Manifestação este domingo no Porto.
Manifestação este domingo no Porto.Fernando Veludo/Lusa

Milhares voltaram às praças em Lisboa e no Porto contra a violência policial e pela habitação

Assembleias populares debatem regresso das tendas, Porto aprova apelo a Belém e oposição junta-se às críticas a Luís Neves após cargas da PSP.
Publicado a: 
Atualizado a: 

Milhares de pessoas voltaram a ocupar, este domingo ao final da tarde, o Rossio, em Lisboa, e a Praça D. João I, no Porto, transformando a contestação pelo direito à habitação num protesto conjunto contra a intervenção policial da madrugada anterior.

A atuação da PSP — que dispersou os manifestantes à bastonada e com recurso a cães, resultando em pelo menos 33 feridos — foi classificada nas assembleias populares como "o maior atentado à democracia desde o 25 de Abril".

Manifestação este domingo no Porto.
Desocupação forçada das acampadas fez pelo menos 33 feridos e 31 detidos em Lisboa e no Porto

Na capital, a Praça de D. Pedro IV começou a compor-se por volta das 17h00. Pelas 19h00, estimava-se a presença de cerca de cinco mil pessoas, destacando-se muitas famílias, crianças e bebés ao lado dos jovens que têm liderado os protestos nos últimos dias. Uma multidão empunhou cravos, cartazes e agitou chaves, entoando palavras de ordem como "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais".

"O que se passou foi uma vergonha. Uma tentativa de reprimir quem defendia o direito pela habitação", afirmou um dos intervenientes na assembleia popular da Acampada de Lisboa, enquanto outra manifestante avisava: "A cada bastonada responderemos com mais organização e a cada ameaça com mais solidariedade".

No Porto, a mancha populacional na Praça D. João I chegou a superar a mobilização de sábado. A assembleia popular da Invicta cumpriu um minuto de silêncio pelos manifestantes feridos e aprovou, por unanimidade, a "continuação de resistência pacífica", bem como um apelo formal ao Presidente da República para que tome uma posição pública sobre a atuação das forças de segurança.

A tensão manteve-se palpável em ambas as cidades, onde vários agentes da PSP e carrinhas do corpo de intervenção se mantiveram posicionados, recebendo reforços com o aumento do fluxo de pessoas. Em debate nas praças esteve a decisão de voltar a montar tendas e desafiar o ultimato policial caso as estruturas permaneçam após as 00h30.

O descontentamento dirigiu-se igualmente à tutela política. As declarações do ministro da Administração Interna, Luís Neves, que defendeu que a ação visou apenas "repor a ordem pública" e negou desproporcionalidade no uso da força, foram veementemente repudiadas nas ruas e por figuras da oposição presentes no local.

A eurodeputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins classificou a carga como "injustificável" e garantiu que o movimento "não vai ser calado", enquanto a deputada do Livre Isabel Mendes Lopes considerou a intervenção "inaceitável".

Também a eurodeputada socialista Ana Catarina Mendes marcou presença em solidariedade com os manifestantes.

Entre as críticas ao Governo, faixas alusivas à repressão e caricaturas de André Ventura, foram ainda visíveis reparos à ausência de tomadas de posição oficiais públicas por parte de António José Seguro após os incidentes da madrugada. Com Lusa

Notícia atualizada às 20h50 com resultado da assembleia popular no Porto e declarações de deputados.

Manifestação este domingo no Porto.
PCP e CGTP acusam Governo de repressão e de tentar limitar direito à manifestação
Manifestação este domingo no Porto.
Violência "desproporcional", denuncia Acampada de Lisboa. Veja imagens dos confrontos
Manifestação este domingo no Porto.
Luís Neves: "Ação da polícia está legitimada e só vi um bastão a ser utilizado"
Diário de Notícias
www.dn.pt