Os candidatos apoiados por Livre, Bloco de Esquerda e PCP superaram, por pouco, os 4,3% que João Ferreira, em 2021, alcançou. Reconhecem o lamento pelo momento da esquerda e viram voto útil a influenciar a votação no Bloco. “Ficou aquém o resultado para o número enorme de pessoas que nos expressaram apoio, gratidão e inspiração pela candidatura da Catarina. Sabemos que muitas optaram por um voto tático. Ainda assim, a candidatura de Catarina Martins foi a que melhor resistiu a esta dinâmica de voto útil”, perspetivou José Manuel Pureza, analisando os 2,06%, que são uma maior votação a solo do que o partido com Mariana Mortágua nas legislativas de 2025. Vincou que a Saúde, habitação e lei laboral “entraram na agenda”, em vez de se continuar a falar de burcas.” Esse propósito levou o Bloco a alterar o discurso e Gaza, que ocupara espaço central com Mariana Mortágua, foi subalterno "às grandes preocupações dos portugueses."O pacote laboral está na mente dos trabalhadores e Pureza coloca a discussão "em primeiro plano", confiando, porém, que esta questão "vai durar tempo face ao processamento de várias iniciativas legislativas." Informou que o partido está "mobilizado" e já "pediu reuniões com as centrais sindicais, CGTP, UGT e sindicatos independentes muito importantes."“O resultado fica aquém do que desejaríamos e do que era justo, mas há um fenómeno do voto útil. A sensibilidade de que era preciso derrotar a extrema-direita foi muito alta. O resultado não tira valor à campanha de António Filipe, porque se este espaço não estivesse representado ficaria amputado de algumas ideias políticas. Com as suas posições, obrigou Ventura e Seguro a alterarem certas convicções, nomeadamente quanto à Lei Laboral”, declarou Bernardino Soares quanto aos 1,6% obtidos pelo candidato comunista, o pior de sempre entre os apoiados pelo partido. Rejeitou fazer comparações com a votação de João Ferreira de 2021 por exemplo. "As circunstâncias políticas são completamente distintas. Conseguimos que Ventura e Seguro evoluíssem nas reações em muitas coisas, reafirmo que sem António Filipe existiriam questões amputadas", diz o membro do Comité Central comunista. .Para Rui Tavares, as últimas semanas de Jorge Pinto não tiveram erros. Antes, elogiou o “sacrifício” por permitir o voto útil em Seguro. “Não podíamos sentir-nos mais orgulhosos, foi capaz de pegar numa missão de uma certa grandeza. Éramos favoráveis a uma candidatura mais abrangente, mas os partidos foram apresentando o seu candidato, achámos que para marcar a agenda com a revisão constitucional era importante estarmos. Ficou apresentada a sua figura a nível nacional e isso também é estratégico da nossa parte, faz parte da implementação do partido. Sabemos que o estado da eleição implicou uma dose de sacrifício de outros partidos para se votar em Seguro, porque hoje as desistências formais não podem acontecer como em 1986. Há dez dias já se votava, seria uma injustiça para quem já votara. O momento determinante foi vermos que poderia existir uma segunda volta com três candidatos possíveis e, com Ventura e Cotrim, teríamos de entender o sacrifício em prol de quem se apresenta a defender a Constituição. Se não fosse assim, poderíamos ter mantido o pé no acelerador”, explanou Rui Tavares, desvalorizando uma possível quebra eleitoral do Livre, que dos 4,07%, viu Jorge Pinto nos 0,7%. “PCP e Bloco recusaram fazer o discurso de Jorge Pinto e tiveram resultados pouco superiores. O resultado não é o mais importante destas eleições. Não se tratou de ter mais um deputado ou mais um vereador”, critica o porta-voz do Livre.Tavares prosseguiu com farpas a Bloco e PCP na Defesa. Porque entende que Seguro e Jorge Pinto "deixaram claro a sua visão europeísta". "É preciso clareza no projeto europeu. Outros, mais do que nós, terão de se definir. Falo de Bloco e PCP", divulga. Promete "uma esquerda de responsabilidade de governação" e destaca que vai apresentar "um projeto realista neste período longo sem eleições", tentando o "enraizamento da proposta política e o percurso de formação de quadros." Rui Tavares termina a considerar que "todos cometeram o mesmo erro que custou a segunda volta a Cotrim de Figueiredo, por não se posicionarem entre a democracia e os inimigos da democracia. Mesmo para quem não é de direita, é triste ver a deriva da nossa direita. Na esquerda precisamos de ter seriedade e diálogo.".Paulo Raimundo vê resultado "aquém do valor" da candidatura de António Filipe.Jorge Pinto não chega a 1% depois das Legislativas recorde para o Livre.Catarina Martins acaba Presidenciais apoiada por todas as principais figuras do Bloco de Esquerda.Rui Tavares ao DN: "Por José Luís Carneiro existiriam mais coligações com o Livre".Presidenciais: Seguro pode complicar o que parece ser fácil e Ventura tenta facilitar o que parece ser difícil