José Luís Carneiro tem encaminhado o apaziguamento da distrital de Braga do Partido Socialista. O que se previa ser uma batalha pela federação nas próximas eleições marcadas para 19 de junho terá, afinal, lista única, encabeçada por Ricardo Costa, um objetivo claro do secretário-geral que tem em Braga a principal federação mobilizada em torno da sua liderança e que foi ponto central de organização da campanha presidencial de António José Seguro. Liliana Matos Pereira assumiu o mandato depois de Victor Hugo Salgado, presidente da Federação, sair do cargo na sequência de um inquérito do Ministério Público por violência doméstica (o autarca seria reeleito pela terceira vez na câmara de Vizela em 2025, mas como independente). Agora, sabe o DN, Liliana Matos Pereira, que integra Assembleia Municipal de Braga como deputada, não tenciona continuar. Por sua vez, ao DN, Ricardo Costa anuncia que vai correr pela distrital, tendo a clara convicção de que vai ganhar. “Tenho apoio de Barcelos, Fafe, Guimarães, Braga, Famalicão, Amares e Cabeceiras de Basto. Portanto, à partida, tudo indica que seja eleito”, vinca, abordando sete apoios dos 14 concelhos que fazem parte do distrito, a grande maioria perfazendo os centros mais populosos da federação. “Em 2020, fui candidato contra Joaquim Barreto, tive 45%, mas o processo foi pacífico depois para ganhar eleições internas para a concelhia e para me candidatar à câmara de Guimarães”, explana o deputado, que desvaloriza a derrota nas Autárquicas em Guimarães, não acreditando que esta o fragilize na liderança para a distrital de Braga. Como missão, revela ao DN a vontade de “credibilizar o PS em Braga”, priorizando “incluir os jovens e procurar respostas na Economia e Habitação.”Recuperar Braga era uma das grandes metas do PS nas Autárquicas de 2025 e no distrito as três vitórias do PS, em 14 possíveis, deixaram a desejar. “Foi-nos pedido por Carneiro que haja vontade de agregar”, reconhece. Por isso, garante ter “apoio de Eduardo Oliveira [líder da Comissão Política do PS de Famalicão]” e vinca que o partido “tem capacidade para reconquistar Braga em 2029.”O processo estará, portanto, pacificado. “Quero fazer parte da solução. Estou com outros camaradas para colaborar pela união. À partida darei apoio a Ricardo Costa. O objetivo é tentar ter uma candidatura única, é necessário criar estabilidade para o partido. Os resultados autárquicos não foram bons e sabe-se disso. Espero que o Ricardo faça correções para um novo rumo. Não concordando com tudo, não farei disto uma batalha. Sempre o apoiei quando foi candidato há seis anos”, informa o DN Eduardo Oliveira, preocupado com o que diz ser o “pior resultado eleitoral de sempre” do PS no distrito, recuando à “divisão no início do século e às fações” que daí resultaram. Agora, Eduardo Oliveira, que também integra a Comissão Política Nacional do PS, tem uma meta clara. “O meu maior objetivo é ganhar a câmara de Famalicão. Se o distrito estiver forte, mais hipóteses haverá. E são grandes indícios vermos que em Vila Nova de Famalicão o PS tem cerca de mais 10 mil votos do que tinha em 2017”, valoriza, confiante para 2029, ainda que o PSD tenha tido mais 13 mil votos no último sufrágio.Quem aponta igualmente a um caminho de consenso é Pedro Sousa, líder da concelhia de Braga. O também presidente da Associação de Futebol de Braga é ainda vereador de oposição do PS na capital de distrito, depois de António Braga ter preferido sair após perder a câmara para João Rodrigues (apoiado por PSD/CDS/PPM) e de este ter recrutado para o Executivo a socialista Catarina Miranda. “Vamos encontrar caminho comum, aprovarei decisão colegial, relembrando que Braga é capital de distrito e a terceira maior concelhia do país. Se puder haver uma lista única para concelhia e federação será bom para o PS”, reconhece, situando em “80%” a probabilidade de continuar e abraçar o penúltimo mandato à frente da concelhia. Pelas palavras de Ricardo Costa, candidato mais forte a liderar a federação, elogiando Pedro Sousa “como um quadro jovem, bom, que deve ser aproveitado”, fica claro que Sousa tem lastro para ser o candidato à Cidade dos Arcebispos em 2029, que o PS liderou ininterruptamente durante 37 anos, a larga maioria comandado por Mesquita Machado.Alentejo muda todo de mãosLuís Testa, deputado eleito por Portalegre, não cumprirá o terceiro mandato do seu segundo ciclo como presidente de federação, uma vez que foi eleito secretário-geral adjunto do PS. Testa tinha vincado ao DN que Portalegre estava “unido em torno de José Luís Carneiro”, rebatendo a ideia de que era parte da crítica na moção mais contestatória apresentada no congresso. Luís Dias, apurou o DN, sai ao fim de três mandatos em Évora, até por ter a seu cargo a coordenação da Defesa no grupo parlamentar do PS. João Grilo, presidente no Alandroal e impossibilitado de se recandidatar em 2029, é escolha consensual. Marcelo Guerreiro, nas mesmas condições como presidente da câmara de Ourique, deve liderar o PS no Baixo Alentejo. Nelson Brito, ao DN, disse que não continuará..José Luís Carneiro pede esforços para listas únicas às federações e concelhias e propõe data para as eleições .PS indica Luís Testa para as funções de relator da Comissão Parlamentar.Presidenciais 2026. Federações do PS aprovam António José Seguro para a corrida a Belém.Pedro Sousa suspende mandato na bancada parlamentar socialista