O ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves, quebrou este domingo (12 de julho) o silêncio sobre a polémica que envolve as obras na sua propriedade privada em Odemira. Em declarações ao canal NOW, o governante reagiu à manchete do jornal Nascer do Sol — que revelou que o ministro contratou a título pessoal o empreiteiro João Carvalho, cuja empresa realizou vários trabalhos para a Polícia Judiciária (PJ) na altura em que Neves liderava a instituição —, garantindo que todo o processo é transparente; embora admita que agiria de outra forma, face ao escrutínio público.Neves afirmou que apenas conheceu o empresário em 2023, numa altura em que já tinham sido adjudicados “70% dos contratos” entre a empresa de construção e a Polícia Judiciária, valor que representava o “grosso dos rendimentos” do empreiteiro com a PJ.“Nunca conheci este empresário, não sabia quem era a pessoa”, reforçou o ministro, sublinhando que todas as adjudicações foram feitas através de concursos públicos transparentes, onde a empresa tanto ganhou como perdeu procedimentos.Obras em Odemira baseadas na “confiança” e sem contrato escritoO caso ganhou dimensão após a compra, por parte do ministro, de um imóvel em Odemira, em 2024. Luís Neves explicou que convidou o empreiteiro a visitar o terreno para pedir “sugestões” e uma “opinião de amigo”. O que começou por ser um plano simples de "três paredes e uma casa de banho", como descrevem para ser executado aos fins de semana acabou por se estender à construção de um pequeno alpendre, um tanque e uma zona de estacionamento.O ministro confirmou que as obras ainda decorrem e assumiu publicamente que não foi assinado qualquer contrato escrito para a prestação deste serviço, justificando a decisão com a proximidade que desenvolveu com o construtor: “Tinha confiança para não exigir contrato”.Luís Neves estima que o custo total dos trabalhos venha a fixar-se entre os 20 e os 25 mil euros, explicando que, até ao momento, foram pagos os valores dos materiais e que o acerto final da mão de obra será feito apenas no término dos trabalhos. Confrontado com a falta de disponibilização imediata das faturas à comunicação social, o MAI justificou com o "diminuto tempo para responder" e defendeu que o registo no portal e-Fatura é "comprovativo suficiente". “Mas alguém vai passar uma fatura que não está paga?”, apontou.Triagem de segurança da PJ não detetou irregularidadesQuestionado sobre o facto de o empreiteiro ter sido associado a uma investigação por suspeitas de falsificação de documentos e insolvência dolosa em 2017, Luís Neves afirmou não ter capacidade de confirmar o processo, mas foi categórico: “Nunca foi acusado”.O governante revelou ainda que tanto o empresário como a respetiva empresa foram submetidos a um rigoroso processo de screening (triagem de segurança) pelo gabinete de segurança da PJ, que “vê e vai a todo o lado”, sem que nada de irregular tivesse sido detetado. “Sou amigo dele e continuarei a ser amigo dele”, rematou.Portugal "disponível" para apoiar Espanha no combate aos incêndiosÀ margem da polémica pessoal, o Ministro da Administração Interna abordou também a situação de proteção civil ibérica, manifestando solidariedade e disponibilidade de Portugal para apoiar o país vizinho no combate aos fogos florestais, após o violento incêndio que fustigou a região de Almeria este fim de semana.Luís Neves confirmou que já esteve em contacto com o seu homólogo espanhol. Embora ressalve que, até ao momento, Madrid não formalizou qualquer pedido de assistência internacional, o governante garantiu uma resposta pronta caso seja necessário: “Se vier algum pedido, veremos e estaremos disponíveis”. O ministro aproveitou ainda para traçar um paralelismo com os trágicos fogos que afetaram Portugal em 2017, apelando à população para que cumpra sempre as diretrizes das autoridades.