Gonçalo Castro,  o líder da Associação Académica  da Universidade  de Lisboa, recebeu Jorge Pinto  (ao centro) e Rui Tavares, do Livre.
Gonçalo Castro, o líder da Associação Académica da Universidade de Lisboa, recebeu Jorge Pinto (ao centro) e Rui Tavares, do Livre.Foto: Gerardo Santos

Jorge Pinto põe-se em segundo plano e exorta os próprios militantes a "votar livremente"

Em carta, candidato diz que não desiste porque seria um desrespeito por quem votou antecipadamente. A toada crítica continua nos rivais de esquerda, adiantando que a convergência foi "menosprezada."
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Jorge Pinto deixa a ideia de que vai até final na campanha presidencial porque já estão registados os votos antecipados. Em carta expressa aos militantes a que o DN teve acesso, o candidato apoiado pelo Livre reitera o que foi dizendo ao longo desta quinta-feira, ou seja, de que compreende que as pessoas optem por um voto em António José Seguro para confirmar a segunda volta ao socialista.

"Percebo aqueles que me dizem - e, acreditem, são muitos - que gostariam de votar nesta candidatura mas que possivelmente não o farão com receio do que possa ser a segunda volta. A todos esses quero dizer que vos entendo e vos oiço. E, respeitando a vossa inteligência e sentido crítico, quero dizer-vos que votem, livremente, na candidatura que a vossa consciência ditar e que mais garantias dê de defesa da nossa Constituição", escreveu aos filiados e simpatizantes do Livre

O debate na RTP, em que disse que "não seria por ele que Seguro não estaria na segunda volta", marcou a fase final da corrida presidencial e as sondagens indiciam que o deputado do Livre pode ficar abaixo de Catarina Martins e António Filipe. Ainda assim, destacou o seu papel na intervenção pública. "Não tivesse existido esta candidatura e pouco ou nada se teria falado da regionalização à transição ecológica, passando pelas políticas de inovação, pelo europeísmo crítico em tempos de acelerada transformação a nível global e pela defesa de um Portugal plural e diverso onde todos cabem", vincou, destacando a "defesa da Constituição da República Portuguesa", considerando que esta "marcou a agenda", mostrando preocupação por um "risco real" e para o qual teme "para muito em breve a sua concretização."

A crítica está centrada na esquerda. O Livre queria uma candidatura conjunta no início, não o logrou. Mas durante todo o caminho manifestou a possibilidade de abdicar se os outros candidatos à esquerda o fizessem. "Assumi logo no discurso de lançamento de candidatura que as esquerdas ainda iam a tempo de assumir um pacto republicano. Não preciso de vos relembrar que esta ideia foi ou menosprezada, ou ironizada, ou até deturpada. Não terá sido certamente por responsabilidade da nossa candidatura que não se avançou para um diálogo franco sobre como este pacto republicano", ataca o candidato apoiado pelo Livre, em clara direção a António Filipe e Catarina Martins.

Lamenta que tenha "pairado uma aura de “desistência, por mais tentativas de esclarecimento feitas" e acrescenta que "as desistências em Presidenciais, tal como aconteceram no passado, dificilmente se repetirão", uma vez que antes "nem o voto antecipado, nem o voto dos portugueses residentes no estrangeiro era possível." Por isso mesmo, diz que desistir agora seria "trair aqueles que em nós confiaram e trair o seu próprio sentido de voto."

Para a segunda volta, diz que a pressão é de "garantir que os portugueses, os agentes políticos e o próximo Presidente da República têm consciência do risco de golpada constitucional" que Portugal tem pela frente. António José Seguro, esta quinta-feira, já valorizou a "responsabilidade" e congratulou pelo discurso compreensivo de Jorge Pinto com a canalização do voto no socialista. 

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