O mau tempo que tem assolado o país de há três semanas para cá tem consequências também nas escolas da capital. Ao presidente da autarquia Carlos Moedas foram transmitidas várias preocupações vindas tanto de agrupamentos escolares como de associações de pais por todo o concelho e o levantamento tem sido feito também pelo Bloco de Esquerda, que levou o tema a debate na assembleia municipal. Vinte associações de pais responderam ao repto da vereadora Carolina Serrão e mostraram alarmismo com o estado das escolas, descrevendo um quotidiano prejudicado por falta de condições estruturais. O Alto da Faia, no Lumiar, reivindica a qualificação da cobertura prevista desde 2018, relatando infiltrações em catadupa. Em Caselas, no Restelo, lembra-se que “alguns encarregados de educação” não levam os educandos por temer “perigo estrutural do edifício”, pedindo relatórios das intervenções dos sapadores de bombeiros e de vistorias de gás decorridas no final de janeiro. “Entupimentos crónicos” e “andaimes como passagem”, assim detalham os encarregados de educação da EB Luís de Camões, no Areeiro, que aguardam pela requalificação depois de ser avaliada de alto risco pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil em caso de sismo. O Agrupamento de Escolas Vergílio Ferreira, em Carnide, detalha que o polivalente está interdito por risco de inundação e que a remoção de tetos falsos não conteve chuvas em salas. Em Marvila, a EB1 Manuel Teixeira Gomes realça o mesmo, mencionando ainda iminência de perigo de curto-circuito por infiltrações e radiadores soltos. As “limpezas de caleiras” e “canais de escoamento” são curtas para os pais da EB1 Maria Barroso, em Santa Maria Maior, que admitem ter reunido com o vereador Rodrigo Mello Gonçalves para lhe declarar a urgência que a anterior vereadora Sofia Athayde declarara, queixando-se de pouca ação desde 2022 para o efeito. Em Alvalade, na EB Teixeira Pascoais relata-se frio em salas de atividades de tempos livres e o perigo das proteções em ferro ao longo do campo de futebol poderem arriscar a segurança dos alunos. Na Salvador Sampaio, em Benfica, constata-se o mesmo problema térmico, com temperaturas extremas e na EB 2,3 Pedro de Santarém a impermeabilização falta e foi necessário agrupar alunos em algumas salas para evitar que as aulas fossem interrompidas.Na EB1 Alice Vieira, nos Olivais, as obras de requalificação de há três anos já têm hoje muitas reparações devidas. No agrupamento das Olaias, foi declarada à freguesia do Beato o risco após queda de árvores, pavilhões inutilizados e ainda cortes elétricos. Na Querubim Lapa, em Campolide, agrava-se a situação de um dos muros degradados e blocos inteiros com pingos de água quando as intempéries se agravam. Na EB1 Quinta dos Frades, Lumiar, salienta-se que um dos telheiros não garante a devida impermeabilização desde 2018 e que a obra já foi pedida em diversos momentos à autarquia. Agora, a queda de árvores adensou o perigo.Poderiam ser acrescentados a estes testemunhos mais três dezenas de reivindicações de escolas ou agrupamentos, incluindo os problemas elétricos que danificam material informático na escola de ensino artístico especializado Gregoriano de Lisboa ou a falta de obras desde 1993 no Conservatório de Dança. A amostra exibe uma realidade generalizada nas escolas públicas das freguesias lisboetas. O Bloco de Esquerda entregou um requerimento na sexta-feira a sinalizar a necessidade de intervenção em 57 escolas, falando num financiamento, a crédito, de 83 milhões de euros no mandato anterior por não terem sido utilizados os fundos europeus devidos. E pergunta porque só estão previstas cinco obras de carácter prioritário face às 34 de necessidade emergente, pedindo esclarecimentos sobre a não continuidade de orientações pedidas pelo LNEC. Vasco Moreira Rato, vereador das Obras em Edifícios Municipais, disse há uma semana em sede de assembleia que “não há problemas estruturais identificados que coloquem em causa os utilizadores” e disse existirem “28 escolas consideradas prioritárias”, lembrando que o seria o “Estado a realizar 100% da despesa”, estimando em “mais de 600 milhões de euros” num parque escolar do município que tem 141 escolas. No Orçamento Municipal estimava em 38 milhões o investimento.Na sexta-feira, o DN questionou a câmara municipal sobre o financiamento e a discrepância entre os números de escolas consideradas prioritárias para intervenção. Não foi possível obter resposta, ainda que tenha sido divulgado ao DN que o vereador com o pelouro da Educação, Rodrigo de Mello Gonçalves (IL), está a par destas reivindicações e tem visitado escolas e reunido com representantes dos agrupamentos. Como muitas escolas reconhecem também, em casos de avaria elétrica ou quedas de telhados e árvores, a resposta tem existido com alguma prontidão e equipas da energia e proteção civil têm sido acionadas. Sinalizam, porém, falta de divulgação dos relatórios e resolução operacional. .Bloco de Esquerda diz que estão 57 escolas a precisar de intervenção e questiona porque são cinco dadas como prioritárias. Executivo há uma semana falou em 28.No investimento, previa em orçamento municipal 38 milhões, o vereador falou em 600 milhões vindos do Estado. Discrepância de números.Lisboa. Bloco questiona Moedas por nomeações vindas da sua lista sem concurso.Lisboa. Carlos Moedas passa a ter maioria absoluta com vereadora que se desfiliou do Chega.Câmara de Lisboa prevê 38 milhões de euros para obras em escolas e 250 milhões para a Carris no próximo ano.Ministro garante que "grande maioria" das escolas já reabriu