O presidente brasileiro recebido por Luís Montenegro, acompanhado pela primeira-dama Janja Lula da Silva.
O presidente brasileiro recebido por Luís Montenegro, acompanhado pela primeira-dama Janja Lula da Silva.FOTO: Gerardo Santos

"Brasil e Portugal vivem melhor momento", diz Lula da Silva, enquanto Montenegro "esclarece" sobre imigração

A frustrar apelo da comunidade brasileira, presidente não comenta questões de imigração. Destaca papel de Portugal na aprovação do acordo UE-Mercosul e importância da multilateralidade em prol da paz.
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A reunião entre Luís Montenegro e Lula da Silva no Palácio de São Bento durou pouco mais de uma hora. Foi o primeiro compromisso do presidente brasileiro em Lisboa, acompanhado pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, e por uma comitiva de cinco ministros de Estado.

Na declaração final conjunta, Lula da Silva não correspondeu às expectativas da comunidade brasileira residente em Portugal, que ansiava por um posicionamento mais contundente do Governo do Brasil sobre a situação após as mudanças nas leis de imigração e de nacionalidade. O tema foi, dias antes, tratado como "delicado" pelo secretário para Europa e América do Norte de Lula, antes do embarque para a viagem, que destacou, inclusive, o combate à xenofobia como uma agenda certa a ser tratada.

No entanto, Lula ficou pelos agradecimentos e pelas desculpas, por, apenas agora, ter feito uma visita a "este homem, que já foi três vezes ao Brasil", disse em referência ao primeiro-ministro. O presidente brasileiro destacou o papel de Portugal na conclusão das negociações para a concretização do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

"Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros. Na reunião com o primeiro-ministro, eu disse para ele que ia conversar com meus ministérios, para conversar com as nossas indústrias, e é muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia possa ser construída aqui em Portugal", afirmou Lula.

"Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada, nós queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta entre dois países que se conhecem desde abril de 1500. Isso é o desejo principal", completou.

O brasileiro ainda destacou que os dois países seguem juntos numa campanha internacional pela defesa do multilateralismo e de uma solução que promova a paz mundial. "Todos sabem que nós estamos numa jornada pelo mundo para que sejam feitas mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se mude o Estatuto das Nações Unidas para lhe dar sentido de existência para a qual ela foi criada em 1945", criticou o brasileiro. "É importante lembrar que hoje nós temos a maior quantidade de conflitos da história depois da Segunda Guerra Mundial." E não há uma única instituição capaz de falar a palavra paz.

Luís Montenegro afirmou que Portugal conta com o apoio do Brasil na sua candidatura ao Conselho de Segurança da ONU. E riu quando Lula sugeriu que dessem logo "um prémio Nobel da Paz ao presidente Trump, para não haver mais guerras". "Aí o mundo vai viver em paz, tranquilamente", frisou.

O presidente brasileiro recebido por Luís Montenegro, acompanhado pela primeira-dama Janja Lula da Silva.
Assista aqui à declaração conjunta do presidente Lula e de Luís Montenegro após reunião em Lisboa

Imigração

Sobre a presença da comunidade brasileira em Portugal, Lula da Silva ficou pelos elogios. "Se tem um povo trabalhador é o povo brasileiro, se tem um povo que gosta de trabalhar e que aprende com muita facilidade é o povo brasileiro", afirmou.

Calhou para Luís Montenegro fazer o que chamou de "necessidade de algum esclarecimento público" sobre o tema, ao afirmar que "o Governo de Portugal regularizou mais de 235 mil processos de imigrantes brasileiros", completando que "hoje estão absolutamente cumpridores da regulação e com uma cidadania integral e plena para poderem cumprir os seus sonhos e objetivos."

Segundo o primeiro-ministro, "a nível global tratou-se de 400 mil processos pendentes", referindo-se à transição do extinto SEF para a atual Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), "e tivemos apenas cinco mil casos em que processos de brasileiros foram indeferidos".

Do encontro no Palácio de São Bento, Lula seguiu para o Palácio de Belém, para o seu primeiro encontro com o Presidente da República, António José Seguro, sendo recebido por protestos de opositores, convocados pelo Chega, e por manifestação de apoiantes, convocada pelo núcleo de Lisboa do Partido dos Trabalhadores.

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