O PS deverá manter estabilidade nas principais estruturas partidárias da Área Metropolitana de Lisboa nas eleições internas marcadas para 19 e 20 de junho, numa estratégia de consolidação que aponta já para as autárquicas de 2029. Carla Tavares, na Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), e Davide Amado, na concelhia da capital, avançam para novos mandatos, não tendo oposição relevante conhecida, com a missão de preparar atempadamente o próximo processo eleitoral autárquico. Sobre futuros candidatos autárquicos, as decisões ficarão para mais perto de 2028.A leitura interna entre dirigentes socialistas é a de que este é um momento para estabilizar lideranças depois de um ciclo autárquico difícil em 2025, marcado pelas derrotas em Lisboa, Sintra e Cascais. Apesar desse contexto, o entendimento dominante no partido é que não haverá condições nem vantagem política em abrir já disputas internas sobre futuras candidaturas municipais.Carla Tavares, que assumiu a liderança da FAUL em janeiro de 2025, sucedendo a Ricardo Leão, deverá assim continuar à frente da estrutura distrital. A ex-presidente da Câmara da Amadora venceu há pouco mais de um ano Miguel Prata Roque, com 71% dos votos e, ao que o DN apurou, o antigo secretário de Estado não pretende voltar a candidatar-se.Apesar do saldo negativo para os socialistas nas últimas autárquicas, no PS de Lisboa prevalece a ideia de que Carla Tavares herdou de Ricardo Leão um cenário eleitoral já praticamente fechado e teve pouca margem para alterar a estratégia autárquica definida pelo antecessor. Ainda assim, a manutenção da Amadora na esfera socialista, embora sem maioria absoluta, é vista internamente como um ativo político da atual líder federativa, que governou aquele concelho durante 12 anos.Também na concelhia de Lisboa, Davide Amado prepara-se para continuar na liderança. “Queremos continuar o trabalho, vamos procurar ter o partido unido, organizado e pensar nas ideias para a cidade”, vinca ao DN, sem querer fazer possíveis leituras de candidaturas autárquicas do PS em Lisboa, em 2029. O deputado tem o largo apoio das freguesias em Lisboa, mantendo-se, até no Parlamento, muito ativo na luta por um maior financiamento vindo dos Orçamentos do Estado para essas mesmas freguesias. E esse deverá voltar a ser um dos temas políticos centrais da concelhia já no final de 2026.Loures e Odivelas têm impacto na continuidade ou não de Amado, mas não foi possível conhecer qualquer oposição pública ainda ao deputado, que liderou a freguesia de Alcântara 12 anos e que se demitiu da concelhia após acusação do Ministério Público quanto a participação económica e abuso de poder em 2023, que não avançou da instrução para julgamento. O atual líder da concelhia regressou ao cargo em 2024, depois da saída de Marta Temido para encabeçar a lista socialista às eleições europeias.Apesar da consolidação interna das atuais lideranças, o PS mantém em suspenso qualquer debate sobre candidatos às autárquicas de 2029. Nem os nomes derrotados em 2025, nem possíveis alternativas internas estão, para já, em movimentações visíveis. Ao contrário do que sucede noutros distritos, onde alguns vereadores na oposição já começam a posicionar-se para futuras disputas eleitorais – como Pedro Sousa, em Braga, que manifestou ao DN a possibilidade de vir a ser candidato contra João Rodrigues –, em Lisboa o partido opta por adiar essa discussão.Exemplos disso são os casos de Alexandra Leitão e Ana Mendes Godinho. As duas socialistas mantêm presença política relevante, enquanto vereadoras sem pelouro em Lisboa e Sintra, respetivamente, e acumulam funções nos órgãos nacionais do partido. Ainda assim, no PS considera-se extemporâneo discutir, nesta fase, eventuais recandidaturas autárquicas.A expectativa interna é que as decisões mais relevantes sobre cabeças de lista municipais só comecem verdadeiramente a ser trabalhadas durante 2028, mais próximo do ciclo eleitoral autárquico..Bragança, Vila Real e Viseu contrariam pedido de Carneiro e há listas rivais pelas federações.Luís Catarino é candidato único à concelhia do PS no Porto