O conselheiro nacional do PSD Vitório Rosário Cardoso lançou um apelo, "a todos os patriotas portugueses", para estarem atentos a movimentações de pessoas próximas do ministro da Administração Interna, Luís Neves, escrevendo, numa publicação nas redes sociais, que "não poderemos deixar que qualquer tipo de dinâmica de bando capture o Estado Português".Luís Neves está a ser alvo de pedidos de demissão vindos da oposição, tendo o líder do Chega, André Ventura, enviado neste sábado uma carta a Luís Montenegro, na qual disse ao primeiro-ministro que "não pode ter medo de agir" caso queira "manter-se como ponto de autoridade no Governo". Em causa estão notícias sobre ligações do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária a João Santos Carvalho, um empresário de construção, a quem foram adjudicados 17 concursos públicos quando o agora governante era diretor nacional da Polícia Judiciária. Foi revelado, pelo semanário Nascer do Sol, que o dono da empresa Construbarcelos fez diversos trabalhos numa casa que Neves detém, no concelho alentejano de Odemira, e tinha em sua posse um atrelado apreendido pela polícia de investigação numa operação de combate ao tráfico de drogas, o que levou os atuais responsáveis pela Polícia Judiciária a instaurar um inquérito interno, com conhecimento do Ministério Público. Perante isto, Vitório Rosário Cardoso, que é um dos dois representantes dos militantes de Fora da Europa no Conselho Nacional do PSD, lançou um apelo, na qualidade de dirigente social-democrata, "a todos os patriotas portugueses", mas "em especial aos que servem o Estado", para que registem "todas as movimentações estranhas direta ou indiretamente ligadas a Luís Neves"..O dirigente social-democrata, conotado com a ala mais conservadora do partido e que chegou a ser secretário pessoal do então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, defende que se deve aumentar o escrutínio político e público sobre "indivíduos promovidos" por Luís Neves assim que este tomou posse enquanto ministro da Administração Interna, no início deste ano. "Na situação precária em que se encontram, vão cair na tentação de nomear as suas gentes de confiança para controlo e minimização de danos, na defesa cerradas aos seus interesses de bando dentro da máquina do Estado", prevê Vitório Rosário Cardoso.Depois de André Ventura ter defendido, na carta a Luís Montenegro, que as notícias sobre Luís Neves "comprometem gravemente a confiança dos portugueses nas instituições e denotam uma cultura de gangsterismo que não é compatível com o exercício do poder democrático", Vitório Rosário Cardoso apelou "aos bons portugueses" que guardem informações, "se possível com provas materiais, para utilização e partilha futura, em sede própria e em estreita colaboração com a comunicação social e as autoridades judiciais competentes, em absoluta defesa do Estado Português e, por conseguinte, da Pátria Portuguesa".Recordando que no último Congresso do PSD subiu ao púlpito do Velódromo Nacional de Sangalhos para desafiar Luís Neves a filiar-se no partido, garantindo ter consciência de que o ministro da Administração Interna nunca o fará, "devido à sua verticalidade socialista", Vítor Rosário Cardoso advoga que o PSD "deve cortar imediatamente qualquer ligação ao polvo do PS, dinâmicas de avental e demais socialistas, para se assumir como líder federador do centro político às direitas em Portugal".Fazer esse corte é, para o conselheiro nacional do PSD, essencial do ponto de vista da estabilidade para "fazer as reformas tão esperadas, tão necessárias e governar a Bem da Nação". Com Vitório Rosário Cardoso a concluir a sua mensagem, que assegurou ao DN ter sido bem acolhida, tanto dentro como fora do partido, com as frases "Tudo pela Nação, Nada contra a Nação e a Bem da Nação e Pátria Portuguesas" e "Que Deus nos ajude"..Ventura escreve a Montenegro a dizer que "tem de agir" no caso Luís Neves para manter "autoridade no Governo".Além do atrelado, amigo de Luís Neves tinha bidões com químicos para droga.Luís Neves quebra silêncio sobre polémica com empreiteiro: “Hoje faria diferente, mas está tudo limpinho”