Intervenção da PSP na Acampada de Lisboa, no Rossio, na madrugada de 25 de outubro.
Intervenção da PSP na Acampada de Lisboa, no Rossio, na madrugada de 25 de outubro.Foto: José Sena Goulão/Lusa

Violência "desproporcional", denuncia Acampada de Lisboa. Veja imagens dos confrontos

Movimento acusa a PSP de agredir pessoas que se concentram pacificamente. Plataforma Casa para Viver solidarizou-se e convocou concentração para 27 de outubro frente à Assembleia da República.
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O movimento Acampada de Lisboa acusa a Polícia de Segurança Pública (PSP) de exercer violência "desproporcional" nas concentrações no Rossio.

"No outro dia a PSP deteve pessoas a dormir e a PSP diz que essas pessoas estavam a resistir. Como é que uma pessoa a dormir está a resistir? Isso é totalmente desproporcional. Ou seja, a atuação que a Polícia de Segurança Pública tem sido partir cabeças, mandar pessoas para o chão - ficaram com dores de cabeça tiveram que ser hospitalizadas -, partir braços, perseguir pessoas durante horas e horas pela Baixa de Lisboa", acusa João Veloso, porta-voz do Movimento Acampada de Lisboa em declarações à SIC Notícias.

Em comunicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa diz que "dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela polícias de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada".

O movimento considera que o objetivo da polícia não foi apenas o de remover as tendas de Lisboa, mas de "encurralar-nos e fazer-nos sentir medo".

Paulo Macedo do Sindicato dos Policias Portugueses, ouvido pela mesma estação televisiva, considera que a PSP "tem demonstrado muita tolerância, muito diálogo, e uma capacidade e vontade muito grande de resolver as coisas da melhor forma".

Para o representante do sindicato dos polícias, as imagens dos acontecimentos desta madrugada revelam que "a polícia vai avançando e antes da polícia chegar junto dos manifestantes, já há manifestantes a avançarem contra a polícia com portas na mão e com outros objetos, garrafas pelo ar e por aí fora".

Em comunicado emitido por volta das seis da manhã, a PSP diz que “desenvolveu todas as diligências” para que os manifestantes retirassem as tendas voluntariamente, mas “tornou-se necessária a intervenção policial” dado o “não acatamento das orientações transmitidas” de forma a “repor a legalidade e assegurar a utilização regular dos espaços públicos”.

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A Acampada de Lisboa marcou uma nova assembleia no Rossio ás 17 horas deste domingo para decidir os próximos passos.

Já a plataforma Casa para Viver solidarizou-se com as acampada, dizendo que "às 2h00, a polícia carregou sobre manifestantes pacíficos com bastonadas, cães e balas de borracha", e que "quem estava nas acampadas não cometeu crime nenhum. Estava a exercer um direito constitucional, o direito de manifestação, para defender outro direito constitucional, o direito à habitação".

A plataforma critica a atuação da PSP. "Escolher a madrugada para lançar cães e disparar balas de borracha sobre pessoas que dormiam ou se manifestavam pacificamente é uma decisão política. Mostra que este Governo prefere reprimir quem denuncia a crise da habitação a resolver a própria crise".

A plataforma marcou uma concentração para a próxima terça-feira, 27 de outubro, às 18h30, frente à Assembleia da República. "Juntamo-nos para dizer que não aceitamos que nos limitem o direito a nos manifestarmos e a viver numa habitação digna".

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