160 mortos e 7443 casos de covid-19 em Portugal. Mais de mil infetados em 24 horas

A região do norte continua a registar o maior número de casos, embora não esteja a ser equacionado mais nenhum cerco sanitário no país, esclareceu o secretário de estado da Saúde, no dia em que o número de infetados cresceu 16% em relação a ontem.

No último dia, foram confirmados mais 1035 casos de covid-19 em Portugal e 20 mortes, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde desta terça-feira (31 de março), que inclui os dados recolhidos até às 24:00 de segunda. O país tem agora 7 443 infetados (a maioria na região norte) - mais 16% que ontem -, 160 mortes registadas e 43 recuperados.

Estão internadas 627 pessoas, 188 nos cuidados intensivos (mais 24 que ontem). Aguardam resultados laboratoriais 4610 cidadãos e outras 19260 estão em vigilância pelas autoridades de saúde (ou seja, recebem contactos regulares de profissionais por terem estado numa zona de risco ou terem estado com alguém infetado).

A região mais afetada do país continua a ser o norte (4452 casos, 83 mortes). Seguem-se ​​​​​​Lisboa e Vale do Tejo (1799, 35 mortes), o centro (911, 40 mortes), o Algarve (137, 2 mortes), o Alentejo (50), os Açores (48 casos) e a Madeira (46).

Sendo que os concelhos com mais casos no país são, por ordem: Lisboa (505), Porto (462), Vila Nova de Gaia (338), Gondomar (298), Maia (293) e Matosinhos (273).

​​​​​​Nos últimos quatro dias, o ritmo de evolução do número de mortos tem sido constante. Desde 27 de março que morrem cerca de 20 pessoas por dia. A maior parte dos óbitos ocorridos em Portugal (84%) continuam a dizer respeito a pessoas com mais de 80 anos. Embora também haja dois mortos entre os 40 e os 49 anos e seis entre os 50 e os 59. 55 infetados tinham entre 60 e 79 anos.

Quanto ao número de recuperados, que se mantém inalterado (43) há seis dias, o secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, diz que isto acontece por se tratar de um "doença de convalescença lenta" e por ser mais difícil ainda dar altas a quem está internado em casa, até porque têm ser obtidos dois testes de despistagem negativos.

Porto. Dupla contagem dos casos e cerco sanitário "não faz qualquer sentido"

Os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgados na segunda-feira relativos ao concelho do Porto e entretanto corrigidos apontavam para um crescimento exponencial do número de infetados nesta região. No boletim de ontem o concelho registava um aumento de 524 casos em 24 horas, passando de 417 para 941 infetados. Estes dados estão, no entanto, errados avançou o JN e confirmou o DN. O balanço diário de hoje corrige: são afinal 462 casos no município do Porto.

"Houve aqui uma tentativa de dar o maior número de dados possível e houve duplicação de valores no número de ontem, porque houve confluência entre os dados da região e os dados reportados via SINAV [Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica]", justificou o subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz, durante a conferência de imprensa diária.

Ao JN e ao DN, a DGS explicou que estava a ser utilizada uma "metodologia mista", que recolhe dados reportados pelas administrações regionais de saúde e pela plataforma Sinave (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), na qual os médicos inserem a informação sobre os doentes.

Mas a autoridade de saúde nacional refere que a partir desta terça-feira serão utilizados apenas os dados do Sinave, deixando de ser tidos em conta os dados reportados pelas autarquias. Mas desta forma podem ser divulgados apenas 70 a 75% do total de casos no país.

Questionada com o aumento dos casos no Porto a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse, segunda-feira, que as autoridades decidiriam sobre a criação de um novo cordão sanitário no país, no Grande Porto, em Gaia, Maia e Gondomar, hipótese mal recebida pelos autarcas e que afinal não passou de um mal-entendido. Ainda durante a conferência de imprensa, o secretário de estado da Saúde António Lacerda Sales garantiu que "não houve qualquer indicação da autoridade de saúde nesse âmbito", ou seja, não está a ser pensada uma cerca sanitária no Porto.

"Neste momento, não faz qualquer sentido", declarou António Lacerda Sales. "A fixação de cercas sanitárias é antecedida por declarações de calamidade pública. De acordo com a lei de bases da Proteção Civil, é decidida, em situações normais, pelo conselho de ministros e em situações de emergência por despacho do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna. Normalmente essas decisões são sustentadas na avaliação do risco feita pela autoridade de saúde", explicou.

Mais de 38 mil mortos no mundo

São 38 720 mortes, 799 710 casos confirmados e 169 976 recuperações de covid-19 no mundo inteiro, de acordo com os dados oficiais, consultados às 11:30 desta terça-feira.

Os Estados Unidos da América são o país mais afetado (164 359 casos e 3173 mortes), com os pedidos de ajuda a multiplicarem-se. "Por favor, venham para Nova Iorque ajudar-nos. Agora", pedia aos profissionais de saúde ontem o governador nova-iorquino, Andrew Cuomo, perante um "aterrador" número de mortes provocadas pelo novo coronavírus.

Segue-se Itália com 101 739 pessoas infetadas e um total de 11 591 mortos (o maior número de óbitos do mundo). E em terceiro lugar está Espanha, que voltou a bater um novo recorde de mortes nas últimas 24 horas: números oficiais do ministério da Saúde divulgados esta manhã apontam para 849 óbitos declarados. Ao todo, já morreram 8189 pessoas e há 94 417 casos de coronavirus diagnosticados. Madrid é a cidade mais afetada.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos). E acima de tudo: fique em casa.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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