Nuno Santos ao "animal feroz" José Sócrates na "postura de plástico" e "a falar mansinho" que identificou ao ex-ministro das Infraestruturas desde que apresentou a candidatura a secretário-geral do PS. Mas também o equiparou a Vasco Gonçalves, antigo primeiro-ministro de governos no período revolucionário, chamando ao "mais fanático defensor" desse novo gonçalvismo "camarada Pedro"..============2021 - Legenda (13100466)============ Luís Montenegro contou com apoio de Cavaco Silva. ============2021 - TIT 5 Col (13100471)============ Cavaco Silva junta-se a Luís Montenegro contra "radicalismos de esquerda e direita" ============2021 - Postit 1 (13100470)============ congresso do psd Ter o líder histórico consigo foi o melhor que o presidente social-democrata poderia desejar num dia em que lhe chamaram futuro primeiro-ministro, mas admitiu que esperam mais de si. ============2021 - ASSINATURA (13100469)============ texto leonardo ralha