Luís Neves está esta quarta-feira a ser ouvido no Parlamento.
Luís Neves está esta quarta-feira a ser ouvido no Parlamento.Foto: Gerardo Santos

MAI condena "todas as formas extremistas" que ponham em causa a democracia e faz distinção entre "terrorismo e crime organizado"

Luís Neves, esta quarta-feira, numa audição regimental parlamentar, depois de uma pergunta do deputado da IL Rui Rocha, considerou que "a ameaça de extrema-direita é muito maior" e elencou os vários momentos em que combateu todas as formas de terrorismo e crime organizado nas funções que desempenhou na Polícia Judiciária.
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O ministro da Administração Interna (MAI), ouvido esta quarta-feira, 17 de junho, no Parlamento, afirmou que "a ameaça de extrema-direita é muito maior" do que a da extrema-esquerda, depois de questionado pelo deputado da IL Rui Rocha sobre qual das ameaças seria maior.

"É evidente que que a extrema-esquerda radical está numa ascenção do ponto de vista europeu e é evidente que já teve aqui atos", reconheceu Luís Neves, mas sublinhou, em relação à extrema-direita: "Têm armas, matam, ameaçam, coagem."

Para justificar a sua posição, Luís Neves afirmou que foi "o primeiro a condenar o arremesso do cocktail Molotov na Marcha Pela Vida", acrescentando que também foi "o primeiro a apelidá-lo" como um "ato terrorista".

Numa declaração final, depois das rondas de perguntas por parte dos deputados, Luís Neves lembrou que foi "polícia durante 30 anos", e que, por isso mesmo, tem uma "matriz de respeito pelo ser humano e pela diversidade do ser humano".

Perante a pergunta que lhe tinha sido feita, sobre qual dos terrorismos era o maior – se da esquerda ou da direita –, Luís Neves lembrou que, quando acabou o curso, quis ser colocado "e tinha o direito de ser colocado na Unidade de Combate à Corrupção", tendo acabo por ser colocado Direção Central de Combate ao Banditismo, que, explicou, "foi criada exclusivamente para combater o terrorismo de extrema-esquerda radical chamada FP-25 de Abril".

"Quando passado dois anos de ser um jovem coordenador, foram-me entregues à minha responsabilidade o cumprimento de largos, mais de uma dezena, de mandados de detenção sobre os elementos das FP-25 de Abril, que foram todos cumpridos no mesmo dia, com todo o rigor, e foram apresentados ao tribunal", explicou, lembrando também que "muitos desses delinquentes da altura foram amnistiados".

Porém, para sustentar o argumento, o ministro da Administração Interna disse ser "o português mais reconhecido e mais condecorado pelas autoridades espanholas" por ter ajudado "a combater o terrorismo de matriz da ETA e da resistência galega".

Ainda neste campo, o MAI insistiu que, quando aconteceu a agressão com um cocktail Molotov na Marcha Pela Vida, "agora nas funções políticas", assumiu "uma total condenação daquilo que foi feito a quem marchava de uma forma livre, uma liberdade de expressão, por valores em que acredita".

Por isso, saudou também o papel da PSP, por garantir a "ordem, disciplina, respeito pela liberdade e pelos direitos dos outros têm que imperar num país de direito e um Estado de direito democrático".

Regressando ao passado, evocou o momento em que foi colocado na Direção Central de Combate ao Banditismo, lembrnaod que participou "na parte final da investigação à morte trágica de Alcindo Monteiro, um cidadão que foi morto só por ser negro, no 10 de junho de 1995".

O ministro da Administração Interna lembrou que participou na fase final da investigação da mote de Alcindo Monteiro, assassinado no Bairro Alto em 1995.
O ministro da Administração Interna lembrou que participou na fase final da investigação da mote de Alcindo Monteiro, assassinado no Bairro Alto em 1995.Foto: Gerardo Santos

"Depois dessa investigação, liderei outras dezenas de investigações que levou à dezena de detenções de elementos de matriz da extrema-direita radical violenta. Mataram, homicídios consumados, homicídios tentados, pessoas que ficaram com graves sequelas para o resto da vida. Atacaram pessoas só porque são de esquerda ou porque são mulheres, cometeram crimes contra a diversidade, crimes que são absolutamente abomináveis na nossa forma de estar de vida, respeito pela forma dos outros em toda a modalidade de diferença do ser humano", reconheceu o ministro.

MAI pede que se evite generalizações face a imigrantes

"Não podemos generalizar e, sobretudo, não podemos colocar franjas de população"contra a restante população, apelou esta quarta-feira, 17 de junho, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, depois de ser questionado pelo deputado do Chega Pedro Pinto sobre por que motivo o Primeiro Comando da Capital – organização ligada ao tráfico de droga no Brasil – não é considerada uma organização terroristo, tal como acontece com o movimento "antifa".

Pedro Pinto ainda lembrou uma notícia, sem especificar que órgão de comunicação a deu, cujo título era, de acordo com o líder parlamentar do Chega, "Imigrante com pedido de asilo agride grávida à saída da Segurança Social".

Luís Neves explicou, relativamente ao primeiro tema, que no que diz respeito ao Primeiro Comando de Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, "há aqui uma diferença de concepção".

"Uma coisa é crime organizado, a outra coisa é terrorismo. São penalidades distintas", explicou ao deputado do Chega, lembrando que em ambas "as organizações criminosas" a "penalidade máxima" é aplicada, isto é, 25 anos de prisão.

Vincando que "o terrorismo é uma atividade, o crime organizado é outra", Luís Neves considerou que "não podemos estar aqui a falar de casos isolados e extrapolar o isolado para o global daquilo que é a atividade".

"Portugal, ainda recentemente, foi novamente reconhecido como um dos países mais seguros do mundo, o 7.º neste caso", evocou, sublinhando que "as estatísticas que existem são aquelas que são de todos conhecidas".

MAI considera que "vai demorar anos" a repor no terreno as condições anteriores ao comboio de tempestades

Luís Neves lançou esta quarta-feira o aviso de que "as calamidades cada vez estão aí mais mais próximas" e exaltou a criação do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), realçando que a "primeira preocupação" do Governo, a seguir ao comboio de tempestades do início do ano, "foi abrir, repor" as vias "para as pessoas circularem para limpar [os terrenos], mas sobretudo em prima fase para podermos ter estruturas de socorro, que são os bombeiros a poderem chegar". 

No entanto, Luís Neves lembrou também que "em qualquer país, até países com mais poder económico do que o nosso, este tipo de catástrofes levam anos a reporem" as condições no terreno como estavam antes das ocorrências. 

Luís Neves respondia à deputada Paula Santos, do PCP, que o confrontara com o facto de ter havido, na região de Leiria, "muitos proprietários naquele distrito que não tiveram possibilidade de poder fazer a limpeza dos seus terrenos porque não tinham forma de lá chegar", porque as vias estavam obstruídas. 

"Todos temos que ser intelectualmente sérios", apelou o governante, frisando que "não é possível em 3, 4, 5, 6 meses repor o território como ele estava antes da calamidade".

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