Luís Neves, ministro da Administração Interna
Luís Neves, ministro da Administração InternaFoto: Gerardo Santos

Luís Neves "satisfeito" por Justiça investigar promete "reunir documentos" para esclarecer "ponto por ponto"

Ministro da Administração Interna quebrou o silêncio, mas não respondeu a perguntas sobre a autorização dada enquanto diretor nacional da PJ para que um empreiteiro se desfizesse de um atrelado.
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Luís Neves quebrou esta terça-feira, dia 21 de julho, o silêncio numa intervenção curta à comunicação social em visita a Viana do Castelo. O ministro da Administração Interna não respondeu a perguntas dos jornalistas quanto a um indício de crime na entrega de um atrelado apreendido, usado para desmantelar uma rede de tráfico de droga, a um empreiteiro, que celebrou 17 contratos públicos com a Polícia Judiciária, mas realçou a satisfação por ver a Justiça a abrir um procedimento e prometeu dar explicações. "Ainda bem que foi aberta a investigação, fico muito satisfeito. Há questões que se estão a passar e que serão respondidas ponto por ponto. Estou a reunir todos os documentos que considero relevante para, ponto por ponto, vos esclarecer", declarou, em Viana do Castelo, Luís Neves, considerando que tem sido "alvo de um ataque que coloca em causa a honra e dignidade, o valor mais sagrado que alguém pode ter".

Salientou os "30 anos de respeito e transparência com a comunicação social" e disse estar "focado em fazer o trabalho, especialmente nesta altura do ano", mencionando a necessária atenção e combate aos incêndios rurais e ainda um agradecimento ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, aos bombeiros e à Proteção Civil.

O Expresso avançou esta terça-feira que poderão estar em causa crimes de abuso de poder e descaminho na autorização do ex-diretor da PJ, por não estar previsto que bens apreendidos fiquem à guarda de cidadãos particulares. Foi notícia que o conteúdo deste atrelado não foi destruído por falta de meios do empreiteiro, que deterá uma empresa sem licença e que realizou obras na propriedade de Luís Neves e da esposa no Alentejo, num valor de cinco mil euros. Os contratos públicos com a Construbarcelos transcendem os 2,3 milhões de euros, vários datados do tempo de Neves como diretor da PJ, mas alguns ainda anteriores à sua entrada em funções. A autorização para a saída do atrelado da PJ, que implicava risco de explosão - daí a decisão de a retirar do local - leva a que o processo seja enviado ao Procurador-Geral da República e resulta na abertura de um inquérito. Luís Montenegro, no debate do Estado da Nação, na quinta-feira passada garantiu confiança nos ministros, já depois de também ser confrontado com críticas a Fernando Alexandre, ministro da Educação.

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