No congresso foram anunciadas, entre militantes, algumas candidaturas às federações.
No congresso foram anunciadas, entre militantes, algumas candidaturas às federações.Foto: Leonardo Negrão

Federações PS. Militantes em Coimbra querem impugnar eleição; Viseu, Vila Real, Bragança e Braga têm duelos

No Mondego, há providência cautelar que assinala 2500 nomes que não deviam constar nos cadernos. Disputas no Norte contrastam com sucessões pacíficas no Sul. Carneiro tem a confiança pelo país fora.
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O Partido Socialista tem este fim de semana eleições internas, divididas entre sexta-feira 19 e sábado 20, para as federações e concelhias do partido e já sabe que há distritos com candidaturas múltiplas, uma realidade particularmente evidente acima do Mondego. Coimbra é o caso mais particular, com pedidos de impugnação do próprio ato eleitoral, além de em Viseu, Vila Real, Bragança e Braga haver mais do que uma lista a concurso.

José Luís Carneiro não tem total sucesso na missão que pediu aos militantes do Partido Socialista, uma vez que pedira esforços para listas conjuntas, mas, dizem ao DN fontes socialistas nas federações, não tentou condicionar e não expressou apoios públicos, reservando total respeito pelo ato eleitoral interno. Apesar de a maioria das federações preservar o presidente eleito e de em vários territórios ser feito um encaminhamento para a sucessão, os socialistas, unanimemente, descartam estar associados a Pedro Nuno Santos e revelam otimismo na liderança de Carneiro no PS.

Tentativa de impugnação em Coimbra

Apesar da vitória de Ana Abrunhosa no concelho de Coimbra, a Federação volta a viver uma situação de rivalidade. Fontes locais do PS lamentam, ao DN, que seja um cenário "repetido" e que voltem a surgir ecos de "militantes indevidos". Sabe-se que tal processo condicionou as concelhias em 2024 antes das Autárquicas. Agora, militantes do PS de Coimbra avançaram com uma providência cautelar com o objetivo de impugnação das eleições para os órgãos internos. Afirmam que há violação de estatutos e que 2500 nomes não deveriam estar nos cadernos eleitorais. A queixa foi enviada à Comissão Nacional de Jurisdição do PS. Ao que o DN pôde saber junto desse mesmo órgão, a eleição deve prosseguir.

Os militantes em questão, Américo Batista e Rui Moreira Claro, são candidatos, respetivamente, à distrital e à concelhia socialistas, e avisam que há falta de pagamento de quotas de militantes durante dois anos e que isso "implica suspensão automática de todos os direitos do militante”.

Com toda a turbulência, afasta-se o atual presidente da distrital, João Portugal, ex-deputado. Em comunicado, há três semanas, refletiu sair com "serenidade, sentido de responsabilidade e plena consciência de que o mais importante é preservar a estabilidade, a coesão interna e a capacidade do PS de responder aos desafios do distrito e das populações."

Vitor Baptista, ex-deputado, chegou a lançar candidatura, mas confirmou ao Campeão das Províncias que não irá levar adiante o processo, deixando assim apenas dois candidatos na corrida: o deputado Pedro Coimbra, que liderou de 2012 a 2020 a federação - e terá, ao que o DN pôde saber, apoios maioritários para a eleição; e Américo Baptista.

Na concelhia, Ricardo Lino recandidata-se contra Rui Moreira Claro.

Bragança teve junção entre duas candidaturas

Apesar da vitória de Isabel Ferreira, antiga secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, na capital de distrito nas últimas autárquicas, Bragança tornou-se território concorrido. Era até prevista uma luta a três. "Os candidatos que agora aparecem fazem-no por uma questão de oportunidade”, dizia ao DN o presidente e então recandidato à federação, Benjamim Rodrigues, há mais de um mês. Entretanto, abdicou em prol de Júlia Rodrigues, a quem acusava de tentar aproveitar uma "possível fragilização após derrota na câmara" de Macedo de Cavaleiros, que Benjamin Rodrigues governou durante oito anos.

Em nota, o PS avançou que Júlia Rodrigues será "a candidata a presidente da Federação e Benjamim Rodrigues a presidente da Mesa da Assembleia da Federação", confirmando a junção de listas. Júlia Rodrigues é próxima de José Luís Carneiro e aconselha o secretário-geral nas políticas regionais e no Interior. “Existe uma proximidade por estarmos na Assembleia da República, mas, na qualidade de secretário-geral, José Luís Carneiro não pode fazer apoio direto às candidaturas”, garantiu ao DN em maio.

Na corrida está também Bruno Veloso, que foi candidato em 2022 e perdeu “por pouco” contra Berta Nunes que, em 2024, já não foi recandidata. “Tenho muitos apoios, estou a contactar os militantes das 12 concelhias”, diz, lembrando que em 2024 “havia divergências”, mas que optou por “baixar hostilidades e pelo consenso.” Entende ser necessário “reorganizar o PS a nível nacional e distrital” e pede “divisão de protagonistas”.

Viseu e Vila Real têm duas candidaturas também

"Não gosto de falsos unanimismos, devia ser proibido haver candidaturas únicas", assume ao DN Armando Mourisco, deputado do PS e recandidato à federação de Viseu. "Perder a eleição para a federação afetaria a minha posição de deputado, não vou ser hipócrita, mas custa-me crer que depois de ganharmos três câmaras, uma delas Viseu [o PS perdeu duas que governava], que os militantes optassem por outra solução", responde frontalmente ao DN, contando com os apoios de João Azevedo, autarca de Viseu, conquista histórica para o PS nas últimas autárquicas.

Mourisco, antigo presidente em Cinfães, assumiu mandato em 2024, mas terá oposição de Lúcia Silva, antiga deputada, ex-candidata também ao município de Viseu. “Independentemente da valorização que dou a Mourisco como presidente em Cinfães, considero que tem sido um presidente de federação ausente”, aponta, considerando ser necessário “aproximar militantes e distribuir lideranças.”

Em maio, ao DN, mencionou que a vitória em Viseu se deveu a João Azevedo, “um verdadeiro timoneiro”, com “capacidade de agregar.” “Ninguém conhece Armando Mourisco em Viseu”, atirou na altura Lúcia Silva.

Também em Vila Real, estão anunciadas duas candidaturas à federação. O deputado Rui Santos, antigo presidente durante 12 anos em Vila Real, avança para o segundo mandato deste ciclo (já liderara antes) e faz “um balanço positivo” por ter vencido “sete câmaras” nas autárquicas.

Como concorrente tem o professor e empresário Ricardo Almeida, que em 2024 apresentou candidatura mas abdicou, entende ser necessário “mobilizar o partido e comunicar de forma diferente”, mostrando preocupação com “o crescimento da extrema-direita.”

Braga tem luta depois de um acordo que parecia estabelecido. Aveiro, Porto e Lisboa têm consenso

Em Braga, como o DN noticiara, havia acordo entre Pedro Sousa, vereador sem pelouro e possível escolha para a corrida à autarquia em 2029, e Eduardo Oliveira, ex-candidato em Famalicão, em torno do vimaranense Ricardo Costa, ex-membro do Secretariado Nacional e derrotado nas eleições em Guimarães, nas Autárquicas. Mas Sérgio Castro Rocha, advogado e hoje secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Ave, avança também com uma lista.

Dois dos principais apoiantes de Pedro Nuno Santos não têm oposição nas eleições do próximo fim de semana. O deputado Hugo Oliveira continuará presidente da Federação distrital em Aveiro; e Nuno Araújo na distrital do Porto.

Muda, sim, a concelhia portuense com a saída de Tiago Barbosa Ribeiro e a assunção de Luís Catarino, figura próxima de Carneiro no partido.

O PS mantém estabilidade nas principais estruturas partidárias da Área Metropolitana de Lisboa, numa estratégia de consolidação que aponta já para as autárquicas de 2029. Carla Tavares, na Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), e Davide Amado, na concelhia da capital, avançam para novos mandatos, não tendo oposição relevante conhecida. Carla Tavares assumiu a liderança da FAUL em janeiro de 2025, sucedendo a Ricardo Leão, e, apesar do saldo negativo para os socialistas nas últimas autárquicas, no PS de Lisboa prevalece a ideia de que Carla Tavares teve pouca margem para alterar a estratégia autárquica definida pelo antecessor.

Em Setúbal, continua André Pinotes Batista, que em 2024 vencera com mais de 92% dos votos, e em discurso de candidatura centrou atenção ao problema da habitação, nomeadamente em Almada, e ao investimento de António Costa e do PS como Governo em Sines.

Em Santarém, Hugo Costa manterá funções e contou com o apoio de todos os autarcas do distrito.

Em Leiria, o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, avança para um segundo mandato na distrital.

No Oeste, Brian Silva segue para um terceiro mandato, apesar de ter sido derrotado na corrida à Lourinhã.

Na Guarda continua Alexandre Lote. Em Castelo Branco, Vítor Pereira avança para o quarto e último mandato. Em Viana do Castelo, o presidente da Câmara, Luís Nobre, é unânime entre socialistas e herda lugar de Vítor Paulo Pereira.

A Sul mudanças encaminhadas

A Sul o processo de transição será pacífico. Luís Testa, deputado eleito por Portalegre, não cumprirá o terceiro mandato do seu segundo ciclo como presidente de federação, uma vez que foi eleito para o Secretariado Nacional. Tiago Teotónio Pereira, eleito na Assembleia Municipal de Marvão, anunciou candidatura ao seu lugar.

Luís Dias, apurou o DN, sai ao fim de três mandatos em Évora, até por ter a seu cargo a coordenação da Defesa no grupo parlamentar do PS. João Grilo, presidente no Alandroal e impossibilitado de se recandidatar em 2029, é escolha consensual.

Marcelo Guerreiro, nas mesmas condições como presidente da câmara de Ourique, vai liderar o PS no Baixo Alentejo. Nelson Brito, ao DN, disse em abril que não continuaria.

Na federação distrital do Algarve, Hugo Pereira, presidente da Câmara de Lagos, substituirá Luís Graça, líder desde 2018 e a fechar o seu ciclo político. Em nota na apresentação da candidatura, o PS salienta que Hugo Pereira “reconhece que os resultados das últimas eleições legislativas refletem um afastamento de parte do eleitorado, associado à perceção de insuficientes respostas aos problemas específicos da região”, aponta-se, em relação ao crescimento do Chega nas Legislativas.

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