Rui Tavares procurou que Jorge Pinto tivesse visibilidade com a campanha para as Presidenciais.
Rui Tavares procurou que Jorge Pinto tivesse visibilidade com a campanha para as Presidenciais.Gerardo Santos

Jorge Pinto candidata-se ao lugar de Rui Tavares no cargo de porta-voz do Livre

DN teve acesso à informação que o partido enviou aos filiados. Rui Tavares integra lista do Grupo de Contacto, mas atrás do ex-candidato presidencial. Isabel Mendes Lopes avança para último mandato.
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Jorge Pinto candidata-se a porta-voz no Livre, substituindo Rui Tavares, que exerce a função desde 2022. O DN teve acesso à informação enviada nesta manhã de sexta-feira (26 de junho) aos membros e filiados. Na lista que vai a Congresso por parte da moção que é maioritária no Grupo de Contacto (a direção do partido), é o nome de Isabel Mendes Lopes que encabeça o projeto político do partido fundado em 2014.

Jorge Pinto é o número dois, à frente de Rui Tavares que, em caso de eleição, continuará no Grupo de Contacto, mas que cede o posto de co-porta-voz ao natural de Amarante, que foi candidato às Presidenciais do início deste ano.

Rui Tavares é a figura mais conhecida do partido, integrou as listas como porta-voz durante dois mandatos, mas abdica ainda antes de entrar no terceiro e último mandato, limitação prevista nos estatutos. Apesar de Paulo Muacho ter sido nomeado líder parlamentar por substituição de Isabel Mendes Lopes há poucos meses, a escolha recai em Jorge Pinto.

De acordo com o que o DN pôde saber junto de fontes do Livre, o deputado de 39 anos era o nome avançado já desde 2025 à sucessão e a corrida nas Presidenciais teve como intuito dar-lhe também alguma visibilidade. Apesar de ter tido 0,68% dos votos expressos, pouco mais de 38 mil, o partido faz a leitura de que o voto útil impactou o resultado de Jorge Pinto, até porque o próprio discurso do candidato passou sempre por tentar que os candidatos de esquerda pudessem abdicar em prol de António José Seguro, o que não se verificou.

Junto de fontes do Livre, o DN apurou que a decisão de Rui Tavares tem motivações pessoais, face à exigência do cargo de deputado e da liderança do partido, não por largas críticas internas. E a intenção é que haja renovação antes do próximo ciclo eleitoral. Isabel Mendes Lopes ficará até 2028, em teoria, como porta-voz, mas, antes das próximas eleições legislativas previstas para 2029, o Livre terá de encontrar outra solução feminina, se quiser manter a liderança bicéfala e a paridade.

Filipa Pinto, que é deputada, também não integra a lista do Grupo de Contacto, podendo, por exemplo, ser selecionada noutro congresso, decisão, claro, precoce nesta fase. Patrícia Gonçalves faz parte da lista, mas como suplente no Grupo de Contacto.

Há renovação dos nomes na Direção. Inês Pires é, possivelmente, a quarta eleita, Tomás Cardoso Pereira, assessor parlamentar e deputado em substituição de Isabel Mendes Lopes recentemente, o quinto. Nurin Mirzan, assessora parlamentar, Henrique Vasconcelos, investigador em Saúde, Ana Gomes de Almeida, deputada municipal em Gondomar, seguem-se na lista. Paulo Muacho lidera a candidatura da lista A ao Conselho de Jurisdição.

Valorizando o conhecimento específico dos temas em discussão, o Livre procurará preconizar o que a oposição interna tem reivindicado, de ter mais figuras a emergir. Nesse sentido, a lista que tem dirigido o partido apresenta os pelouros de cada um dos elementos. Rui Tavares ficará, caso seja eleito, com a Estratégia e Formação.

No Congresso eletivo de 10 a 12 de julho, em Sintra, serão propostas algumas alterações estatutárias para serem discutidas e votadas posteriormente. Na moção, o partido faz o balanço de crescimento, que supera os 4500 membros/apoiantes e calendariza a preparação de Autárquicas de 2029 "a partir do 2.º semestre de 2027", além de antecipar que haverá "revisão de processos internos e do modelo de primárias em 2027."

O DN tem conhecimento de que existirão pelo menos duas listas opositoras, exatamente como em 2024. Nessa altura, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes garantiram 10 dos 15 eleitos (61% dos votos), uma maioria confortável para as definições do partido. Patrícia Robalo, deputada na Assembleia Municipal e vereadora por substituição em Lisboa, está novamente numa lista de oposição, mas será, pelo que foi possível saber, Rodrigo Brito a encabeçar o movimento que elegeu três efetivos. Brito foi já eleito em 2024, mas era Natércia Lopes a cabeça de lista. Da antiga Lista C, agora Lista V, será Tiago Mota a encabeçar o projeto político.

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