Há várias intervenções prioritárias em escolas, como foi relatado ao DN na semana transata.
Há várias intervenções prioritárias em escolas, como foi relatado ao DN na semana transata.Igor Martins / Global Imagens

Lisboa. Moedas não recorre ao PRR para reabilitação de 49 escolas

Presidente da Câmara não detalhou de onde virão os mil milhões de euros de investimento para reabilitação e novas construções no parque escolar.
Publicado a
Atualizado a

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou esta quarta-feira, 25 de fevereiro, a nova Carta Educativa da cidade que envolveu agrupamentos, escolas não agrupadas e juntas de freguesia, com Carlos Moedas a vincar que era necessária a atualização do documento, que datava de 2008.

A proposta que agora vai ser submetida à Assembleia Municipal foi aprovada pelo Conselho Municipal de Educação, em julho de 2025, e obteve, posteriormente, o parecer favorável da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), em novembro. 

Entre as linhas orientadoras do documento está, como o DN noticiou, a calendarização das intervenções no parque escolar, que envolvem requalificações estruturais em 49 escolas e a construção de 27 novas, projetos a serem executados ao longo de três períodos temporais: cinco, 10 e 15 anos, com base em critérios de priorização. Cinco das novas escolas deverão estar construídas em cinco anos. O investimento para reabilitação rondará os 743 milhoes de euros, mais 306 milhões para novas escolas.

No entanto, o financiamento levou à maior discussão na reunião de Câmara. Alexandra Leitão, vereadora socialista, confrontou Carlos Moedas com a situação e o edil não justificou de onde viria o valor para a operação escolar, que engloba, sensivelmente, o valor de um orçamento inteiro anual em Lisboa. Em outubro, o Governo abriu a possibilidade de concurso a fundos do PRR e a região de Lisboa e Vale do Tejo contaria com 399,5 milhões de euros para 95 escolas elegíveis. Porém, Carlos Moedas garantiu que não haverá forma de recorrer a esse mesmo programa.

A proposta foi apresentada pela coligação Por Ti, Lisboa, encabeçada por Moedas, com oito vereadores - agora reforçada por Ana Simões Silva, vereadora eleita pelo Chega, que passou a independente até ser incluída no Executivo com pelouros. PS, PCP, Chega e Livre abstiveram-se, Bloco de Esquerda votou contra, justificando que "o orçamento não inclui as verbas necessárias para as medidas, nem mesmo as 20 escolas mais urgentes", atacando a "grave degradação das escolas da cidade" e a "falta de um plano realista."

O mau tempo que assolou o país teve consequências nas escolas da capital. Ao presidente da autarquia Carlos Moedas foram transmitidas várias preocupações vindas tanto de agrupamentos escolares como de associações de pais por todo o concelho. Vinte associações de pais responderam ao repto da vereadora Carolina Serrão, do Bloco de Esquerda, e mostraram-se alarmados com o estado das escolas, descrevendo um quotidiano prejudicado por falta de condições estruturais. Superaram as três dezenas as reivindicações se incluirmos os agrupamentos.

Vasco Moreira Rato, vereador do Urbanismo, Habitação e Edifícios Munciopais, disse há três semanas em sede de assembleia que “não há problemas estruturais identificados que coloquem em causa os utilizadores” e disse existirem “28 escolas consideradas prioritárias”, lembrando que o seria o “Estado a realizar 100% da despesa”, estimando-a em “mais de 600 milhões de euros” num parque escolar do município que tem 141 escolas. No Orçamento Municipal estimava em 38 milhões o investimento.

Na proposta, foi ainda vincado pelo Executivo o "incentivo ao ensino profissional e artístico", assumindo-se como meta a "criação de um polo artístico na Bela Vista, novas instalações para a Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional e para o Instituto Gregoriano, permitindo o ensino integrado desta instituição."

"Estamos a trabalhar no presente a Lisboa do futuro. Ao planear a rede escolar com uma visão de longo prazo, aumentando e melhorando a oferta educativa, e promovendo o sucesso escolar, Lisboa antecipa desafios e prepara o futuro da cidade com rigor e ambição, investindo estrategicamente na qualidade da escola pública e, por isso, no desenvolvimento de igualdade de oportunidades", afirmou o vereador com o pelouro da Educação, Rodrigo Mello Gonçalves.

À parte da reunião, em matéria de Assembleia Municipal, Carlos Moedas garantiu a assistência a famílias afetadas em Alcântara por obras do metro e também que não permitiu novas licenças de alojamento local após cancelar os registos inativos.

Há várias intervenções prioritárias em escolas, como foi relatado ao DN na semana transata.
Escolas de Lisboa relatam chuva em salas de aula e pedem ação rápida
Há várias intervenções prioritárias em escolas, como foi relatado ao DN na semana transata.
Mau tempo: estimativas apontam para 90.000 alunos afetados pelo encerramento parcial ou total das escolas
Há várias intervenções prioritárias em escolas, como foi relatado ao DN na semana transata.
Lisboa. Carlos Moedas apresenta plano de mil milhões de euros em 15 anos para intervenção nas escolas

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt