Desocupação forçada das acampadas fez pelo menos 33 feridos e 31 detidos em Lisboa e no Porto
A operação policial desencadeada na madrugada deste domingo (25 de outubro) para desmobilizar os protestos pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto resultou em pelo menos 33 manifestantes feridos e 31 detidos por alegada desobediência. O balanço global das autoridades foi corrigido em alta ao final da tarde, depois de as urgências hospitalares de Lisboa terem confirmado um volume de feridos substancialmente superior àquele que tinha sido avançado inicialmente pela polícia.
A intervenção decorreu pelas 02h00 (já após a entrada do país em horário de inverno), em simultâneo na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto. Isto após quase tres horas de avisos para a desmontagem voluntária das cerca de 200 tendas montadas nos dois espaços públicos. A Unidade Especial de Polícia e o Corpo de Intervenção avançaram então para desimpedir os locais recorrendo a cargas de bastão, o que gerou momentos de forte tensão, debandada e confrontos em várias artérias da Baixa lisboeta.
A contagem das vítimas gerou controvérsia ao longo de todo este dia de domingo, devido ao desfasamento evidente entre as informações policiais e os dados clínicos apurados no terreno. Às primeiras horas da manhã, a PSP comunicou formalmente um balanço nacional de 11 feridos, dos quais apenas cinco diziam respeito a Lisboa e seis ao Porto, somando ainda três agentes atingidos. Contudo, fontes hospitalares desmentiram esse cenário durante a tarde, confirmando a entrada de 27 pessoas feridas apenas na capital: 24 assistidas no Hospital de São José e três no Hospital de Santa Maria. Entretanto, todos os feridos lisboetas tiveram alta médica, a última das quais registada às 06:55 em São José.
Perante os registos clínicos da capital, a PSP reviu os seus dados ao fim da tarde e elevou para 33 o total de manifestantes feridos a nível nacional, integrando os 27 assistidos em Lisboa e mantendo os seis referenciados no Porto.
A própria polícia ressalvou, no entanto, que este valor ainda peca por defeito, aguardando-se um apuramento exaustivo junto das unidades de saúde da Invicta.
No plano das detenções, foram constituídos arguidos 31 manifestantes por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto), os quais deverão ser presentes a tribunal durante o dia de segunda-feira, segundo a PSP.
O coletivo Acampada de Lisboa e a plataforma "Casa para Viver" acusaram as forças de segurança de exercerem uma violência desproporcional contra cidadãos que se concentravam de forma pacífica, denunciando agressões indiscriminadas e detenções de pessoas que se encontravam a dormir.
Em resposta à carga policial, os movimentos cívicos convocaram uma nova concentração de protesto para a próxima terça-feira, 27 de outubro, em frente à Assembleia da República, coincidindo com o debate de propostas parlamentares sobre habitação e arrendamento.
Pelo lado das forças de segurança, a PSP sustentou que desenvolveu todas as diligências prévias para assegurar uma saída pacífica e voluntária, justificando o uso progressivo da força com o não acatamento das ordens de desmobilização e a necessidade de repor a legalidade e a livre circulação nos espaços públicos.

